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CID E54: Deficiência de ácido ascórbico

E54
Deficiência de ácido ascórbico

Mais informações sobre o tema:

Definição

A deficiência de ácido ascórbico, também conhecida como escorbuto, é uma doença nutricional causada pela ingestão inadequada de vitamina C (ácido ascórbico), essencial para a síntese de colágeno, metabolismo de neurotransmissores, absorção de ferro e função antioxidante. A vitamina C atua como cofator para enzimas como prolil e lisil hidroxilases, necessárias para a estabilização da estrutura tripla-hélice do colágeno; sua deficiência leva à formação defeituosa de colágeno, resultando em fragilidade capilar, hemorragias, cicatrização prejudicada e alterações ósseas. Clinicamente, manifesta-se com sintomas como fadiga, mialgias, petéquias, gengivite hemorrágica, artralgias e, em casos graves, anemia e complicações cardiovasculares. Epidemiologicamente, é mais comum em populações com acesso limitado a frutas e vegetais frescos, como idosos, indivíduos em situação de insegurança alimentar, alcoólatras e pacientes com distúrbios de absorção intestinal, com incidência variável globalmente, mas ainda relevante em contextos de desnutrição.

Descrição clínica

A deficiência de ácido ascórbico é caracterizada por um espectro de manifestações clínicas decorrentes da síntese deficiente de colágeno e do estresse oxidativo. Inicialmente, os sintomas são inespecíficos, como fadiga, irritabilidade e perda de peso, progredindo para sinais mais específicos após 1-3 meses de deficiência. As manifestações cutâneas incluem petéquias, equimoses, pêlos em saca-rolhas e hiperqueratose folicular. A gengivite hemorrágica, com edema e sangramento espontâneo das gengivas, é um achado clássico. Alterações musculoesqueléticas envolvem mialgias, artralgias, hemartrose e, em crianças, distúrbios de crescimento ósseo como escorbuto infantil. Complicações hematológicas incluem anemia microcítica hipocrômica devido à deficiência de ferro secundária à má absorção. Em estágios avançados, podem ocorrer hemorragias internas, cicatrização deficiente de feridas e, raramente, insuficiência cardíaca.

Quadro clínico

O quadro clínico da deficiência de ácido ascórbico evolui de forma insidiosa. Sinais e sintomas iniciais incluem fadiga, mal-estar, irritabilidade e perda de apetite. Com a progressão, surgem manifestações cutâneas como petéquias (especialmente em membros inferiores), equimoses espontâneas, pêlos enrolados (devido a defeitos no folículo piloso) e hiperqueratose folicular. A gengivite hemorrágica é proeminente, com gengivas edemaciadas, hiperemiadas e sangramento fácil. Sintomas musculoesqueléticos incluem mialgias, artralgias, hemartrose e, em crianças, dor à palpação óssea e pseudoparalisia. Sinais de anemia, como palidez e dispneia, podem estar presentes. Em casos graves, observam-se hemorragias subperiostais, cicatrização deficiente, edema de membros e, raramente, convulsões ou insuficiência cardíaca. O diagnóstico é baseado na combinação de achados clínicos, história dietética e confirmação laboratorial.

Complicações possíveis

Anemia ferropriva

Devido à má absorção de ferro não-heme, levando a fadiga, palidez e dispneia.

Hemorragias internas

Incluem hemorragias gastrointestinais, intracranianas ou intra-articulares, com risco de choque hipovolêmico.

Infecções secundárias

Cicatrização deficiente e fragilidade tecidual aumentam o risco de infecções de feridas e sepse.

Alterações ósseas em crianças

Como escorbuto infantil, com dor óssea, pseudoparalisia e deformidades esqueléticas.

Insuficiência cardíaca

Rara, mas possível em casos graves devido a anemia e estresse cardiovascular.

Epidemiologia

A deficiência de ácido ascórbico tem uma distribuição global variável, sendo mais prevalente em regiões com insegurança alimentar, como partes da África, Ásia e América do Sul. Estima-se que afete cerca de 7-10% da população mundial em situações de desnutrição, com maior incidência em idosos, crianças em dietas restritivas, alcoólatros, fumantes e pacientes com doenças crônicas. No Brasil, dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional indicam casos esporádicos, principalmente em comunidades carentes. Grupos de risco incluem indivíduos com acesso limitado a frutas e vegetais frescos, gestantes, lactantes e pessoas com distúrbios de absorção. A incidência tem diminuído em países desenvolvidos devido a programas de fortificação alimentar, mas surtos ainda ocorrem em contextos de crise humanitária.

Prognóstico

O prognóstico da deficiência de ácido ascórbico é geralmente excelente com diagnóstico precoce e tratamento adequado. A suplementação com vitamina C leva à resolução dos sintomas em 1-2 semanas, com melhora da fadiga e sangramento em dias, e normalização dos níveis séricos em 2-4 semanas. Complicações como anemia e alterações ósseas podem requerer tratamento adicional, mas são reversíveis na maioria dos casos. Sem tratamento, a doença pode progredir para hemorragias graves, infecções e, raramente, óbito, especialmente em populações vulneráveis. Fatores como idade avançada, comorbidades e adesão à terapia influenciam o desfecho. A prevenção através de dieta balanceada é fundamental para evitar recorrências.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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