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CID E24: Síndrome de Cushing
E240
Síndrome de Cushing dependente da hipófise
E241
Síndrome de Nelson
E242
Síndrome de Cushing induzida por droga
E243
Síndrome do ACTH ectópico
E244
Síndrome de pseudo-Cushing induzida pelo álcool
E248
Outra síndrome de Cushing
E249
Síndrome de Cushing não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A Síndrome de Cushing é um conjunto de sinais e sintomas resultantes da exposição crônica a níveis elevados de glicocorticoides, seja por causas endógenas (produção excessiva pelo organismo) ou exógenas (administração de corticosteroides). Caracteriza-se por um estado de hipercortisolismo que afeta múltiplos sistemas, incluindo metabólico, cardiovascular, musculoesquelético e imunológico. A fisiopatologia envolve a ativação excessiva dos receptores de glicocorticoides, levando a alterações no metabolismo de carboidratos, lipídios e proteínas, com consequências como resistência à insulina, obesidade central, miopatia e supressão imunológica. Epidemiologicamente, a forma endógena é rara, com incidência estimada em 0,7 a 2,4 casos por milhão de habitantes por ano, sendo mais comum em mulheres na faixa etária de 25 a 40 anos. O impacto clínico é significativo, com aumento da morbimortalidade devido a complicações cardiovasculares, infecciosas e osteoporóticas, exigindo diagnóstico e manejo precoces para melhorar o prognóstico.
Descrição clínica
A Síndrome de Cushing apresenta um quadro clínico heterogêneo, com manifestações que variam conforme a duração e a gravidade do hipercortisolismo. Os achados clássicos incluem obesidade central com face arredondada (face de lua), acúmulo de gordura na região cervical (giba de búfalo), e extremidades delgadas devido à miopatia proximal. Alterações cutâneas são comuns, como estrias rubras amplas (geralmente no abdômen, coxas e seios), pele fina e frágil com equimoses espontâneas, e hirsutismo em mulheres. Distúrbios metabólicos incluem intolerância à glicose ou diabetes mellitus, dislipidemia e hipertensão arterial. Sintomas neuropsiquiátricos, como labilidade emocional, depressão e insônia, são frequentes. Em crianças, pode ocorrer retardo do crescimento. A apresentação pode ser insidiosa, com agravamento progressivo, e a suspeita clínica é baseada na combinação de sinais e sintomas sugestivos.
Quadro clínico
O quadro clínico da Síndrome de Cushing é caracterizado por sinais e sintomas progressivos. Comuns incluem: ganho de peso com distribuição central (obesidade troncular), face arredondada e ruborizada, giba de búfalo, estrias cutâneas violáceas (diâmetro >1 cm), pele fina com equimoses fáceis, hirsutismo, acne, fraqueza muscular proximal (dificuldade para levantar-se de cadeiras ou subir escadas), hipertensão arterial, intolerância à glicose ou diabetes manifesta, alterações psiquiátricas (como depressão, ansiedade ou psicose), osteoporose com risco de fraturas, e em crianças, baixa estatura para a idade. A apresentação pode variar; formas leves ou cíclicas podem dificultar o diagnóstico. A evolução não tratada associa-se a complicações cardiovasculares e infecciosas.
Complicações possíveis
Doenças cardiovasculares
Hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, e aterosclerose acelerada devido a efeitos metabólicos e hemodinâmicos do cortisol.
Diabetes mellitus
Intolerância à glicose progressiva para diabetes franco, com risco de complicações micro e macrovasculares.
Osteoporose e fraturas
Redução da densidade mineral óssea por inibição da formação óssea e aumento da reabsorção, levando a fraturas vertebrais e periféricas.
Infecções
Supressão imunológica aumenta a susceptibilidade a infecções bacterianas, fúngicas e oportunistas.
Distúrbios psiquiátricos
Depressão, ansiedade, psicose e alterações cognitivas, impactando a qualidade de vida.
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A Síndrome de Cushing endógena é rara, com incidência anual de 0,7 a 2,4 casos por milhão de habitantes. A doença de Cushing (causa hipofisária) representa cerca de 70% dos casos, sendo mais comum em mulheres (proporção 3:1) e pico de incidência entre 25-40 anos. Formas adrenais e ectópicas são menos frequentes. A forma exógena, por uso de corticosteroides, é a causa mais comum globalmente, mas não é capturada pelo CID E24. Fatores de risco incluem sexo feminino, história familiar de neoplasias endócrinas, e exposição a corticosteroides.
Prognóstico
O prognóstico da Síndrome de Cushing depende da causa, tempo até o diagnóstico, e adesão ao tratamento. Com tratamento adequado (ex.: ressecção cirúrgica do tumor), a remissão é possível em até 80-90% dos casos de doença de Cushing, mas a morbidade residual (como hipertensão, diabetes e osteoporose) pode persistir. A mortalidade é aumentada se não tratada, principalmente por eventos cardiovasculares e infecciosos. Seguimento a longo prazo é essencial para monitorar recidivas e complicações.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico da Síndrome de Cushing baseia-se na confirmação bioquímica do hipercortisolismo e na identificação da causa. Critérios incluem: 1) Teste de supressão com dexametasona 1 mg overnight: cortisol sérico >1,8 µg/dL sugere hipercortisolismo; 2) Dosagem de cortisol livre urinário de 24h: valores consistentemente elevados (>50-100 µg/24h, dependendo do método); 3) Ritmo circadiano do cortisol: perda da variação normal (cortisol sérico da meia-noite elevado); 4) Teste de supressão com dexametasona em doses baixas (0,5 mg a cada 6h por 48h): falta de supressão do cortisol confirma o diagnóstico. Após confirmação, a diferenciação etiológica é feita com dosagem de ACTH (baixo sugere origem adrenal, normal ou alto sugere origem hipofisária ou ectópica), teste de supressão com dexametasona em altas doses, e exames de imagem (RM de hipófise, TC de adrenais). Diretrizes como as da Endocrine Society recomendam essa abordagem escalonada.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Obesidade simples
Pode apresentar ganho de peso, mas geralmente sem estrias rubras, miopatia proximal ou hipertensão marcada. O cortisol livre urinário e o teste de supressão com dexametasona são normais.
Endocrine Society. Clinical Practice Guideline on Diagnosis of Cushing's Syndrome. J Clin Endocrinol Metab. 2008.
Síndrome do ovário policístico (SOP)
Compartilha hirsutismo e irregularidades menstruais, mas falta os sinais específicos como estrias rubras, face de lua e miopatia. O hipercortisolismo não está presente.
Endocrine Society. Clinical Practice Guideline on Diagnosis of Cushing's Syndrome. J Clin Endocrinol Metab. 2008.
Depressão maior
Pode causar alterações no eixo HPA com elevação leve do cortisol, mas geralmente não há sinais físicos como obesidade central ou estrias. Os testes de supressão podem ser falsamente positivos, exigindo confirmação.
Endocrine Society. Clinical Practice Guideline on Diagnosis of Cushing's Syndrome. J Clin Endocrinol Metab. 2008.
Uso crônico de álcool
Pode simular Síndrome de Cushing com obesidade central e alterações bioquímicas, mas a abstinência normaliza os níveis de cortisol.
Endocrine Society. Clinical Practice Guideline on Diagnosis of Cushing's Syndrome. J Clin Endocrinol Metab. 2008.
Síndrome de pseudo-Cushing
Condições como estresse crônico ou desordens psiquiátricas que elevam o cortisol temporariamente, mas sem os achados clínicos persistentes. Diferenciada por testes dinâmicos como o CRH após dexametasona.
Endocrine Society. Clinical Practice Guideline on Diagnosis of Cushing's Syndrome. J Clin Endocrinol Metab. 2008.
Exames recomendados
Dosagem de cortisol livre urinário de 24h
Mede a excreção urinária de cortisol livre, refletindo a produção diária. Valores elevados confirmam hipercortisolismo.
Confirmação inicial do hipercortisolismo.
Teste de supressão com dexametasona 1 mg overnight
Administração oral de 1 mg de dexametasona às 23h e dosagem de cortisol sérico às 8h do dia seguinte. Falha na supressão (cortisol >1,8 µg/dL) sugere Síndrome de Cushing.
Triagem para hipercortisolismo.
Dosagem de ACTH plasmático
Avalia se o hipercortisolismo é ACTH-dependente (níveis normais ou elevados) ou ACTH-independente (níveis suprimidos).
Diferenciação etiológica entre causas hipofisárias, ectópicas e adrenais.
Ressonância magnética (RM) de hipófise
Identifica adenomas hipofisários em casos de doença de Cushing. Sensibilidade de até 90% para microadenomas.
Localização de tumores hipofisários em causas ACTH-dependentes.
Tomografia computadorizada (TC) de adrenais
Detecta tumores adrenais (adenomas ou carcinomas) em casos de hipercortisolismo ACTH-independente.
Avaliação de massas adrenais.
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Evitar doses altas e prolongadas de glicocorticoides em tratamentos, com monitorização regular para sinais de hipercortisolismo.
Rastreamento em grupos de risco
Pacientes com história familiar de neoplasias endócrinas ou síndromes genéticas devem ser avaliados periodicamente.
Vigilância e notificação
A Síndrome de Cushing não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, mas casos suspeitos devem ser encaminhados para serviços especializados em endocrinologia para confirmação e manejo. A vigilância envolve monitoramento de pacientes em uso crônico de corticosteroides e rastreamento em grupos de risco, como aqueles com neoplasias endócrinas. Programas de educação médica são importantes para aumentar a suspeição clínica.
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A Síndrome de Cushing refere-se a qualquer causa de hipercortisolismo (endógena ou exógena), enquanto a doença de Cushing é uma forma específica causada por adenoma hipofisário produtor de ACTH.
Sim, o teste de supressão com dexametasona é um método válido para triagem, mas resultados falso-positivos podem ocorrer em condições como depressão; confirmação com exames adicionais é necessária.
Sim, muitas formas são curáveis com tratamento cirúrgico (ex.: ressecção de tumor), mas o manejo de complicações residuais pode ser necessário a longo prazo.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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