CID E21: Hiperparatireoidismo e outros transtornos da glândula paratireóide
Mais informações sobre o tema:
Definição
O hiperparatireoidismo é uma condição clínica caracterizada pela secreção excessiva de paratormônio (PTH) pelas glândulas paratireoides, resultando em distúrbios no metabolismo do cálcio e fósforo. Pode ser classificado em primário, secundário ou terciário, com o primário sendo o mais comum, frequentemente associado a adenomas paratireoidianos, hiperplasia ou, raramente, carcinoma. O secundário ocorre como resposta a estados de hipocalcemia crônica, como na doença renal crônica, enquanto o terciário surge de hiperplasia autônoma após estímulo prolongado. A fisiopatologia envolve aumento da reabsorção óssea, absorção intestinal de cálcio e reabsorção tubular renal de cálcio, levando a hipercalcemia. Epidemiologicamente, o hiperparatireoidismo primário tem incidência de aproximadamente 25-30 casos por 100.000 pessoas/ano, com predomínio em mulheres pós-menopausa, e impacta significativamente a qualidade de vida devido a complicações como osteoporose, nefrolitíase e disfunções neuromusculares.
Descrição clínica
O hiperparatireoidismo pode ser assintomático ou apresentar sintomas relacionados à hipercalcemia e aumento do turnover ósseo. Manifestações comuns incluem fadiga, fraqueza muscular, dor óssea, poliúria, polidipsia, constipação, náuseas, vômitos, alterações neuropsiquiátricas (como depressão e confusão), e complicações renais como nefrolitíase. No exame físico, pode-se observar hipertensão, deformidades ósseas em casos avançados, e sinais de hiporreflexia. A progressão da doença pode levar a osteíte fibrosa cística, caracterizada por lesões líticas ósseas.
Quadro clínico
Pacientes podem apresentar sintomas inespecíficos como fadiga, fraqueza, anorexia e perda de peso. Sintomas específicos incluem dor óssea e articular, fraturas patológicas, nefrolitíase com cólica renal, poliúria, polidipsia, constipação, úlcera péptica, pancreatite, e manifestações neuropsiquiátricas como letargia, depressão e comprometimento cognitivo. Em casos graves, a hipercalcemia aguda pode levar a crise hipercalcêmica, com desidratação, insuficiência renal e arritmias cardíacas.
Complicações possíveis
Osteoporose e fraturas
Perda acelerada de massa óssea devido ao aumento da reabsorção, levando a maior risco de fraturas.
Nefrolitíase
Formação de cálculos renais por hipercalciúria, podendo causar obstrução e insuficiência renal.
Insuficiência renal crônica
Dano renal progressivo devido a nefrocalcinose ou nefrolitíase recorrente.
Pancreatite aguda
Complicação rara da hipercalcemia grave, com inflamação pancreática.
Crise hipercalcêmica
Emergência médica com desidratação, alteração do estado mental, e risco de arritmias cardíacas.
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O hiperparatireoidismo primário tem incidência anual de 25-30 por 100.000, com prevalência aumentada em mulheres (3:1) e pico de incidência entre 50-60 anos. Fatores de risco incluem história familiar, exposição à radiação, e síndromes genéticas como MEN. O hiperparatireoidismo secundário é comum em pacientes com doença renal crônica, afetando até 50% dos indivíduos em diálise. No Brasil, dados do DATASUS mostram tendência de aumento de diagnósticos devido à maior disponibilidade de exames laboratoriais.
Prognóstico
O prognóstico do hiperparatireoidismo primário é geralmente bom com tratamento adequado, especialmente após paratireoidectomia, que normaliza a calcemia em mais de 95% dos casos. Pacientes assintomáticos podem ser monitorados sem intervenção, mas o risco de complicações a longo prazo, como fraturas e doença renal, justifica avaliação regular. No hiperparatireoidismo secundário, o prognóstico depende do controle da doença de base, como a doença renal crônica, e pode envolver maior morbidade se não tratado.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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