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CID D71: Transtornos funcionais dos neutrófilos polimorfonucleares

D71
Transtornos funcionais dos neutrófilos polimorfonucleares

Mais informações sobre o tema:

Definição

Os transtornos funcionais dos neutrófilos polimorfonucleares constituem um grupo heterogêneo de condições caracterizadas por defeitos na função efetora dessas células, resultando em comprometimento da imunidade inata e predisposição a infecções bacterianas e fúngicas recorrentes. Esses distúrbios envolvem anormalidades em processos críticos como quimiotaxia, fagocitose, degranulação e atividade microbicida (via explosão oxidativa), sem necessariamente afetar a contagem neutrofílica. A natureza dessas disfunções pode ser congênita (como na doença granulomatosa crônica) ou adquirida (secundária a condições como diabetes mellitus, desnutrição ou uso de certos medicamentos). Fisiopatologicamente, esses transtornos decorrem de mutações genéticas que prejudicam a produção ou função de proteínas essenciais para a sinalização celular, motilidade ou mecanismos de destruição intracelular. Por exemplo, defeitos no complexo NADPH oxidase levam à incapacidade de gerar espécies reativas de oxigênio, enquanto anomalias nas proteínas do citoesqueleto afetam a migração e internalização de patógenos. O impacto clínico é marcado por infecções piogênicas recorrentes, abscessos profundos (hepáticos, pulmonares, cutâneos) e granulomas estéreis, com manifestações que variam conforme a gravidade do defeito funcional. Epidemiologicamente, as formas congênitas são raras, com incidência estimada em 1:200.000 a 1:250.000 nascidos vivos, sem predileção por sexo ou etnia, embora alguns subtipos tenham padrões de herança específicos (autossômico recessivo ou ligado ao X). As formas adquiridas são mais prevalentes, associadas a comorbidades como diabetes, insuficiência renal crônica ou estados de imunossupressão. O reconhecimento precoce é crucial para instituir medidas profiláticas e terapêuticas, reduzindo a morbimortalidade por infecções graves.

Descrição clínica

Os transtornos funcionais dos neutrófilos manifestam-se clinicamente por infecções bacterianas e fúngicas recorrentes, frequentemente por patógenos intracelulares como Staphylococcus aureus, Serratia marcescens, Burkholderia cepacia, Aspergillus spp. e Candida spp. As infecções tendem a ser graves, com formação de abscessos profundos em órgãos como fígado, pulmões, pele e linfonodos, além de linfadenite supurativa, pneumonia necrotizante e osteomielite. Pacientes podem apresentar granulomas estéreis em tecidos, resultantes da resposta inflamatória crônica à presença de microrganismos não eliminados. O início dos sintomas geralmente ocorre na infância para formas congênitas, enquanto as adquiridas surgem em qualquer idade, associadas a condições subjacentes. A evolução é crônica, com episódios infecciosos intermitentes que podem levar a sequelas orgânicas e comprometimento do estado geral.

Quadro clínico

O quadro clínico é dominado por infecções recorrentes e graves, com abscessos em múltiplos sítios (pulmonar, hepático, cutâneo, ganglionar), pneumonia necrotizante, linfadenite supurativa, osteomielite e septicemia. Manifestações cutâneas incluem piodermite, celulite e úlceras de difícil cicatrização. Infecções fúngicas invasivas, como aspergilose pulmonar ou candidíase disseminada, são comuns. Pacientes com formas congênitas frequentemente apresentam sintomas desde a primeira infância, com histórico de infecções de repetição, falência de crescimento e atraso no desenvolvimento. Sinais de inflamação crônica, como hepatoesplenomegalia, linfadenopatia e formação de granulomas, podem estar presentes. Em formas adquiridas, os sintomas surgem em contexto de doenças de base, como diabetes mal controlado ou insuficiência renal, com infecções que respondem pobremente à antibioticoterapia convencional.

Complicações possíveis

Sepse e choque séptico

Infecções bacterianas ou fúngicas disseminadas podem evoluir para síndrome da resposta inflamatória sistêmica e falência de múltiplos órgãos, com alta mortalidade.

Abscessos viscerais (hepáticos, pulmonares, cerebrais)

Formação de coleções purulentas em órgãos internos, requerendo drenagem cirúrgica ou intervenção percutânea, com risco de ruptura e disseminação.

Osteomielite crônica

Infecção óssea de difícil erradicação, levando a dor, deformidades, fraturas patológicas e necessidade de desbridamento cirúrgico prolongado.

Fibrose pulmonar ou hepática

Inflamação crônica recorrente pode resultar em substituição do parênquima por tecido fibroso, com comprometimento da função respiratória ou hepática.

Retardo de crescimento e desenvolvimento

Em crianças, infecções frequentes e estado catabólico levam a desnutrição, atraso pondero-estatural e prejuízo cognitivo.

Epidemiologia

Os transtornos funcionais congênitos dos neutrófilos são raros, com incidência global estimada em 1:200.000 a 1:250.000 nascidos vivos. A doença granulomatosa crônica, a mais comum, tem incidência de 1:250.000, com padrão de herança ligado ao X em 70% dos casos (afetando predominantemente homens) e autossômico recessivo em 30%. Outras formas, como deficiência de adesão leucocitária, são ainda mais raras (1:1.000.000). Não há predileção étnica ou geográfica significativa. As formas adquiridas são mais prevalentes, associadas a condições como diabetes mellitus (afetando até 30% dos diabéticos mal controlados), insuficiência renal crônica, desnutrição e uso de imunossupressores. A incidência aumenta com a idade e a presença de comorbidades. Dados brasileiros são escassos, refletindo subdiagnóstico; estima-se que a prevalência real seja maior devido a casos não identificados.

Prognóstico

O prognóstico varia conforme a etiologia, gravidade do defeito funcional e acesso a cuidados especializados. Nas formas congênitas graves, como doença granulomatosa crônica, a mortalidade pode atingir 50% na primeira década de vida sem tratamento adequado, devido a infecções fatais ou complicações. Com manejo apropriado (profilaxia antimicrobiana, terapia com interferon gama, transplante de células-tronco hematopoéticas), a sobrevida pode ser estendida para a idade adulta, mas com morbidade significativa por sequelas infecciosas. Formas adquiridas têm prognóstico dependente da doença de base; controle da condição subjacente (ex.: otimização glicêmica no diabetes) pode melhorar a função neutrofílica. Complicações como fibrose ou abscessos recorrentes impactam a qualidade de vida. Diagnóstico precoce e intervenção multidisciplinar são fatores prognósticos favoráveis.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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