CID D70: Agranulocitose
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Definição
A agranulocitose é uma condição hematológica grave caracterizada por uma redução acentuada ou ausência de granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos) no sangue periférico, comumente definida por uma contagem absoluta de neutrófilos (CAN) inferior a 500 células/μL. Esta neutropenia severa resulta em uma imunodeficiência celular significativa, predispondo os pacientes a infecções bacterianas e fúngicas, frequentemente graves e potencialmente fatais. A condição pode ser classificada como congênita (rara, como na neutropenia congênita grave) ou adquirida, sendo esta última mais comum e frequentemente associada a fármacos, doenças autoimunes, infecções ou exposições tóxicas. A patogênese envolve mecanismos imunomediados, supressão direta da medula óssea ou destruição periférica de neutrófilos, com impacto clínico direto na morbimortalidade por sepse. Epidemiologicamente, a incidência varia conforme a etiologia, com casos induzidos por medicamentos (ex.: clozapina, antitiroidianos, quimioterápicos) representando uma causa importante em adultos, enquanto formas congênitas são mais prevalentes na infância.
Descrição clínica
A agranulocitose manifesta-se clinicamente por sinais e sintomas de infecção aguda, devido à neutropenia profunda. Os pacientes podem apresentar febre alta, calafrios, mal-estar, fadiga e ulcerações mucocutâneas, como estomatite, faringite, esofagite ou proctite. Infecções bacterianas recorrentes, como pneumonia, septicemia, celulite ou abscessos, são comuns, com patógenos típicos incluindo Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e enterobactérias. Em casos de exposição a fármacos, os sintomas podem surgir abruptamente após dias a semanas do início da terapia. O exame físico pode revelar úlceras orais, linfadenopatia, hepatosplenomegalia em formas associadas a doenças subjacentes, e sinais de sepse. A história clínica é crucial para identificar fatores desencadeantes, como uso recente de medicamentos, exposições ocupacionais ou história familiar de neutropenia.
Quadro clínico
O quadro clínico da agranulocitose é dominado por manifestações infecciosas agudas, devido à neutropenia severa. Os sintomas incluem febre (≥38,3°C) em mais de 80% dos casos, frequentemente o primeiro sinal, acompanhada de calafrios, sudorese e mal-estar. Lesões mucocutâneas são comuns: ulcerações orais (estomatite), faringite dolorosa, esofagite com disfagia, e úlceras anogenitais. Infecções bacterianas recorrentes podem ocorrer, como pneumonia (com tosse e dispneia), septicemia (com hipotensão e taquicardia), celulite, abscessos ou infecções do trato urinário. Em formas induzidas por fármacos, os sintomas surgem abruptamente, com história de uso recente de medicamentos de risco. Sinais de sepse, como taquipneia, confusão e oligúria, indicam complicações graves. O exame físico pode mostrar úlceras orais, linfadenopatia, ou hepatosplenomegalia em doenças autoimunes associadas. A ausência de neutrófilos pode resultar em infecções com pouca resposta inflamatória visível.
Complicações possíveis
Sepse e choque séptico
Infecção sistêmica grave com disfunção orgânica, devido à incapacidade de conter patógenos bacterianos ou fúngicos.
Infecções oportunistas
Infecções por patógenos como Candida spp., Aspergillus spp. ou vírus, em virtude da imunodeficiência celular.
Ulcerações mucocutâneas graves
Lesões extensas na boca, faringe ou trato gastrointestinal, levando a dor, desidratação e desnutrição.
Morte
Risco aumentado de óbito por infecções não controladas, especialmente em casos de diagnóstico tardio ou tratamento inadequado.
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Epidemiologia
A agranulocitose tem uma incidência estimada de 1-5 casos por milhão de pessoas por ano, variando conforme a população e exposições. Formas adquiridas são mais comuns em adultos, com pico de incidência entre 40-60 anos, e ligeiro predomínio feminino em causas autoimunes. Agranulocitose induzida por fármacos representa 70-80% dos casos, com medicamentos como clozapina (incidência de 0,8-1%), antitiroidianos (ex.: metimazol), sulfonamidas e quimioterápicos sendo os principais culpados. Formas congênitas são raras, com prevalência de 1-2 por milhão de nascidos vivos. Fatores de risco incluem polifarmácia, doenças autoimunes prévias e exposição ocupacional a toxinas. No Brasil, dados do DATASUS sugerem subnotificação, com casos frequentemente associados a uso inadequado de medicamentos.
Prognóstico
O prognóstico da agranulocitose varia conforme a etiologia, rapidez do diagnóstico e manejo. Em casos induzidos por fármacos, a suspensão imediata do agente causal e suporte antimicrobiano resultam em recuperação da neutropenia em 1-3 semanas, com mortalidade < 10% se tratada precocemente. Formas autoimunes ou congênitas podem ter curso crônico, requerendo terapia imunossupressora ou fator estimulante de colônias de granulócitos (G-CSF), com prognóstico reservado em infecções recorrentes. Complicações como sepse aumentam a mortalidade para até 30-50%. Fatores prognósticos negativos incluem CAN < 100 células/μL, idade avançada, comorbidades e atraso no início de antibióticos. O acompanhamento hematológico regular é essencial para prevenir recidivas.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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