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CID D66: Deficiência hereditária do fator VIII

D66
Deficiência hereditária do fator VIII

Mais informações sobre o tema:

Definição

A deficiência hereditária do fator VIII, também conhecida como hemofilia A, é uma doença hemorrágica hereditária ligada ao cromossomo X, caracterizada por uma deficiência quantitativa ou qualitativa do fator VIII da coagulação. Esta condição resulta em uma cascata de coagulação comprometida, levando a um fenótipo hemorrágico que varia de leve a grave, dependendo dos níveis plasmáticos de fator VIII. A hemofilia A é a forma mais comum de hemofilia, representando aproximadamente 80-85% dos casos, e manifesta-se predominantemente em indivíduos do sexo masculino, enquanto as mulheres são tipicamente portadoras assintomáticas ou com sintomas leves devido à inativação aleatória do cromossomo X. A incidência global é estimada em 1 em 5.000 nascimentos masculinos, com impacto significativo na morbidade devido a sangramentos espontâneos ou traumáticos, especialmente em articulações (hemartroses) e tecidos moles, podendo levar a artropatia crônica e incapacidade funcional se não tratada adequadamente. O diagnóstico é baseado na história clínica, achados laboratoriais (como tempo de tromboplastina parcial ativada prolongado e dosagem específica de fator VIII) e confirmação genética, sendo essencial para o manejo clínico e aconselhamento genético.

Descrição clínica

A hemofilia A é uma doença hemorrágica congênita com padrão de herança recessiva ligada ao cromossomo X, causada por mutações no gene F8 localizado no cromossomo Xq28. Clinicamente, caracteriza-se por sangramentos prolongados ou espontâneos, com gravidade correlacionada aos níveis de fator VIII: grave (<1% da atividade), moderada (1-5%) ou leve (5-40%). As manifestações incluem hemartroses recorrentes (principalmente joelhos, cotovelos e tornozelos), hematomas musculares, sangramento pós-cirúrgico ou traumático, e em casos graves, hemorragias intracranianas ou em órgãos vitais. A artropatia hemofílica é uma complicação comum devido a sangramentos articulares repetidos, levando a dor crônica, limitação de movimento e deformidades. O curso clínico é crônico, exigindo monitoramento e tratamento ao longo da vida.

Quadro clínico

O quadro clínico varia conforme a gravidade. Na forma grave: sangramentos espontâneos frequentes, hemartroses desde a infância (muitas vezes com primeiros episódios ao aprender a andar), hematomas musculares extensos, sangramento pós-cirúrgico ou dental significativo, e risco de hemorragia intracraniana. Na forma moderada: sangramentos após trauma menor ou cirurgia, com episódios espontâneos ocasionais. Na forma leve: sangramento apenas após trauma maior ou procedimentos invasivos. Sintomas comuns incluem dor articular, edema, limitação funcional, e em casos crônicos, contraturas e atrofia muscular. Sangramentos em locais como trato gastrointestinal ou trato urinário são menos frequentes.

Complicações possíveis

Artropatia hemofílica

Danos articulares crônicos devido a sangramentos repetidos, levando a dor, rigidez, deformidades e perda funcional.

Desenvolvimento de inibidores

Anticorpos neutralizantes contra o fator VIII, ocorrendo em 20-30% dos pacientes com hemofilia A grave, dificultando o tratamento.

Hemorragia intracraniana

Sangramento no cérebro, uma emergência com risco de vida, mais comum em formas graves.

Hematomas musculares compressivos

Acúmulo de sangue em músculos, podendo causar síndromes compartimentais ou dano nervoso.

Infecções transmitidas por hemoderivados

Risco histórico de hepatites B/C e HIV com produtos plasmáticos não inativados; reduzido com produtos recombinantes.

Epidemiologia

A hemofilia A tem incidência global de aproximadamente 1 em 5.000 nascimentos masculinos, sem predileção étnica. Cerca de 70% dos casos têm história familiar, e 30% são esporádicos por mutações de novo. A prevalência é estimada em 17-21 por 100.000 homens, com maior registro em países com sistemas de saúde desenvolvidos. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam milhares de casos registrados, com subnotificação em áreas remotas.

Prognóstico

O prognóstico depende da gravidade, acesso ao tratamento e desenvolvimento de complicações. Com terapia de reposição adequada e profilaxia, pacientes podem ter expectativa de vida próxima ao normal e qualidade de vida melhorada, embora a artropatia e inibidores possam limitar os resultados. A mortalidade é baixa em países com recursos, mas hemorragias intracranianas ainda são uma causa significativa de óbito. Monitoramento regular e manejo multidisciplinar são essenciais.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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