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CID D57: Transtornos falciformes

D570
Anemia falciforme com crise
D571
Anemia falciforme sem crise
D572
Transtornos falciformes heterozigóticos duplos
D573
Estigma falciforme
D578
Outros transtornos falciformes

Mais informações sobre o tema:

Definição

Os transtornos falciformes são um grupo de hemoglobinopatias hereditárias caracterizadas pela presença de hemoglobina S (HbS), resultante de uma mutação pontual no gene da beta-globina (substituição de ácido glutâmico por valina na posição 6). Esta mutação leva à polimerização da hemoglobina desoxigenada, causando deformação eritrocitária em forma de foice, hemólise crônica e eventos vaso-oclusivos. A condição é transmitida de forma autossômica recessiva, com manifestações clínicas variáveis dependendo do genótipo (ex.: homozigose para HbS - anemia falciforme, ou heterozigose composta com outras hemoglobinopatias como HbC ou beta-talassemia). Epidemiologicamente, é mais prevalente em populações de origem africana, mediterrânea e do Oriente Médio, com impacto significativo na morbimortalidade, incluindo crises dolorosas, síndrome torácica aguda e acidente vascular cerebral.

Descrição clínica

Os transtornos falciformes apresentam um espectro clínico que varia desde formas assintomáticas (como em portadores do traço falciforme) até doença grave com anemia hemolítica crônica, crises vaso-oclusivas recorrentes e danos orgânicos progressivos. As manifestações incluem anemia crônica com icterícia, esplenomegalia na infância (evoluindo para autoesplenectomia em adultos), crises dolorosas em ossos, articulações e abdome, infecções bacterianas recorrentes devido à hipofunção esplênica, e complicações agudas como síndrome torácica aguda, priapismo e acidente vascular cerebral. A evolução é marcada por episódios intermitentes de exacerbacao, com deterioração funcional ao longo do tempo.

Quadro clínico

O quadro clínico é heterogêneo, com crises agudas superpostas a um estado crônico. Sinais e sintomas incluem fadiga, palidez e icterícia devido à anemia hemolítica; dor óssea e articular intensa durante crises vaso-oclusivas; febre e sinais de infecção; dispneia e dor torácica na síndrome torácica aguda; priapismo; e déficits neurológicos em acidente vascular cerebral. Exames físicos podem revelar esplenomegalia em crianças, hepatomegalia, sopros cardíacos e úlceras de perna. A progressão pode levar a insuficiência orgânica, como renal ou cardíaca.

Complicações possíveis

Síndrome torácica aguda

Episódio de infiltrados pulmonares, febre e dor torácica, podendo evoluir para insuficiência respiratória.

Acidente vascular cerebral

Isquemia cerebral devido a oclusão vascular, mais comum em crianças.

Priapismo

Ereção prolongada e dolorosa, levando a disfunção erétil se não tratada.

Necrose avascular

Principalmente da cabeça femoral, causando dor e limitação funcional.

Insuficiência renal crônica

Devido a nefropatia falciforme, com proteinúria e perda de função renal.

Epidemiologia

A prevalência global é estimada em 300.000-400.000 nascimentos anuais, com alta endemicidade na África Subsaariana, Índia e Oriente Médio. No Brasil, a anemia falciforme afeta aproximadamente 1:1.000 nascidos vivos, com maior frequência em afrodescendentes. A triagem neonatal tem reduzido a mortalidade infantil. Fatores de risco incluem ancestralidade de regiões endêmicas e história familiar.

Prognóstico

O prognóstico varia com o genótipo e acesso a cuidados. Em anemia falciforme (HbSS), a expectativa de vida é reduzida (40-60 anos em países desenvolvidos), com morbidade significativa por complicações vaso-oclusivas e orgânicas. Fatores como níveis elevados de HbF, uso de hidroxiureia e acompanhamento regular melhoram a sobrevida. Complicações como AVC e síndrome torácica aguda são causas comuns de morte.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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