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CID D63: Anemia em doenças crônicas classificadas em outra parte
D630
Anemia em neoplasias
D638
Anemia em outras doenças classificadas em outra parte
Mais informações sobre o tema:
Definição
A anemia em doenças crônicas (ACD) é uma condição hematológica caracterizada por anemia normocítica normocrômica, resultante de processos inflamatórios, infecciosos ou neoplásicos crônicos. A fisiopatologia envolve disfunção na homeostase do ferro, com aumento da hepcidina, que inibe a absorção intestinal de ferro e sua liberação dos macrófagos, levando a uma restrição do ferro para a eritropoese. Além disso, há supressão da produção de eritropoietina e redução da sobrevida dos eritrócitos devido à atividade inflamatória. Epidemiologicamente, é uma das anemias mais comuns em pacientes hospitalizados, especialmente em idosos e portadores de doenças como artrite reumatoide, insuficiência renal crônica ou câncer, com impacto significativo na qualidade de vida e prognóstico das doenças de base.
Descrição clínica
A ACD manifesta-se tipicamente como anemia leve a moderada (hemoglobina geralmente entre 7-11 g/dL), com características normocíticas e normocrômicas no hemograma. Os sintomas são frequentemente mascarados pela doença de base, incluindo fadiga, palidez, dispneia aos esforços e taquicardia. A evolução é insidiosa e correlaciona-se com a atividade da doença crônica subjacente, podendo agravar-se em fases de exacerbação inflamatória.
Quadro clínico
O quadro clínico é dominado pelos sintomas da doença crônica de base, com a anemia apresentando-se de forma gradual. Sinais e sintomas incluem astenia, fraqueza muscular, palidez cutâneo-mucosa, taquicardia, dispneia de esforço e intolerância ao exercício. Em casos graves, pode haver exacerbação de comorbidades cardiovasculares. A anemia é tipicamente estável e proporcional à gravidade e duração da doença subjacente.
Complicações possíveis
Piora da qualidade de vida
Fadiga crônica e redução da capacidade funcional, impactando atividades diárias e adesão ao tratamento.
Exacerbação de comorbidades cardiovasculares
Anemia pode precipitar ou agravar insuficiência cardíaca, angina ou arritmias em pacientes susceptíveis.
Aumento da mortalidade
Em doenças como câncer ou insuficiência renal, a anemia está associada a pior prognóstico e maior risco de óbito.
Retardo na recuperação
Em contextos pós-operatórios ou infecciosos, a anemia pode prolongar o tempo de hospitalização e convalescença.
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A ACD é a segunda causa mais comum de anemia após a deficiência de ferro, afetando principalmente idosos e pacientes com doenças inflamatórias crônicas. Estima-se que ocorra em até 30-40% dos pacientes hospitalizados com condições como artrite reumatoide, doença renal crônica ou câncer. A prevalência aumenta com a idade e a duração da doença de base, sendo mais frequente em populações com acesso limitado a cuidados de saúde.
Prognóstico
O prognóstico da ACD está intimamente ligado ao controle da doença crônica subjacente. Com tratamento adequado da condição de base e manejo da anemia, a hemoglobina pode estabilizar ou melhorar gradualmente. No entanto, em doenças refratárias ou avançadas, a anemia pode persistir e contribuir para morbimortalidade. A resposta ao tratamento com agentes estimuladores da eritropoiese ou suplementação de ferro é variável e depende da resolução do estado inflamatório.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos incluem: presença de anemia (Hb <13 g/dL em homens ou 100 ng/mL (ou >30-50 ng/mL em insuficiência renal); saturação de transferrina <20%; e exclusão de outras causas de anemia, como deficiência de ferro ou hemólise. A dosagem de receptores solúveis de transferrina (sTfR) pode auxiliar, com índice sTfR/log ferritina <1 sugestivo de ACD.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Anemia ferropriva
Caracterizada por microcitose e hipocromia, com ferritina baixa e saturação de transferrina reduzida, diferindo da ACD onde a ferritina é normal ou elevada.
WHO. Iron deficiency anaemia: assessment, prevention and control. Geneva: World Health Organization; 2001.
Anemia de doença renal crônica
Associada a deficiência de eritropoietina, mas pode coexistir com ACD; diferenciação baseia-se em níveis de eritropoietina e parâmetros inflamatórios.
KDIGO Clinical Practice Guideline for Anemia in Chronic Kidney Disease. Kidney Int Suppl. 2012;2:279-335.
Anemia por deficiência de vitamina B12 ou folato
Apresenta macrocitose e alterações neurológicas ou gastrointestinais, com níveis séricos reduzidos dessas vitaminas.
Devalia V, et al. Guidelines for the diagnosis and treatment of cobalamin and folate disorders. Br J Haematol. 2014;166(4):496-513.
Anemias hemolíticas
Caracterizadas por aumento de LDH, bilirrubina indireta e reticulocitose, com teste de Coombs positivo em casos autoimunes.
Hill A, et al. Hemolytic anemia: evaluation and differential diagnosis. Am Fam Physician. 2018;98(6):354-361.
Síndrome mielodisplásica
Pode simular ACD, mas apresenta displasia na medula óssea e citopenias persistentes, com potencial para progressão para leucemia.
Greenberg PL, et al. Revised international prognostic scoring system for myelodysplastic syndromes. Blood. 2012;120(12):2454-65.
Exames recomendados
Hemograma completo
Avalia contagem de hemácias, hemoglobina, hematócrito, VCM, HCM, e índices de anisocitose (RDW).
Confirmar anemia e caracterizar como normocítica normocrômica, além de detectar outras citopenias.
Ferritina sérica
Proteína de armazenamento de ferro; níveis elevados (>100 ng/mL) suportam diagnóstico de ACD.
Diferenciar ACD de anemia ferropriva, onde a ferritina é baixa.
Saturação da transferrina
Calculada como ferro sérico / capacidade total de ligação do ferro x 100; valores <20% são típicos.
Avaliar disponibilidade de ferro para eritropoiese, baixa na ACD.
Proteína C reativa (PCR) ou VHS
Marcadores de inflamação; níveis elevados corroboram o estado inflamatório crônico.
Correlacionar anemia com atividade da doença de base.
Receptores solúveis de transferrina (sTfR)
Reflete a eritropoiese; índice sTfR/log ferritina ajuda a distinguir ACD de deficiência de ferro.
Auxiliar no diagnóstico diferencial, com índice <1 sugestivo de ACD.
Aprimore sua prática clínica
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Hemogramas periódicos em pacientes com doenças crônicas para detecção precoce de anemia.
Controle de fatores de risco
Gestão de comorbidades como hipertensão, diabetes e obesidade para reduzir a carga inflamatória sistêmica.
Educação do paciente
Orientar sobre sinais de anemia e a importância da adesão ao tratamento da doença de base.
Vigilância e notificação
A ACD não é uma doença de notificação compulsória no Brasil. A vigilância deve focar no monitoramento de pacientes com doenças crônicas, através de hemogramas seriados e avaliação de marcadores inflamatórios, para detecção precoce e intervenção. Em serviços de saúde, é recomendada a integração com programas de manejo de doenças crônicas para otimizar o cuidado.
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Sim, a ACD pode ser reversível com o controle eficaz da doença de base e redução da inflamação. No entanto, em condições crônicas refratárias, a anemia pode persistir e requerer manejo contínuo.
A anemia ferropriva resulta de depleção dos estoques de ferro, com microcitose, hipocromia e ferritina baixa, enquanto a ACD ocorre em contexto inflamatório, com ferritina normal ou elevada e restrição funcional do ferro.
A transfusão é indicada em anemia sintomática grave (Hb <7-8 g/dL), em pacientes instáveis hemodinamicamente ou com comorbidades significativas, mas deve ser usada com cautela devido a riscos como sobrecarga de ferro e reações transfusionais.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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