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CID D53: Outras anemias nutricionais
D530
Anemia por deficiência de proteínas
D531
Outras anemias megaloblásticas não classificadas em outras partes
D532
Anemia escorbútica
D538
Outras anemias nutricionais especificadas
D539
Anemia nutricional não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A categoria D53 da CID-10 abrange anemias nutricionais não especificadas como carenciais de ferro, vitamina B12 ou folato, resultando de deficiências de outros nutrientes essenciais para a eritropoiese. Essas anemias são caracterizadas por uma produção inadequada de hemácias devido à falta de micronutrientes como cobre, proteínas, vitamina A, vitamina E, riboflavina ou piridoxina, que atuam como cofatores enzimáticos ou na síntese de hemoglobina. O impacto clínico varia de formas assintomáticas a quadros moderados de anemia, com potencial para complicações sistêmicas se não tratadas. Epidemiologicamente, são mais prevalentes em populações com desnutrição proteico-calórica, idosos, crianças em desenvolvimento e indivíduos com doenças crônicas que afetam a absorção nutricional.
Descrição clínica
As anemias nutricionais da categoria D53 manifestam-se clinicamente com sinais e sintomas inespecíficos de anemia, como fadiga, palidez cutâneo-mucosa, dispneia aos esforços, taquicardia e fraqueza muscular. Dependendo do nutriente deficiente, podem ocorrer manifestações adicionais: na deficiência de cobre, observa-se neutropenia e anormalidades ósseas; na deficiência de proteínas, há edema e hipoalbuminemia; na deficiência de vitamina A, pode haver xeroftalmia; e na deficiência de piridoxina, neuropatia periférica. O quadro é frequentemente insidioso, com evolução crônica, e pode ser mascarado por condições subjacentes como desnutrição global ou doenças inflamatórias intestinais.
Quadro clínico
O quadro clínico é dominado por sintomas de anemia, como astenia, tonturas, palidez e intolerância ao exercício. Sinais específicos podem estar presentes: na deficiência de cobre, neutropenia aumenta o risco de infecções, e alterações ósseas como osteoporose; na deficiência proteica, edema periférico e perda de massa muscular; na deficiência de vitamina A, cegueira noturna e lesões cutâneas; e na deficiência de piridoxina, parestesias e depressão. Em crianças, pode haver atraso no desenvolvimento. A gravidade correlaciona-se com o grau e a duração da deficiência, podendo evoluir para insuficiência cardíaca em casos graves.
Complicações possíveis
Insuficiência cardíaca
Devido à sobrecarga cardiovascular pela anemia crônica, com taquicardia e alto débito cardíaco.
Infecções recorrentes
Associada à neutropenia em deficiências como a de cobre, comprometendo a imunidade.
Atraso no desenvolvimento infantil
Em crianças, a anemia prolongada pode afetar crescimento cognitivo e físico.
Exacerbação de comorbidades
Anemia agrava condições como doença pulmonar ou renal crônicas, aumentando a morbidade.
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As anemias nutricionais da categoria D53 são subnotificadas, mas estima-se que contribuam para 5-10% das anemias em regiões com alta prevalência de desnutrição, como partes da África, Ásia e América Latina. Grupos de risco incluem idosos (devido à redução da ingestão e absorção), crianças em países em desenvolvimento, gestantes, e indivíduos com doenças gastrointestinais crônicas. Globalmente, a deficiência de múltiplos micronutrientes é comum em contextos de insegurança alimentar, com sobreposição frequente com anemias por ferro.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente favorável com diagnóstico precoce e reposição adequada do nutriente deficiente, com resolução da anemia em semanas a meses. Casos não tratados podem evoluir com complicações cardiovasculares ou infecciosas, piorando a qualidade de vida. Fatores como idade avançada, comorbidades e adesão ao tratamento influenciam a recuperação. Em populações vulneráveis, a recorrência é comum se as causas subjacentes (ex.: desnutrição) não forem abordadas.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na combinação de achados clínicos, laboratoriais e exclusão de outras causas de anemia. Critérios incluem: 1) Evidência laboratorial de anemia (hemoglobina <13 g/dL em homens ou <12 g/dL em mulheres), com índices hematimétricos variáveis (VCM normal, baixo ou alto); 2) Confirmação de deficiência nutricional específica por dosagens séricas (ex.: cobre sérico <70 mcg/dL, proteínas totais <6 g/dL, vitamina A <20 mcg/dL); 3) Resposta à suplementação do nutriente deficiente; 4) Exclusão de anemias por deficiência de ferro, B12 ou folato, e de anemias hemolíticas ou aplásicas. A biópsia de medula óssea pode mostrar alterações como sideroblastos em anel na deficiência de piridoxina.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Anemia ferropriva (D50)
Anemia microcítica hipocrômica por deficiência de ferro, com ferritina baixa e saturação de transferrina reduzida, diferindo de D53 pela etiologia específica do ferro.
OMS. Iron deficiency anaemia: assessment, prevention and control. Geneva: World Health Organization, 2001.
Anemia por deficiência de vitamina B12 (D51)
Anemia macrocítica com megaloblastose medular, frequentemente associada a neuropatia, diferenciada por níveis séricos baixos de B12 e resposta à reposição.
UpToDate. Vitamin B12 deficiency: Causes, clinical manifestations, and diagnosis. 2023.
Anemia de doença crônica (D63.8)
Anemia normocítica ou microcítica em contextos inflamatórios, com ferritina normal ou elevada, sem deficiência nutricional primária.
Weiss G, Goodnough LT. Anemia of chronic disease. N Engl J Med. 2005;352(10):1011-23.
Anemia sideroblástica (D64.0-D64.3)
Anemia com sideroblastos em anel na medula, que pode ser hereditária ou adquirida (ex.: por deficiência de piridoxina), exigindo distinção etiológica.
PubMed. Sideroblastic anemias: diagnosis and management. Hematol Oncol Clin North Am. 2014;28(4):653-70.
Desnutrição proteico-calórica (E40-E46)
Condição subjacente que pode causar anemia nutricional, mas com manifestações sistêmicas mais amplas como caquexia, diferenciada pelo enfoque na deficiência específica em D53.
ANVISA. Guia alimentar para a população brasileira. 2014.
Exames recomendados
Hemograma completo
Avalia presença e características da anemia (hemoglobina, VCM, HCM), reticulócitos para estimar atividade eritropoética.
Confirmar anemia e orientar investigação baseada nos índices hematimétricos.
Dosagem de nutrientes séricos
Inclui cobre, ceruloplasmina, proteínas totais e frações, vitaminas A, E, riboflavina, piridoxina, conforme suspeita clínica.
Identificar deficiências nutricionais específicas responsáveis pela anemia.
Ferro sérico, ferritina e capacidade total de ligação do ferro
Avalia estoques de ferro e saturação de transferrina para excluir anemia ferropriva.
Diferenciação de outras anemias nutricionais e confirmação de perfil ferro.
Biópsia de medula óssea
Exame morfológico para detectar eritropoiese ineficaz, sideroblastos em anel ou alterações megaloblásticas.
Avaliar etiologia em casos refratários ou com suspeita de distúrbios medulares.
Testes de função hepática e renal
Dosagem de albumina, transaminases, ureia e creatinina para avaliar estado nutricional e comorbidades.
Identificar causas secundárias de má-absorção ou aumento de perdas.
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Programas comunitários para promover dietas diversificadas e adequadas em micronutrientes.
Suplementação em grupos de risco
Fornecimento de multivitamínicos ou nutrientes específicos para gestantes, crianças e idosos.
Rastreamento em populações vulneráveis
Triagem regular para anemia e deficiências nutricionais em serviços de saúde primária.
Vigilância e notificação
No Brasil, anemias nutricionais não são de notificação compulsória universal, mas devem ser monitoradas em programas de saúde pública como o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN). Profissionais de saúde devem investigar causas em grupos de risco e notificar surtos relacionados a desnutrição em sistemas locais. A OMS recomenda vigilância em populações endêmicas para orientar intervenções nutricionais.
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Deficiências de cobre, proteínas, vitamina A, vitamina E, riboflavina e piridoxina são frequentes, cada uma afetando a eritropoiese de forma distinta.
A anemia ferropriva (D50) tem ferritina baixa e responde ao ferro, enquanto D53 envolve outros nutrientes, exigindo dosagens específicas e exclusão de deficiência de ferro.
Sim, com reposição adequada do nutriente, a anemia geralmente se resolve, mas a adesão e correção de causas subjacentes são cruciais para evitar recidivas.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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