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CID D50: Anemia por deficiência de ferro
D500
Anemia por deficiência de ferro secundária à perda de sangue (crônica)
D501
Disfagia sideropênica
D508
Outras anemias por deficiência de ferro
D509
Anemia por deficiência de ferro não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A anemia por deficiência de ferro é uma condição hematológica caracterizada pela redução da concentração de hemoglobina no sangue devido à insuficiência de ferro, um micronutriente essencial para a síntese de hemoglobina e a eritropoiese. Esta deficiência resulta em uma produção inadequada de hemácias, levando a microcitose e hipocromia, que são achados laboratoriais típicos. A anemia por deficiência de ferro é a forma mais comum de anemia em todo o mundo, com maior prevalência em crianças, gestantes e mulheres em idade fértil, devido a fatores como aumento das demandas fisiológicas, perdas sanguíneas crônicas ou ingestão dietética inadequada. O impacto clínico inclui fadiga, redução da capacidade de trabalho e, em casos graves, comprometimento do desenvolvimento cognitivo e físico, especialmente em populações vulneráveis.
Descrição clínica
A anemia por deficiência de ferro manifesta-se clinicamente com sintomas inespecíficos de anemia, como fadiga, palidez cutâneo-mucosa, dispneia aos esforços, taquicardia e cefaleia. Em casos crônicos, podem ocorrer alterações epiteliais, como queilite angular, glossite atrófica e coiloníquia (unhas em forma de colher). Em crianças, pode haver atraso no desenvolvimento psicomotor e prejuízo do crescimento. A gravidade dos sintomas está correlacionada com o grau de anemia e a duração da deficiência de ferro.
Quadro clínico
O quadro clínico inclui sintomas gerais de anemia, como astenia, adinamia, tonturas e intolerância ao exercício. Sinais específicos podem incluir palidez da pele e mucosas, sopro sistólico funcional, e, em deficiências prolongadas, pica (desejo de ingerir substâncias não alimentares, como gelo ou terra). Em crianças, observa-se irritabilidade e baixo desempenho escolar. A apresentação pode variar de assintomática em casos leves a grave com insuficiência cardíaca em situações avançadas.
Complicações possíveis
Insuficiência cardíaca
Pode ocorrer em anemias graves devido ao aumento do débito cardíaco e sobrecarga volume.
Atraso no desenvolvimento
Em crianças, a deficiência crônica de ferro está associada a déficits cognitivos e de crescimento.
Exacerbação de comorbidades
Anemia pode piorar condições cardiopulmonares preexistentes.
Complicações na gestação
Aumento do risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e mortalidade perinatal.
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A anemia por deficiência de ferro afeta aproximadamente 1,6 bilhão de pessoas globalmente, com maior prevalência em regiões em desenvolvimento. No Brasil, estima-se que 20-30% das crianças e 10-20% das mulheres em idade fértil sejam afetadas. Fatores de risco incluem pobreza, baixa ingestão de ferro biodisponível e parasitoses intestinais.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente excelente com diagnóstico precoce e reposição adequada de ferro, com normalização da hemoglobina em 4-8 semanas. Em casos de causa subjacente não tratada (ex.: neoplasia gastrointestinal), o prognóstico depende da condição de base. Deficiências prolongadas em crianças podem levar a sequelas cognitivas irreversíveis.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos baseiam-se em achados laboratoriais: hemoglobina reduzida (definida pela OMS como <13 g/dL em homens, <12 g/dL em mulheres não grávidas, <11 g/dL em gestantes), VCM (volume corpuscular médio) <80 fL, ferritina sérica <30 ng/mL (indicando depleção de estoques), saturação da transferrina <16%, e aumento dos níveis de receptor de transferrina solúvel. A confirmação pode incluir resposta à terapia com ferro, com reticulocitose em 5-7 dias e normalização da hemoglobina em semanas.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Anemia de doença crônica
Caracterizada por anemia normocítica ou microcítica leve, com ferritina normal ou elevada e saturação de transferrina baixa, associada a condições inflamatórias crônicas.
WHO. Nutritional anaemias: tools for effective prevention and control. Geneva: World Health Organization; 2017.
Talasemia minor
Apresenta microcitose e hipocromia, mas com ferritina normal ou elevada e eletroforese de hemoglobina alterada, sem resposta à suplementação de ferro.
UpToDate. Diagnosis of thalassemia. 2023.
Anemia sideroblástica
Caracterizada por anemia microcítica ou normocítica com saturação de transferrina elevada e presença de sideroblastos em anel na medula óssea.
Hoffman R, et al. Hematology: Basic Principles and Practice. 7th ed. Elsevier; 2018.
Deficiência de vitamina B12 ou folato
Causa anemia macrocítica, com VCM aumentado, e pode coexistir com deficiência de ferro em alguns casos, necessitando de dosagem de vitaminas para diferenciação.
Micromedex. Drug Information. 2023.
Anemia por perda sanguínea aguda
Geralmente normocítica inicialmente, com história de sangramento recente e sem depleção crônica de estoques de ferro.
Guidelines for the management of iron deficiency anemia. British Society of Gastroenterology. 2021.
Exames recomendados
Hemograma completo
Avalia hemoglobina, VCM, HCM (hemoglobina corpuscular média) e RDW (amplitude de distribuição eritrocitária), mostrando microcitose, hipocromia e anisocitose.
Confirmar anemia e caracterizar o perfil eritrocitário como microcítico e hipocrômico.
Ferritina sérica
Reflete os estoques corporais de ferro; valores baixos (<30 ng/mL) indicam depleção.
Avaliar reservas de ferro e confirmar deficiência.
Ferro sérico e capacidade total de ligação do ferro (CTLF)
Ferro sérico baixo e CTLF elevada, com saturação da transferrina <16%.
Diferenciar de outras anemias microcíticas e avaliar o metabolismo do ferro.
Esfregaço de sangue periférico
Mostra hemácias microcíticas, hipocrômicas, com anisocitose e poiquilocitose.
Corroborar achados morfológicos sugestivos de deficiência de ferro.
Endoscopia digestiva alta e baixa
Indicada em casos de anemia por deficiência de ferro sem causa óbvia, para investigar fontes de sangramento gastrointestinal.
Identificar e tratar causas subjacentes de perda sanguínea crônica.
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Recomendada para gestantes, lactentes e crianças em áreas de alta prevalência, conforme diretrizes do Ministério da Saúde.
Fortificação de alimentos
Adição de ferro a farinhas e outros alimentos básicos para aumentar a ingestão populacional.
Educação em saúde
Promoção de hábitos alimentares saudáveis e reconhecimento precoce de sinais de anemia.
Vigilância e notificação
No Brasil, a anemia por deficiência de ferro não é de notificação compulsória, mas é monitorada em programas de saúde pública, como o Programa Nacional de Suplementação de Ferro. A vigilância é focada em grupos de risco através de inquéritos nutricionais e ações de suplementação.
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A dose padrão é 60 mg de ferro elementar uma a duas vezes ao dia, preferencialmente em jejum para melhor absorção, por 3-6 meses até normalização dos estoques.
Na anemia por deficiência de ferro, a ferritina está baixa (<30 ng/mL) e a saturação da transferrina é <16%, enquanto na anemia de doença crônica, a ferritina é normal ou elevada e a saturação pode ser baixa, mas com marcadores inflamatórios elevados.
Sim, com reposição adequada de ferro e tratamento da causa subjacente, a anemia é completamente reversível, com normalização da hemoglobina em semanas a meses.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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