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CID D27: Neoplasia benigna do ovário
D27
Neoplasia benigna do ovário
Mais informações sobre o tema:
Definição
A neoplasia benigna do ovário refere-se a um crescimento celular anormal, não invasivo e sem potencial metastático, originado no tecido ovariano. Essas lesões são caracterizadas por proliferação lenta, bem delimitada, e geralmente não infiltram estruturas adjacentes, diferindo das neoplasias malignas pela ausência de invasão local ou disseminação à distância. A fisiopatologia envolve alterações genéticas e moleculares que promovem proliferação celular desregulada, mas sem as mutações que conferem capacidade invasiva, sendo comum em mulheres em idade reprodutiva. Epidemiologicamente, representam a maioria dos tumores ovarianos diagnosticados, com impacto clínico variável dependendo do tamanho, tipo histológico e sintomas associados, podendo causar dor pélvica, distensão abdominal ou complicações como torção anexial.
Descrição clínica
As neoplasias benignas do ovário são geralmente assintomáticas em estágios iniciais, podendo ser detectadas incidentalmente em exames de imagem. Com o crescimento, podem manifestar-se com dor pélvica crônica ou aguda, sensação de peso abdominal, alterações menstruais, ou sintomas compressivos sobre bexiga e intestino. A palpação de massa anexial ao exame físico é um achado comum, e a ultrassonografia transvaginal é o método de imagem preferencial para caracterização. A histologia varia amplamente, incluindo cistos simples, cistoadenomas serosos ou mucinosos, teratomas maduros e tumores do estroma, cada um com características distintas que influenciam o manejo.
Quadro clínico
O quadro clínico é variável, com muitos casos assintomáticos. Sintomas comuns incluem dor pélvica intermitente ou constante, distensão abdominal, irregularidades menstruais, dispareunia e urgência urinária ou constipação por efeito de massa. Em casos de torção anexial, há dor abdominal aguda, náuseas e vômitos. A palpação de massa anexial, móvel e não aderente, é sugestiva, e a ultrassonografia pode mostrar lesões císticas, sólidas ou mistas, com características benignas como paredes finas e sem vascularização aumentada ao Doppler.
Complicações possíveis
Torção anexial
Rotação do ovário e trompa sobre seu eixo vascular, causando isquemia, dor abdominal aguda e risco de necrose.
Ruptura cística
Extravasamento de conteúdo cístico para cavidade peritoneal, podendo levar a peritonite química ou hemorragia.
Hemorragia intratumoral
Sangramento dentro do tumor, resultando em aumento agudo de volume e dor.
Compressão de estruturas adjacentes
Efeito de massa sobre ureteres, bexiga ou intestino, causando obstrução urinária ou constipação.
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Neoplasias benignas do ovário são comuns, representando cerca de 70-80% de todos os tumores ovarianos. A incidência é maior em mulheres em idade reprodutiva (20-50 anos), com pico na quarta década. Teratomas benignos (cistos dermoides) são frequentes em mulheres jovens, enquanto cistoadenomas predominam em idades mais avançadas. Fatores de risco incluem nuliparidade, infertilidade e história familiar, mas a maioria dos casos é esporádica. A prevalência varia globalmente, com taxas mais altas em regiões com melhor acesso a diagnósticos por imagem.
Prognóstico
O prognóstico das neoplasias benignas do ovário é geralmente excelente, com baixo risco de recorrência após excisão cirúrgica completa. A maioria não progride para malignidade, exceto em raros casos de transformação em tumores borderline ou malignos. Complicações agudas, como torção, podem exigir intervenção urgente, mas a resolução é favorável com tratamento adequado. O seguimento pós-operatório é desnecessário para lesões confirmadas benignas, a menos que haja sintomas residuais.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na combinação de achados clínicos, exames de imagem e histopatologia. Critérios incluem: presença de massa anexial ao exame físico ou ultrassonografia, com características benignas (ex.: cisto unilocular, paredes finas, sem septos espessos ou vegetações); ausência de sinais de malignidade como ascite ou metástases; e confirmação histológica pós-cirúrgica para lesões suspeitas ou sintomáticas. A ressonância magnética pode auxiliar na caracterização de tumores complexos, e marcadores tumorais como CA-125 são geralmente normais ou levemente elevados, não sendo específicos.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Neoplasia maligna do ovário
Tumores invasivos com potencial metastático, frequentemente apresentando massas sólidas ou císticas com septos espessos, vegetações e ascite.
WHO Classification of Tumours: Female Genital Tumours, 5th ed.
Cisto ovariano funcional
Cistos relacionados ao ciclo menstrual, como foliculares ou de corpo lúteo, que geralmente regridem espontaneamente em 2-3 ciclos.
ACOG Practice Bulletin No. 174: Evaluation and Management of Adnexal Masses
Endometriose ovariana
Presença de tecido endometrial no ovário, formando cistos de conteúdo hemorrágico (endometriomas), associados a dor pélvica cíclica e infertilidade.
ESHRE Guideline: Management of Women with Endometriosis
Tumor de borderline do ovário
Neoplasias epiteliais com atipia celular sem invasão estromal, apresentando características intermediárias entre benignas e malignas.
FIGO staging for ovarian, fallopian tube and peritoneal cancer
Massa anexial não ovariana
Lesões como miomas uterinos pediculados, hidrossalpinge ou tumores de trompa, que podem simular neoplasia ovariana ao exame.
RCOG Green-top Guideline No. 62: Management of Suspected Ovarian Masses in Premenopausal Women
Exames recomendados
Ultrassonografia transvaginal
Exame de imagem inicial para avaliação de massa anexial, caracterizando tamanho, ecogenicidade, septos e vascularização.
Diferenciar lesões benignas de malignas com base em critérios morfológicos.
Dosagem de CA-125
Marcador tumoral sérico, frequentemente normal ou levemente elevado em neoplasias benignas, mas inespecífico.
Auxiliar na avaliação de risco de malignidade, especialmente em mulheres pós-menopáusicas.
Ressonância magnética pélvica
Modalidade de imagem para caracterização detalhada de massas complexas ou indeterminadas na ultrassonografia.
Identificar componentes sólidos, gordurosos ou hemorrágicos sugestivos de teratomas ou endometriomas.
Laparoscopia diagnóstica
Procedimento cirúrgico minimamente invasivo para visualização direta e biópsia de massas ovarianas.
Confirmação histológica e tratamento de lesões sintomáticas ou suspeitas.
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Em mulheres com fatores de risco, como síndromes hereditárias, para detecção precoce de massas ovarianas.
Contracepção hormonal
Uso de anticoncepcionais orais pode reduzir o risco de desenvolvimento de alguns cistos funcionais e neoplasias epiteliais.
Aconselhamento genético
Para indivíduos com história familiar de câncer ovariano, visando identificar síndromes e orientar medidas preventivas.
Vigilância e notificação
Não há sistema de vigilância ou notificação compulsória específica para neoplasias benignas do ovário, pois não representam problema de saúde pública como as malignas. O monitoramento é individual, baseado no acompanhamento clínico e de imagem para massas não operadas. Em casos de suspeita de síndromes hereditárias (ex.: síndrome de Lynch), recomenda-se rastreamento familiar. Notificação de complicações, como torção, pode ocorrer em sistemas de emergência, mas não é padronizada.
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Geralmente não, pois as neoplasias benignas têm baixo potencial de transformação maligna. No entanto, alguns tumores, como cistoadenomas, podem raramente evoluir para variantes borderline ou malignas, exigindo acompanhamento em casos selecionados.
O manejo usual é o acompanhamento expectante com ultrassonografia seriada, pois muitos cistos regridem espontaneamente. Cirurgia é reservada para massas sintomáticas, de grande tamanho ou com características atípicas.
Sim, cistos funcionais são relacionados ao ciclo menstrual e tendem a resolver em ciclos subsequentes, enquanto neoplasias benignas são crescimentos neoplásicos verdadeiros que persistem e podem requerer excisão cirúrgica.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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