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CID C81: Doença de Hodgkin

C810
Doença de Hodgkin, predominância linfocítica
C811
Doença de Hodgkin, esclerose nodular
C812
Doença de Hodgkin, celularidade mista
C813
Doença de Hodgkin, depleção linfocítica
C817
Outra forma da doença de Hodgkin
C819
Doença de Hodgkin, não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A Doença de Hodgkin (DH) é um linfoma maligno caracterizado pela presença de células de Reed-Sternberg (CRS) no contexto de um infiltrado inflamatório reacional. Essas células, derivadas de linfócitos B, exibem marcadores como CD15 e CD30, sendo fundamentais para o diagnóstico. A DH representa aproximadamente 10% de todos os linfomas e é mais comum em adultos jovens (15-35 anos) e idosos (>55 anos), com incidência ligeiramente maior em homens. A doença tipicamente se origina em linfonodos, com padrão de disseminação contígua, e é classificada em subtipos histológicos (esclerose nodular, celularidade mista, rica em linfócitos e depleção linfocitária), que influenciam o prognóstico e a abordagem terapêutica. A etiologia não é totalmente elucidada, mas associações com infecção por vírus Epstein-Barr (EBV) e fatores genéticos são bem estabelecidas.

Descrição clínica

A Doença de Hodgkin manifesta-se classicamente com linfadenopatia indolor, frequentemente cervical ou supraclavicular, de crescimento progressivo. Sintomas constitucionais (febre, sudorese noturna, perda ponderal >10% em 6 meses - conhecidos como sintomas B) estão presentes em cerca de 40% dos casos. Prurido, dor linfonodal após ingestão alcoólica e fadiga são queixas comuns. A disseminação ocorre de forma ordenada através de cadeias linfáticas adjacentes, podendo envolver baço, fígado, medula óssea e pulmões em estágios avançados. O curso clínico é variável, mas a doença é geralmente sensível à quimioterapia e radioterapia, com altas taxas de cura em estágios iniciais.

Quadro clínico

O quadro clínico inclui linfadenopatia indolor e progressiva (70-80% dos casos, mais comum em regiões cervicais), sintomas B (febre de Pel-Ebstein, sudorese noturna profusa, perda de peso inexplicada) em 40%, prurido generalizado, fadiga e, raramente, dor linfonodal induzida por álcool. Em estágios avançados, podem ocorrer hepatomegalia, esplenomegalia, envolvimento medular com citopenias, e compressão de estruturas (ex.: síndrome da veia cava superior). A apresentação pode ser insidiosa, com diagnóstico frequentemente retardado devido à semelhança com infecções.

Complicações possíveis

Supressão medular

Resultante da infiltração tumoral ou toxicidade da quimioterapia, levando a anemia, neutropenia e trombocitopenia.

Compressão de estruturas vitais

Massas mediastinais podem comprimir vias aéreas, veia cava superior ou medula espinhal, causando dispneia, edema facial ou déficits neurológicos.

Síndromes paraneoplásicas

Incluem prurido intenso, síndrome nefrótica ou alterações neurológicas, mediadas por citocinas.

Secundários ao tratamento

Cardiotoxicidade, pneumonite, infertilidade e neoplasias secundárias (ex.: leucemia mieloide aguda) devido à radioterapia e quimioterapia.

Epidemiologia

A Doença de Hodgkin tem incidência anual de aproximadamente 2-3 casos por 100.000 habitantes, com distribuição bimodal (pico em adultos jovens de 15-35 anos e outro em idosos >55 anos). É ligeiramente mais comum em homens (razão 1,4:1) e em populações caucasianas. Fatores de risco incluem história familiar, infecção por EBV, imunossupressão (ex.: HIV) e alto nível socioeconômico. No Brasil, dados do INCA estimam cerca de 2.500 novos casos anuais, com variações regionais.

Prognóstico

O prognóstico da Doença de Hodgkin é geralmente favorável, com taxas de sobrevida global em 5 anos superiores a 80-90% em estágios iniciais e 60-70% em avançados. Fatores prognósticos incluem estádio (Ann Arbor), presença de sintomas B, volume tumoral, idade >45 anos, sexo masculino, níveis séricos de albumina e hemoglobina. O International Prognostic Score (IPS) é utilizado para estratificação de risco em estágios avançados. Recidivas ocorrem em 10-15% dos casos, mas opções de resgate (ex.: quimioterapia de segunda linha, transplante de células-tronco) podem alcançar cura.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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