Redação Sanar
CID C74: Neoplasia maligna da glândula supra-renal [Glândula adrenal]
C740
Neoplasia maligna do córtex da supra-renal
C741
Neoplasia maligna da medula da supra-renal
C749
Neoplasia maligna da glândula supra-renal, não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A neoplasia maligna da glândula suprarrenal refere-se a tumores cancerígenos originários do córtex ou da medula suprarrenal, sendo classificados como carcinomas adrenocorticais (CAC) ou feocromocitomas malignos, respectivamente. Essas neoplasias são raras, representando aproximadamente 0,2% de todos os cânceres, com incidência anual estimada em 0,5-2 casos por milhão de habitantes. Os CAC são mais comuns em adultos, com pico de incidência entre 40-50 anos, enquanto os feocromocitomas malignos podem ocorrer em qualquer idade, frequentemente associados a síndromes hereditárias como a neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN2). A fisiopatologia envolve mutações somáticas ou germinativas em genes como TP53 (associado à síndrome de Li-Fraumeni), CTNNB1 (via Wnt/β-catenina) para CAC, ou RET, VHL, NF1 para feocromocitomas. O impacto clínico varia desde massas assintomáticas até síndromes de hiperfunção hormonal, como síndrome de Cushing, hiperaldosteronismo ou excesso de catecolaminas, podendo levar a morbidades cardiovasculares e metabólicas significativas. O diagnóstico precoce é desafiador devido à raridade e apresentação inespecífica, resultando em estágios avançados ao diagnóstico em até 70% dos casos, com prognóstico geralmente reservado, especialmente para CAC com alto índice proliferativo.
Descrição clínica
As neoplasias malignas da glândula suprarrenal podem ser funcionantes ou não funcionantes. As funcionantes manifestam-se por síndromes de excesso hormonal: carcinomas adrenocorticais frequentemente causam síndrome de Cushing (obesidade central, face lunar, estrias purpúreas, hipertensão, diabetes), virilização (hirsutismo, acne, clitoromegalia) ou, raramente, hiperaldosteronismo (hipertensão, hipocalemia). Feocromocitomas malignos apresentam crises de catecolaminas (hipertensão paroxística, cefaleia, sudorese, palpitações). Massas não funcionantes podem causar dor abdominal, plenitude gástrica ou serem detectadas incidentalmente em exames de imagem. Sinais de doença avançada incluem perda de peso, fadiga e metástases (pulmão, fígado, ossos).
Quadro clínico
O quadro clínico é variável: massas assintomáticas (incidentalomas) são comuns; sintomas de hipercortisolismo (fraqueza muscular, alterações de humor, osteoporose); virilização em mulheres; hipertensão e hipocalemia no hiperaldosteronismo; e crises adrenérgicas (cefaleia, sudorese, taquicardia) em feocromocitomas. Sinais de massa incluem dor em flanco ou abdominal, e em estágios avançados, caquexia, icterícia ou sintomas de metástases.
Complicações possíveis
Crise adrenal
Insuficiência adrenal aguda devido à destruição tumoral ou pós-cirurgia, com hipotensão, choque e desequilíbrio eletrolítico.
Crise hipertensiva
Episódios de hipertensão grave em feocromocitomas, podendo levar a acidente vascular cerebral ou edema agudo de pulmão.
Metástases
Disseminação para fígado, pulmões, ossos ou cérebro, causando dor, disfunção orgânica e piora do prognóstico.
Síndrome paraneoplásica
Manifestações sistêmicas como caquexia, trombose ou alterações endócrinas devido a citocinas ou hormônios tumorais.
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Epidemiologia
Neoplasias malignas da suprarrenal são raras, com incidência anual de 0,5-2 casos por milhão para carcinomas adrenocorticais; feocromocitomas representam 10% desses tumores, com 10-20% sendo malignos. CAC têm distribuição bimodal (pico em crianças <5 anos e adultos 40-50 anos), sem predileção por sexo; feocromocitomas são igualmente prevalentes em homens e mulheres. Fatores de risco incluem síndromes hereditárias (Li-Fraumeni, MEN2), exposição a radiação e, possivelmente, obesidade. No Brasil, dados do INCA mostram baixa frequência, com subnotificação comum.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente reservado, especialmente para carcinomas adrenocorticais, com sobrevida em 5 anos variando de 20-60% dependendo do estadiamento (sistema ENSAT). Fatores prognósticos incluem tamanho tumoral >10 cm, alto índice mitótico, invasão vascular e ressecção incompleta. Feocromocitomas malignos têm sobrevida mediana de 5 anos em torno de 50%, com pior prognóstico em metástases múltiplas. Diagnóstico precoce e tratamento cirúrgico radical melhoram os desfechos.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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