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CID C58: Neoplasia maligna da placenta
C58
Neoplasia maligna da placenta
Mais informações sobre o tema:
Definição
A neoplasia maligna da placenta, classificada sob o CID-10 C58, refere-se a tumores malignos originários do tecido placentário, sendo o coriocarcinoma gestacional a forma mais comum. Esta condição é caracterizada pela proliferação anormal de trofoblastos, células especializadas da placenta, resultando em um tumor altamente invasivo e metastático. O coriocarcinoma é uma neoplasia trofoblástica gestacional maligna, frequentemente associada a gestações molares, abortos ou partos a termo, com potencial para disseminação hematogênica rápida para pulmões, fígado e cérebro. Epidemiologicamente, é rara, com incidência variável globalmente, mas representa uma causa significativa de morbimortalidade materna em regiões com acesso limitado a cuidados pré-natais. O impacto clínico é grave, exigindo diagnóstico precoce e tratamento agressivo para melhorar o prognóstico.
Descrição clínica
A neoplasia maligna da placenta manifesta-se tipicamente após uma gestação, com sangramento vaginal persistente, aumento do útero desproporcional ao esperado, e níveis elevados de beta-hCG no soro. Pode haver sinais de metástases, como tosse, dispneia (pulmonar), dor abdominal (hepática) ou sintomas neurológicos (cerebrais). A apresentação clínica varia desde formas localizadas até doença disseminada, com rápida progressão se não tratada.
Quadro clínico
O quadro clínico inclui sangramento vaginal anormal pós-gestacional, dor pélvica, massa pélvica palpável, e sintomas sistêmicos como fadiga e perda de peso. Em casos metastáticos, podem ocorrer hemoptise, dor torácica (metástases pulmonares), icterícia (hepáticas), ou déficits neurológicos (cerebrais). A ausência de involução uterina normal no pós-parto é um achado sugestivo.
Complicações possíveis
Metástases
Disseminação hematogênica para pulmões, fígado, cérebro e outros órgãos, podendo levar a insuficiência orgânica e óbito.
Hemorragia uterina
Sangramento vaginal profuso devido à invasão tumoral, requerendo intervenções urgentes como embolização ou histerectomia.
Ruptura uterina
Complicação rara em que o tumor invade e perfura a parede uterina, causando peritonite e choque hemorrágico.
Síndrome de hipertireoidismo
Devido à produção de beta-hCG com atividade tireotrópica, leading to sintomas como taquicardia, sudorese e perda de peso.
Insuficiência respiratória
Em metástases pulmonares maciças, resultando em hipóxia e necessidade de suporte ventilatório.
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A neoplasia maligna da placenta é rara, com incidência estimada em 1-2 casos por 100.000 gestações em países desenvolvidos, mas mais alta em regiões com menor acesso a saúde, como partes da Ásia e América Latina. É mais comum em mulheres com idade acima de 40 anos e naquelas com história de mola hidatiforme. A mortalidade tem diminuído com avanços no diagnóstico e tratamento.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom para doença não metastática ou de baixo risco, com taxas de cura superiores a 90% com quimioterapia. Em doença metastática de alto risco, a sobrevida diminui, mas ainda pode atingir 80-90% com regimes intensivos. Fatores prognósticos incluem escore FIGO, nível de beta-hCG, tempo desde a gestação antecedente, e presença de metástases. O monitoramento rigoroso do beta-hCG é crucial para detectar recidivas.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos baseiam-se em história clínica sugestiva, níveis séricos persistentemente elevados de beta-hCG, e confirmação histopatológica por biópsia ou curetagem, mostrando proliferação trofoblástica maligna com atipia e invasão. Imagem, como ultrassonografia pélvica e tomografia computadorizada, auxilia na avaliação de extensão local e metástases.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Mola hidatiforme
Neoplasia trofoblástica gestacional benigna, com vesículas placentárias e beta-hCG elevado, mas sem invasão maligna.
WHO Classification of Tumours: Female Genital Tumours, 5th Edition
Aborto incompleto
Retenção de produtos conceptuais, com sangramento e beta-hCG diminuindo, sem características malignas ao exame histológico.
UpToDate: Evaluation and management of postpartum hemorrhage
Placentite infecciosa
Inflamação placentária por infecções como listeriose, com sintomas agudos e sem proliferação trofoblástica maligna.
Robbins and Cotran Pathologic Basis of Disease, 10th Edition
Tumor de ovário
Neoplasias ovarianas podem simular massa pélvica, mas beta-hCG geralmente normal e histologia distinta.
FIGO staging for gynecological cancers
Endometriose
Condição benigna com sangramento e dor, sem elevação de beta-hCG ou características malignas.
ACOG Practice Bulletin No. 114: Management of Endometriosis
Exames recomendados
Dosagem de beta-hCG sérico
Quantificação dos níveis de gonadotrofina coriônica humana para diagnóstico, monitoramento de resposta ao tratamento e detecção de recidiva.
Marcador tumoral específico para neoplasias trofoblásticas gestacionais.
Ultrassonografia pélvica
Avaliação do útero para massa, espessamento endometrial, e características sugestivas de invasão ou mola.
Detecção de anormalidades uterinas e orientação para biópsia.
Tomografia computadorizada de tórax, abdome e pelve
Imagem de corpo inteiro para estadiamento, identificando metástases em pulmões, fígado e outros órgãos.
Avaliação de extensão da doença e planejamento terapêutico.
Ressonância magnética pélvica
Fornece detalhes da invasão miometrial e envolvimento de estruturas adjacentes, útil em casos de doença localmente avançada.
Precisão na avaliação de invasão local e planejamento cirúrgico.
Biópsia endometrial ou curetagem
Obtenção de tecido para análise histopatológica, confirmando a presença de trofoblastos malignos e excluindo outras patologias.
Confirmação diagnóstica e diferenciação de lesões benignas.
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Ultrassonografia precoce em gestações para detecção de molas hidatiformes, que são fatores de risco.
Acompanhamento pós-gestacional
Monitoramento de beta-hCG após abortos ou partos, especialmente em casos de mola prévia, para detecção precoce de transformação maligna.
Educação em saúde
Orientar mulheres sobre sinais de alerta, como sangramento pós-gestacional persistente, para busca rápida de atendimento.
Contracepção adequada
Uso de métodos contraceptivos após tratamento para evitar gestações durante o período de monitoramento de recidiva.
Vigilância e notificação
Em muitos países, incluindo o Brasil, casos de neoplasias trofoblásticas gestacionais devem ser notificados aos sistemas de vigilância de câncer, como o Registro de Câncer. O monitoramento pós-tratamento com dosagens seriadas de beta-hCG é essencial por até 12 meses para detectar recidivas. Programas de rastreamento em gestações de risco podem ajudar na detecção precoce.
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A taxa de sobrevida em 5 anos é superior a 90% para doença não metastática e cerca de 80-90% para doença metastática de alto risco com tratamento adequado, dependendo do estadiamento e resposta à quimioterapia.
Sim, recidivas podem ocorrer, especialmente nos primeiros 12 meses, exigindo monitoramento rigoroso com dosagens seriadas de beta-hCG. A taxa de recidiva é baixa em casos tratados precocemente.
Sim, muitas mulheres podem ter gestações normais após o tratamento, especialmente se a fertilidade foi preservada. Recomenda-se aguardar pelo menos 12 meses após a normalização do beta-hCG para tentar nova gestação.
Efeitos adversos comuns incluem mucosite, neutropenia, alopecia, e toxicidade hepática ou renal, variando com o regime utilizado. O manejo de suporte é essencial para minimizar complicações.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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