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CID C56: Neoplasia maligna do ovário
C56
Neoplasia maligna do ovário
Mais informações sobre o tema:
Definição
A neoplasia maligna do ovário, classificada sob o código CID-10 C56, refere-se a um grupo heterogêneo de tumores malignos originários do tecido ovariano. Inclui principalmente carcinomas epiteliais, que representam cerca de 90% dos casos, além de tumores de células germinativas e do estroma. A fisiopatologia envolve transformações genéticas e epigenéticas que levam à proliferação celular descontrolada, frequentemente associada a mutações em genes como BRCA1 e BRCA2. O impacto clínico é significativo devido ao diagnóstico tardio, resultando em alta mortalidade, com sobrevida global em cinco anos variando de 30% a 50%, dependendo do estágio. Epidemiologicamente, é a sétima neoplasia maligna mais comum em mulheres globalmente, com incidência aumentada em países desenvolvidos e fatores de risco como nuliparidade, história familiar e mutações genéticas hereditárias.
Descrição clínica
A neoplasia maligna do ovário é caracterizada por um curso insidioso, com sintomas inespecíficos em estágios iniciais, como distensão abdominal, dor pélvica, alterações urinárias e saciedade precoce. Em fases avançadas, pode apresentar ascite, perda de peso não intencional e massa pélvica palpável. A progressão ocorre por disseminação intraperitoneal, envolvendo estruturas adjacentes e metástases à distância.
Quadro clínico
Sintomas incluem dor abdominal ou pélvica vaga, aumento do volume abdominal, alterações do hábito intestinal (e.g., constipação ou diarreia), fadiga e, em casos avançados, dispneia por derrame pleural. Sinais físicos podem revelar massa anexial à palpação, ascite e caquexia.
Complicações possíveis
Obstrução intestinal
Devido a compressão ou invasão tumoral, levando a náuseas, vômitos e distensão abdominal.
Ascite maligna
Acúmulo de líquido peritoneal, causando desconforto abdominal e dispneia.
Metástases à distância
Comprometimento de fígado, pulmões ou sistema nervoso central, com piora do prognóstico.
Síndrome de caquexia neoplásica
Perda de peso e massa muscular, associada a inflamação sistêmica.
Trombose venosa profunda
Risco aumentado por estado de hipercoagulabilidade relacionado ao câncer.
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Incidence global estimada em 6-7 casos por 100.000 mulheres/ano, com maior prevalência em países industrializados. É a quinta causa de morte por câncer em mulheres, com pico de incidência na sexta década de vida. Fatores de risco incluem história familiar, mutações BRCA, nuliparidade e terapia hormonal pós-menopausa.
Prognóstico
O prognóstico depende do estágio ao diagnóstico, tipo histológico e ressecabilidade cirúrgica. Estágios iniciais (I-II) têm sobrevida em cinco anos de 70-90%, enquanto avançados (III-IV) caem para 20-40%. Fatores favoráveis incluem idade jovem, baixo grau histológico e completa citorredução.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, imaginológicos e histopatológicos. Inclui suspeita clínica com sintomas sugestivos, ultrassonografia transvaginal mostrando massa ovariana complexa, dosagem de CA-125 elevada (especialmente em mulheres pós-menopausa) e confirmação por biópsia ou citologia de líquido ascítico. Estadiamento segue a classificação da FIGO, baseado em achados cirúrgicos.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Cisto ovariano benigno
Massa anexial cística, geralmente assintomática, sem características malignas na imagem.
UpToDate
Endometriose
Implantes ectópicos de endométrio podendo formar massas (endometriomas), com dor cíclica e infertilidade.
Diretrizes Brasileiras de Endometriose
Neoplasia metastática para o ovário
Tumores secundários, como do trato gastrointestinal (e.g., Krukenberg), com história primária conhecida.
PubMed
Doença inflamatória pélvica
Processo infeccioso agudo ou crônico causando massa anexial, febre e dor, com resposta a antibióticos.
OMS
Mioma uterino
Tumor benigno do miométrio que pode simular massa ovariana, mas geralmente firme e móvel.
Micromedex
Exames recomendados
Ultrassonografia transvaginal
Exame de imagem para avaliação de massa ovariana, caracterizando tamanho, ecogenicidade e vascularização.
Triagem e caracterização inicial de lesões anexiais.
Dosagem de CA-125
Marcador tumoral sérico, útil em suspeita de neoplasia epitelial, mas com limitações de sensibilidade e especificidade.
Auxiliar no diagnóstico e monitoramento de resposta ao tratamento.
Tomografia computadorizada de abdômen e pelve
Imagem de corte para estadiamento, avaliando extensão da doença, metástases e linfonodomegalia.
Estadiamento pré-operatório e planejamento terapêutico.
Ressonância magnética pélvica
Melhor caracterização tecidual, diferenciando lesões benignas de malignas e avaliando invasão local.
Complementar a ultrassonografia em casos duvidosos.
Laparoscopia ou laparotomia exploradora
Procedimento cirúrgico para biópsia, estadiamento e citorredução, com análise histopatológica.
Confirmação diagnóstica e terapêutica definitiva.
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Indicada em portadoras de mutação BRCA de alto risco, para redução significativa do risco.
Uso de contraceptivos orais
Associado à diminuição do risco em mulheres com uso prolongado, devido à supressão da ovulação.
Rastreamento genético
Aconselhamento e teste para mutações em famílias com histórico de câncer de ovário ou mama.
Vigilância e notificação
No Brasil, é de notificação compulsória para sistemas de vigilância do câncer, como o SISCAN. Recomenda-se rastreamento em populações de alto risco com ultrassonografia e CA-125, embora sem evidência de redução de mortalidade na população geral.
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Incluem história familiar, mutações genéticas (e.g., BRCA1/2), nuliparidade, idade avançada, e uso de terapia hormonal pós-menopausa.
Baseia-se na classificação da FIGO, determinada por achados cirúrgicos, incluindo extensão intraperitoneal e metástases.
Não, devido à baixa sensibilidade e especificidade dos métodos atuais; é recomendado apenas para grupos de alto risco.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...