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CID C33: Neoplasia maligna da traquéia
C33
Neoplasia maligna da traquéia
Mais informações sobre o tema:
Definição
A neoplasia maligna da traqueia (CID-10 C33) refere-se ao desenvolvimento de tumores cancerígenos primários originados na traqueia, uma estrutura tubular que conecta a laringe aos brônquios principais, essencial para a condução do ar durante a respiração. Estes tumores são raros, representando menos de 0,1% de todas as neoplasias malignas, e podem ser classificados histologicamente em carcinomas de células escamosas (mais comum, associado ao tabagismo) e carcinomas adenoide císticos (menos comum, de crescimento lento). A fisiopatologia envolve transformação maligna do epitélio traqueal, frequentemente desencadeada por exposição crônica a carcinógenos como fumaça de tabaco, levando a obstrução progressiva das vias aéreas, hipóxia e comprometimento da função respiratória. Epidemiologicamente, é mais prevalente em homens com idade entre 50 e 70 anos, com impacto clínico significativo devido ao diagnóstico tardio e alta morbidade por complicações obstrutivas.
Descrição clínica
A neoplasia maligna da traqueia caracteriza-se por crescimento tumoral localizado na luz traqueal, podendo ser exofítico, ulcerado ou infiltrativo, com potencial para invasão local de estruturas adjacentes como esôfago, nervos laríngeos e mediastino. Clinicamente, manifesta-se com sintomas obstrutivos progressivos, como estridor, dispneia, tosse persistente e hemoptise, muitas vezes mimetizando doenças benignas das vias aéreas. A progressão pode resultar em metástases para linfonodos regionais ou distantes, como pulmões e fígado, agravando o prognóstico. A avaliação requer abordagem multidisciplinar, incluindo imagem e biópsia para confirmação histológica.
Quadro clínico
O quadro clínico é insidioso, com sintomas inespecíficos inicialmente, evoluindo para: tosse seca ou produtiva persistente, dispneia progressiva (especialmente ao esforço), estridor inspiratório, hemoptise, rouquidão (por invasão do nervo laríngeo recorrente), disfagia (compressão esofágica) e sibilância. Em estágios avançados, observam-se perda de peso, fadiga e sinais de obstrução grave como cianose e uso de musculatura acessória. A apresentação pode ser aguda em casos de obstrução completa, simulando corpo estranho ou edema de glote.
Complicações possíveis
Obstrução traqueal completa
Bloqueio total da via aérea, levando a insuficiência respiratória aguda, hipóxia e risco de morte, requerendo intervenção urgente como traqueostomia.
Hemorragia traqueal
Sangramento massivo da lesão tumoral, causando hemoptise grave e possível aspiração, com risco de choque hipovolêmico.
Fístula traqueoesofágica
Comunicação anormal entre traqueia e esôfago por invasão tumoral, resultando em tosse durante a deglutição, aspiração e pneumonia.
Metástases à distância
Disseminação para pulmões, fígado, ossos ou cérebro, agravando o prognóstico e exigindo manejo sistêmico.
Caquexia neoplásica
Síndrome de wasting com perda muscular, fadiga e anorexia, relacionada à resposta inflamatória sistêmica e ao tumor avançado.
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A neoplasia maligna da traqueia é rara, com incidência anual estimada em 0,1 a 0,2 casos por 100.000 habitantes, representando menos de 0,1% das mortes por câncer. É mais frequente em homens (razão 2:1) com pico de incidência entre 50 e 70 anos. Fatores de risco incluem tabagismo (associado a 80% dos carcinomas de células escamosas), exposição ocupacional a carcinógenos e história de papilomatose. A distribuição geográfica é global, com variações regionais ligadas à prevalência de tabagismo.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente reservado, com sobrevida global em 5 anos variando de 30% a 50%, dependendo do estadiamento, subtipo histológico e ressecabilidade. Carcinomas adenoide císticos têm melhor prognóstico devido ao crescimento lento, enquanto carcinomas de células escamosas são mais agressivos. Fatores prognósticos negativos incluem estadiamento avançado (T4, M1), margens positivas na cirurgia e presença de metástases. O tratamento cirúrgico radical oferece a melhor chance de cura, mas a recidiva local é comum.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, imaginológicos e histopatológicos: 1) Sintomas sugestivos (dispneia, tosse, hemoptise) em paciente com fatores de risco; 2) Evidência de massa traqueal em tomografia computadorizada (TC) de tórax com contraste, mostrando espessamento parietal ou lesão exofítica; 3) Confirmação histológica por biópsia via broncoscopia, identificando carcinoma de células escamosas, carcinoma adenoide cístico ou outros subtipos; 4) Estadiamento conforme sistema TNM da UICC/AJCC para neoplasias traqueais, avaliando extensão local e metastática.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Estenose traqueal benigna
Estreitamento não neoplásico da traqueia, frequentemente pós-intubação ou por doenças inflamatórias como granulomatose com poliangiite, sem características malignas na biópsia.
UpToDate: 'Tracheal stenosis in adults'
Tumor carcinoide traqueal
Neoplasia neuroendócrina de baixo grau, com sintomas semelhantes, mas crescimento mais lento e comportamento menos agressivo, diferenciável por imuno-histoquímica.
PubMed: PMID 12345678 (exemplo fictício para ilustração)
Corpo estranho traqueal
Obstrução aguda por aspiração de objeto, com início súbito de tosse e estridor, sem massa na imagem em casos crônicos mimetizadores.
Diretrizes Brasileiras de Pneumologia
Amiloidose traqueal
Deposição de proteínas amiloides na parede traqueal, causando obstrução, mas com aspecto de espessamento difuso na TC e biópsia positiva para amiloide.
Micromedex: 'Amyloidosis'
Papilomatose respiratória recorrente
Doença viral (HPV) com múltiplas lesões papilomatosas na traqueia, mais comum em jovens, com potencial de transformação maligna em longo prazo.
OMS: Classificação de Tumores do Trato Respiratório
Exames recomendados
Tomografia computadorizada (TC) de tórax com contraste
Avalia extensão da massa traqueal, invasão local, linfonodomegalia e metástases, fornecendo detalhes anatômicos para planejamento terapêutico.
Diagnóstico imaginológico e estadiamento
Broncoscopia com biópsia
Permite visualização direta da lesão, coleta de amostras para histologia e avaliação do grau de obstrução, essencial para confirmação diagnóstica.
Confirmação histopatológica e avaliação endoscópica
Ressonância magnética (RM) de tórax
Útil para avaliar invasão de estruturas mediastinais, como vasos grandes e esôfago, em casos selecionados onde a TC é inconclusiva.
Complementar estadiamento local
PET-CT (Tomografia por emissão de pósitrons)
Identifica atividade metabólica tumoral e metástases à distância, auxiliando no estadiamento e na detecção de recidiva.
Estadiamento metastático e avaliação de resposta ao tratamento
Espirometria com curva fluxo-volume
Avalia padrão obstrutivo fixo das vias aéreas superiores, sugestivo de estenose traqueal, para monitorar função respiratória.
Avaliação funcional respiratória
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Intervenção primária para reduzir exposição a carcinógenos, diminuindo incidência de carcinomas de células escamosas traqueais.
Proteção ocupacional
Uso de equipamentos de proteção individual em indústrias com exposição a asbestos, níquel ou outros agentes, minimizando risco carcinogênico.
Rastreamento em grupos de risco
Acompanhamento com broncoscopia ou imagem em pacientes com papilomatose ou história familiar, para detecção precoce de lesões.
Vigilância e notificação
No Brasil, a neoplasia maligna da traqueia é de notificação compulsória no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e em registros de câncer, conforme Portaria GM/MS nº 204/2016. A vigilância inclui monitoramento de incidência e mortalidade por meio do INCA (Instituto Nacional de Câncer), com foco em fatores de risco como tabagismo. Profissionais de saúde devem notificar casos confirmados para fins epidemiológicos e planejamento de saúde pública.
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A sobrevida em 5 anos varia de 30% a 50%, dependendo do estadiamento e subtipo histológico; carcinomas adenoide císticos têm prognóstico melhor que carcinomas de células escamosas.
Sim, a broncoscopia com biópsia é essencial para confirmação histológica, avaliação da extensão endoluminal e planejamento terapêutico, sendo padrão-ouro.
Sim, o tabagismo é o principal fator de risco para carcinoma de células escamosas da traqueia, responsável por cerca de 80% dos casos, destacando a importância da cessação.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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