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CID C82: Linfoma não-Hodgkin, folicular (nodular)

C820
Linfoma não-Hodgkin, pequenas células clivadas, folicular
C821
Linfoma não-Hodgkin, misto, de pequenas e grandes células clivadas, folicular
C822
Linfoma não-Hodgkin, grandes células, folicular
C827
Outros tipos de linfoma não-Hodgkin, folicular
C829
Linfoma não-Hodgkin, folicular, não especificado

Mais informações sobre o tema:

Definição

O linfoma não Hodgkin folicular (LNHF) é uma neoplasia maligna de linfócitos B maduros, caracterizada por um padrão de crescimento folicular (nodular) nos linfonodos, resultante da proliferação clonal de células centrossímicas. É classificado como um linfoma indolente, com curso clínico geralmente lento, mas com tendência à recidiva e transformação para formas mais agressivas, como o linfoma difuso de grandes células B. A fisiopatologia envolve frequentemente translocações cromossômicas, como t(14;18), que levam à superexpressão do gene BCL-2, inibindo a apoptose e promovendo a sobrevivência celular. Epidemiologicamente, representa aproximadamente 20-25% de todos os linfomas não Hodgkin em adultos, com incidência aumentada em idosos e ligeiro predomínio no sexo feminino. O impacto clínico inclui linfadenopatia indolor, sintomas B (febre, sudorese noturna, perda de peso) em alguns casos, e potencial para complicações como citopenias e compressão de estruturas vizinhas.

Descrição clínica

O LNHF é uma neoplasia linfoproliferativa de células B, com comportamento indolente na maioria dos casos. Apresenta-se tipicamente com linfadenopatia periférica indolor e progressiva, frequentemente envolvendo cadeias cervicais, axilares e inguinais. Pode haver envolvimento de órgãos extranodais, como baço, medula óssea e fígado, levando a esplenomegalia, hepatomegalia e citopenias. Sintomas constitucionais (febre, sudorese noturna, perda de peso superior a 10% do peso corporal) estão presentes em cerca de 20-30% dos pacientes no diagnóstico. A doença é classificada em graus histológicos (1, 2, 3A e 3B) baseados na proporção de centróblastos, com o grau 3B comportando-se de forma mais agressiva, semelhante ao linfoma difuso de grandes células B.

Quadro clínico

O quadro clínico do LNHF é variável, desde assintomático até sintomático. Linfadenopatia indolor e progressiva é o achado mais comum, podendo ser localizada ou generalizada. Esplenomegalia ocorre em 40-50% dos casos, e hepatomegalia em 20-30%. Sintomas B (febre, sudorese noturna, perda de peso) estão presentes em uma minoria. Compressão de estruturas adjacentes pode causar dor, edema ou obstrução. Envolvimento da medula óssea é frequente (40-70%), levando a anemia, neutropenia ou trombocitopenia. Em estágios avançados, pode haver fadiga, prurido e infecções recorrentes.

Complicações possíveis

Transformação para linfoma agressivo

Progressão para linfoma difuso de grandes células B ou outros tipos de alto grau, com pior prognóstico.

Citopenias

Anemia, neutropenia ou trombocitopenia devido à infiltração medular ou efeitos da doença.

Compressão de estruturas vitais

Obstrução vascular, ureteral ou de vias aéreas por massa linfonodal aumentada.

Síndrome de lise tumoral

Liberação massiva de metabólitos celulares após tratamento, levando a insuficiência renal e distúrbios eletrolíticos.

Infecções recorrentes

Devido à imunossupressão pela doença ou terapia, aumentando risco de infecções bacterianas, virais e fúngicas.

Epidemiologia

O LNHF é o segundo linfoma não Hodgkin mais comum em adultos, representando 20-25% dos casos. Incidência anual é de aproximadamente 2-3 por 100.000, aumentando com a idade (pico na sexta e sétima décadas). É ligeiramente mais comum em mulheres (razão M:F ~1:1.2). Distribuição geográfica varia, com maiores taxas em países desenvolvidos. Fatores de risco incluem exposição a pesticidas, história familiar, e condições autoimunes. A sobrevida global melhorou nas últimas décadas devido a avanços terapêuticos.

Prognóstico

O prognóstico do LNHF é variável, com sobrevida mediana de 8-10 anos. Fatores prognósticos incluem o índice FLIPI (Follicular Lymphoma International Prognostic Index), que incorpora idade, estágio Ann Arbor, número de sítios nodais, níveis de LDH e hemoglobina. Pacientes com FLIPI baixo têm sobrevida superior a 10 anos, enquanto FLIPI alto associa-se a sobrevida de 5 anos. A transformação para linfoma agressivo ocorre em 2-3% ao ano, piorando significativamente o prognóstico. Novas terapias, como inibidores de PI3K e imunoterapias, melhoraram os desfechos, mas a doença permanece incurável na maioria dos casos.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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