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CID C45: Mesotelioma

C450
Mesotelioma da pleura
C451
Mesotelioma do peritônio
C452
Mesotelioma do pericárdio
C457
Mesotelioma de outras localizações
C459
Mesotelioma, não especificado

Mais informações sobre o tema:

Definição

O mesotelioma é uma neoplasia maligna rara que se origina nas células mesoteliais, que revestem as superfícies serosas do corpo, como a pleura, o peritônio, o pericárdio e a túnica vaginal do testículo. Esta neoplasia é caracterizada por um longo período de latência, frequentemente superior a 20 anos, entre a exposição ao agente causal e o surgimento dos sintomas clínicos. A sua fisiopatologia está intimamente ligada à inflamação crônica e dano ao DNA induzidos pela exposição a fibras de asbesto (amianto), sendo este o principal fator de risco etiológico. O mesotelioma apresenta um comportamento biológico agressivo, com tendência à invasão local e disseminação metastática tardia, resultando em um prognóstico geralmente reservado. Epidemiologicamente, a sua incidência varia globalmente, com taxas mais elevadas em regiões com histórico de uso industrial de asbesto, e afeta predominantemente indivíduos do sexo masculino com idade avançada, refletindo a exposição ocupacional acumulada ao longo da vida.

Descrição clínica

O mesotelioma é uma neoplasia maligna de origem mesotelial, com apresentação clínica variável dependendo da localização anatômica primária. A forma mais comum é o mesotelioma pleural, que se manifesta com sintomas inespecíficos como dor torácica, dispneia, tosse seca e perda ponderal. O exame físico pode revelar sinais de derrame pleural, como diminuição do murmúrio vesicular e macicez à percussão. O mesotelioma peritoneal cursa com ascite, dor abdominal e massa palpável, enquanto o pericárdico pode causar tamponamento cardíaco e o testicular com hidrocele e massa escrotal. A progressão da doença é insidiosa, com envolvimento local extenso e metástases para linfonodos, fígado, pulmões e ossos em fases avançadas. A histologia distingue os subtipos epitelioide, sarcomatoide e bifásico, sendo o epitelioide associado a um prognóstico ligeiramente melhor.

Quadro clínico

O quadro clínico do mesotelioma é insidioso e inespecífico inicialmente, com sintomas que dependem da localização primária. No mesotelioma pleural (75-80% dos casos), os pacientes apresentam dor torácica pleurítica, dispneia progressiva, tosse não produtiva, fadiga e perda de peso não intencional. Sinais físicos incluem derrame pleural unilateral, diminuição da expansibilidade torácica e, em estágios avançados, síndrome de veia cava superior ou envolvimento da parede torácica. No mesotelioma peritoneal (10-20% dos casos), observa-se ascite refratária, dor abdominal, massa abdominal palpável, obstrução intestinal e emagrecimento. Formas raras como pericárdica causam pericardite constritiva, arritmias e insuficiência cardíaca, e a testicular manifesta-se como hidrocele ou massa indolor. Sintomas constitucionais como febre baixa e sudorese noturna podem ocorrer, mimetizando doenças infecciosas ou reumatológicas.

Complicações possíveis

Derrame pleural ou ascite maciço

Acúmulo de líquido nas cavidades pleural ou peritoneal, causando dispneia grave, dor e comprometimento respiratório ou digestivo.

Síndrome de veia cava superior

Obstrução da veia cava superior por invasão tumoral, resultando em edema facial, cianose e dispneia.

Obstrução intestinal

Bloqueio do trato gastrointestinal no mesotelioma peritoneal, levando a náuseas, vômitos e abdômen agudo.

Cachexia neoplásica

Síndrome de wasting com perda muscular e de gordura, fadiga e imunossupressão, agravando o prognóstico.

Metástases à distância

Disseminação para fígado, pulmões contralaterais, ossos ou cérebro, causando dor, fraturas patológicas ou déficits neurológicos.

Epidemiologia

O mesotelioma é uma neoplasia rara, com incidência global estimada em 1-2 casos por 100.000 habitantes/ano, variando conforme a exposição histórica ao asbesto. A incidência é maior em países industrializados, como Reino Unido, Austrália e partes da Europa, com pico em homens com 60-70 anos, refletindo exposição ocupacional em setores como construção, mineração e indústria naval. No Brasil, a incidência é crescente devido ao uso prolongado de asbesto, com regiões como São Paulo e Rio de Janeiro apresentando taxas mais altas. A mortalidade é elevada, com taxa de sobrevida em 5 anos inferior a 10%. Medidas de banimento do asbesto têm reduzido a incidência em alguns países, mas o impacto total levará décadas devido ao longo período de latência.

Prognóstico

O prognóstico do mesotelioma é geralmente reservado, com sobrevida mediana de 12 a 18 meses para formas avançadas. Fatores prognósticos favoráveis incluem subtipo histológico epitelioide, estadiamento inicial (estádio I-II), bom estado performance (ECOG 0-1), e ressecabilidade cirúrgica. A presença de mutações BAP1 pode influenciar a resposta terapêutica. Intervenções multimodais (cirurgia, quimioterapia, radioterapia) podem melhorar a sobrevida em casos selecionados, mas a recidiva é comum. A qualidade de vida é frequentemente comprometida por dor e sintomas respiratórios, exigindo cuidados paliativos robustos.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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