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CID C25: Neoplasia maligna do pâncreas

C250
Neoplasia maligna da cabeça do pâncreas
C251
Neoplasia maligna do corpo do pâncreas
C252
Neoplasia maligna da cauda do pâncreas
C253
Neoplasia maligna do canal pancreático
C254
Neoplasia maligna do pâncreas endócrino
C257
Neoplasia maligna de outras partes do pâncreas
C258
Neoplasia maligna do pâncreas com lesão invasiva
C259
Neoplasia maligna do pâncreas, não especificado

Mais informações sobre o tema:

Definição

O código CID-10 C25 refere-se a neoplasias malignas do pâncreas, que são tumores originários do tecido pancreático, caracterizados por crescimento celular descontrolado e invasivo. O pâncreas é uma glândula mista com funções endócrinas (produção de insulina e glucagon) e exócrinas (produção de enzimas digestivas), e as neoplasias malignas podem surgir em diferentes partes, como cabeça, corpo ou cauda, sendo o adenocarcinoma ductal o tipo histológico mais comum, representando mais de 90% dos casos. Essas neoplasias são frequentemente assintomáticas em estágios iniciais, levando a diagnósticos tardios e alto índice de mortalidade, com impacto significativo na morbidade devido a complicações como icterícia obstrutiva, dor abdominal e síndrome de caquexia. Epidemiologicamente, o câncer de pâncreas é responsável por cerca de 3% de todos os cânceres e 7% das mortes por câncer, com incidência aumentando com a idade e maior prevalência em homens e em populações com fatores de risco como tabagismo, obesidade e história familiar.

Descrição clínica

As neoplasias malignas do pâncreas são caracterizadas por sua agressividade e baixa taxa de sobrevida, devido ao diagnóstico frequentemente em estágios avançados. Clinicamente, podem manifestar-se com dor abdominal epigástrica que irradia para as costas, icterícia obstrutiva (especialmente em tumores da cabeça do pâncreas), perda de peso não intencional, anorexia, náuseas, vômitos e diabetes mellitus de início recente. A apresentação pode variar conforme a localização do tumor, com tumores na cabeça pancreática causando mais frequentemente icterícia por compressão do colédoco, enquanto tumores no corpo ou cauda podem apresentar dor mais proeminente e metástases precoces. A progressão da doença está associada a complicações como trombose venosa, ascite e insuficiência pancreática exócrina, contribuindo para um quadro clínico debilitante.

Quadro clínico

O quadro clínico das neoplasias malignas do pâncreas é insidioso e inespecífico nos estágios iniciais, evoluindo para sintomas como dor abdominal persistente no epigástrio que pode irradiar para as costas, icterícia indolor (sinal de Courvoisier em alguns casos), perda de peso significativa, astenia, anorexia, náuseas e vômitos. Sinais adicionais incluem diabetes mellitus de início recente, esteatorreia devido à insuficiência pancreática exócrina, e palpação de massa abdominal em casos avançados. Em fases metastáticas, podem ocorrer sintomas relacionados a metástases hepáticas (hepatomegalia, ascite), pulmonares (dispneia) ou peritoneais (dor abdominal difusa). A apresentação aguda com pancreatite ou trombose venosa profunda também pode ser a manifestação inicial, exigindo alta suspeição clínica.

Complicações possíveis

Icterícia obstrutiva

Obstrução do ducto biliar por tumor, levando a acúmulo de bilirrubina, prurido e risco de colangite.

Dor abdominal intratável

Resultante de invasão neural e compressão de estruturas, requerendo manejo multimodal com analgésicos e procedimentos intervencionistas.

Caquexia neoplásica

Síndrome de wasting com perda muscular e de gordura, mediada por citocinas inflamatórias, piorando o prognóstico.

Trombose venosa

Aumento do risco de eventos tromboembólicos devido a hipercoagulabilidade associada ao câncer.

Insuficiência pancreática exócrina

Deficiência na produção de enzimas digestivas, causando esteatorreia e má absorção.

Epidemiologia

O câncer de pâncreas representa aproximadamente 3% de todos os cânceres e é a sétima causa de morte por câncer globalmente, com incidência anual estimada em 4-12 casos por 100.000 habitantes, variando por região. A incidência aumenta com a idade, sendo mais comum após os 60 anos, e é ligeiramente maior em homens do que em mulheres. Fatores de risco incluem tabagismo (aumento de 2-3 vezes no risco), obesidade, diabetes mellitus, pancreatite crônica, história familiar e síndromes hereditárias (e.g., mutações BRCA). Geograficamente, taxas mais altas são observadas em países desenvolvidos, possivelmente relacionadas a estilos de vida. No Brasil, segue padrões semelhantes, com desafios no diagnóstico precoce.

Prognóstico

O prognóstico das neoplasias malignas do pâncreas é geralmente desfavorável, com taxa de sobrevida global em 5 anos inferior a 10%, devido ao diagnóstico tardio e agressividade biológica. Fatores prognósticos incluem estadiamento TNM (estágios iniciais têm melhor sobrevida), ressecabilidade cirúrgica (sobrevida mediana de 20-25 meses em casos ressecáveis), e resposta ao tratamento. Pacientes com metástases à distância têm sobrevida mediana de 6-11 meses. Intervenções como quimioterapia adjuvante podem modestamente melhorar os desfechos, mas a recidiva é comum. A qualidade de vida é frequentemente comprometida por dor e complicações, exigindo cuidados paliativos integrais.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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