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CID B65: Esquistossomose [bilharziose] [Schistosomíase]

B650
Esquistossomose devida ao Schistosoma haematobium [esquistossomose urinária]
B651
Esquistossomose devida ao Schistosoma mansoni [esquistossomose intestinal]
B652
Esquistossomose devida ao Schistosoma japonicum
B653
Dermatite por cercárias
B658
Outras esquistossomoses
B659
Esquistossomose não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A esquistossomose, também conhecida como bilharziose, é uma doença parasitária crônica causada por trematódeos do gênero Schistosoma. É classificada como uma helmintíase de importância global, com impacto significativo na saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. A infecção ocorre através do contato com água doce contaminada por cercárias, formas larvais do parasita, que penetram ativamente na pele humana. A fisiopatologia envolve uma resposta imune granulomatosa aos ovos do parasita, levando a fibrose e danos teciduais em órgãos como fígado, baço e trato urinário. A esquistossomose é endêmica em mais de 70 países, afetando predominantemente populações rurais com acesso limitado a saneamento básico, e está associada a morbidade considerável, incluindo hepatosplenomegalia, hipertensão portal e comprometimento do crescimento em crianças.

Descrição clínica

A esquistossomose apresenta um espectro clínico variável, desde formas assintomáticas até doença grave. A fase aguda, ou síndrome de Katayama, pode ocorrer 2 a 8 semanas após a infecção, caracterizada por febre, mal-estar, mialgia, cefaleia, tosse e eosinofilia marcante. Na fase crônica, os sintomas dependem da espécie de Schistosoma e dos órgãos afetados: Schistosoma mansoni e S. japonicum causam principalmente envolvimento hepatoesplênico com hepatomegalia, esplenomegalia, fibrose periportal e hipertensão portal, enquanto S. haematobium afeta o trato urinário, levando a hematúria, disúria, e em casos avançados, hidronefrose e carcinoma de bexiga. A doença pode evoluir com complicações como ascite, varizes esofágicas e insuficiência renal.

Quadro clínico

O quadro clínico inclui fase aguda: dermatite cercariana (prurido e pápulas no local de penetração), seguida por síndrome de Katayama com febre, sudorese, cefaleia, tosse, dor abdominal, diarreia, linfadenopatia e eosinofilia. Fase crônica: para formas intestinais (S. mansoni, S. japonicum), dor abdominal, diarreia sanguinolenta, hepatomegalia, esplenomegalia, ascite e sinais de hipertensão portal; para forma urinária (S. haematobium), hematúria, disúria, urgência miccional, dor suprapúbica e, em estágios tardios, hidronefrose e insuficiência renal. Formas graves podem incluir neuroesquistossomose com convulsões ou déficit neurológico.

Complicações possíveis

Hipertensão portal

Devido à fibrose periportal, levando a ascite, varizes esofágicas e risco de hemorragia digestiva.

Carcinoma de células escamosas da bexiga

Associado à infecção crônica por S. haematobium, com inflamação persistente e metaplasia.

Insuficiência renal

Resultante de obstrução ureteral ou nefropatia por depósito de imunocomplexos na forma urinária.

Neuroesquistossomose

Rara, com envolvimento do SNC, causando convulsões, mielite transversa ou hipertensão intracraniana.

Desnutrição e retardo do crescimento

Em crianças, devido à doença crônica e má absorção.

Epidemiologia

A esquistossomose afeta aproximadamente 240 milhões de pessoas globalmente, com maior prevalência na África Subsaariana, partes do Oriente Médio, América do Sul (especialmente Brasil) e Ásia. No Brasil, é endêmica em estados do Nordeste e Sudeste, com S. mansoni sendo a espécie predominante. A transmissão está ligada à pobreza, falta de saneamento e contato com água doce contaminada. Crianças e adultos jovens são os mais afetados, e a incidência tem diminuído devido a programas de controle, mas permanece um problema de saúde pública em áreas rurais.

Prognóstico

O prognóstico é geralmente bom com diagnóstico precoce e tratamento adequado, mas a doença não tratada pode levar a complicações graves e morte. A resposta ao praziquantel é excelente, com cura parasitológica em mais de 80% dos casos. No entanto, sequelas como fibrose hepática avançada ou carcinoma de bexiga podem persistir mesmo após a eliminação do parasita. Fatores de pior prognóstico incluem alta carga parasitária, comorbidades e acesso limitado a cuidados de saúde.

Perguntas Frequentes

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