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CID B57: Doença de Chagas

B570
Forma aguda da doença de Chagas, com comprometimento cardíaco
B571
Forma aguda da doença de Chagas, sem comprometimento cardíaco
B572
Doença de Chagas (crônica) com comprometimento cardíaco
B573
Doença de Chagas (crônica) com comprometimento do aparelho digestivo
B574
Doença de Chagas (crônica) com comprometimento do sistema nervoso
B575
Doença de Chagas (crônica) com comprometimento de outros órgãos

Mais informações sobre o tema:

Definição

A Doença de Chagas, também conhecida como tripanossomíase americana, é uma infecção parasitária causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. É uma zoonose endêmica nas Américas, transmitida principalmente por insetos triatomíneos (barbeiros) através de suas fezes contaminadas, que penetram na pele ou mucosas durante o repasto sanguíneo. A doença apresenta uma fase aguda, frequentemente assintomática ou com sintomas inespecíficos, seguida por uma fase crônica que pode evoluir para complicações cardíacas, digestivas ou neurológicas décadas após a infecção inicial. Sua epidemiologia está associada a condições socioeconômicas desfavoráveis, com maior prevalência em áreas rurais da América Latina, embora a migração tenha expandido sua distribuição global. O impacto clínico é significativo, com alta morbimortalidade devido a cardiomiopatia chagásica crônica, megacólon e megaesôfago, representando um importante problema de saúde pública.

Descrição clínica

A Doença de Chagas é caracterizada por um curso bifásico: fase aguda e fase crônica. Na fase aguda, que dura semanas a meses, os sintomas podem incluir febre, mal-estar, linfadenopatia, hepatosplenomegalia, e sinal de Romaña (edema palpebral unilateral) ou chagoma de inoculação no local da picada. A fase crônica é dividida em indeterminada (assintomática com sorologia positiva) e determinada, com manifestações cardíacas (como arritmias, insuficiência cardíaca, tromboembolismo), digestivas (disfagia, constipação, megacólon) ou mistas. A progressão é lenta, com latência prolongada, e a gravidade varia conforme a cepa do parasita e fatores do hospedeiro.

Quadro clínico

Fase aguda: frequentemente assintomática; quando sintomática, inclui febre, astenia, cefaleia, mialgia, linfadenopatia generalizada, hepatosplenomegalia, e lesões cutâneas (chagoma ou sinal de Romaña). Em casos graves, pode haver miocardite aguda ou meningoencefalite. Fase crônica: forma indeterminada é assintomática; forma cardíaca apresenta palpitações, síncope, dispneia, edemas e sinais de insuficiência cardíaca; forma digestiva causa disfagia, regurgitação, constipação e dor abdominal; forma mista combina características cardíacas e digestivas.

Complicações possíveis

Cardiomiopatia chagásica crônica

Dilatação ventricular, insuficiência cardíaca, arritmias graves e risco de morte súbita.

Megacólon e megaesôfago

Dilatação e dismotilidade intestinal e esofágica, levando a obstrução, desnutrição e impactação fecal.

Acidente vascular cerebral (AVC)

Tromboembolismo secundário a trombos intracardíacos em aneurismas ventriculares.

Meningoencefalite

Inflamação do sistema nervoso central, mais comum na fase aguda ou em imunodeprimidos.

Epidemiologia

Endêmica nas Américas, com maior prevalência em países da América Latina, como Brasil, Argentina e Bolívia. Estima-se que 6 a 7 milhões de pessoas estejam infectadas globalmente, com cerca de 30.000 novos casos anuais e 12.000 mortes por ano. A transmissão vetorial é a principal via, mas a transmissão congênita, transfusional e oral ganhou importância em áreas com controle vetorial. Fatores de risco incluem residência em áreas rurais, habitações precárias e exposição a triatomíneos. Programas de controle reduziram a incidência em muitas regiões.

Prognóstico

O prognóstico varia conforme a fase e as complicações. Na fase aguda, a maioria dos casos é autolimitada, com baixa letalidade, mas formas graves têm alto risco. Na fase crônica, a forma indeterminada tem bom prognóstico, enquanto as formas determinadas (cardíaca e digestiva) apresentam progressão lenta, com morbidade significativa e redução da expectativa de vida, especialmente na cardiomiopatia avançada. O tratamento antiparasitário precoce pode modificar a história natural, mas a resposta é limitada na fase crônica estabelecida.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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