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CID B25: Doença por citomegalovírus

B250
Pneumonite por citomegalovírus
B251
Hepatite por citomegalovírus
B252
Pancreatite por citomegalovírus
B258
Outras doenças por citomegalovírus
B259
Doença não especificada por citomegalovírus

Mais informações sobre o tema:

Definição

As doenças devidas ao citomegalovírus (CMV) referem-se a um espectro de condições clínicas causadas pela infecção pelo citomegalovírus humano (CMVH), um vírus DNA da família Herpesviridae. O CMV é ubíquo e tipicamente causa infecção assintomática em indivíduos imunocompetentes, mas pode levar a doenças graves em hospedeiros imunocomprometidos, como transplantados, pacientes com HIV/AIDS e recém-nascidos. A infecção primária, reinfecção ou reativação viral pode resultar em manifestações sistêmicas, incluindo doença disseminada, retinite, pneumonia, esofagite, colite, hepatite e encefalite, com potencial para morbidade e mortalidade significativas. Epidemiologicamente, a soroprevalência do CMV varia globalmente, sendo maior em países em desenvolvimento e em populações com baixo nível socioeconômico, com transmissão ocorrendo por contato direto com fluidos corporais infectados, como saliva, urina, sangue, secreções genitais e leite materno, além de transmissão vertical durante a gravidez, parto ou amamentação.

Descrição clínica

A apresentação clínica das doenças por CMV é altamente variável, dependendo do estado imunológico do hospedeiro. Em imunocompetentes, a infecção é frequentemente assintomática ou manifesta-se como síndrome mononucleose-like, com febre, fadiga, linfadenopatia, faringite e hepatite leve. Em imunocomprometidos, como transplantados ou pacientes com HIV, a doença pode ser disseminada, envolvendo múltiplos órgãos, com sintomas como febre prolongada, leucopenia, trombocitopenia, hepatite, pneumonia intersticial, retinite (com perda visual progressiva), esofagite (disfagia, odinofagia), colite (diarreia, dor abdominal) e encefalite. Em recém-nascidos, a infecção congênita pode resultar em sequelas graves, como microcefalia, calcificações intracranianas, perda auditiva neurosensorial e atraso do desenvolvimento neuropsicomotor.

Quadro clínico

O quadro clínico varia: em imunocompetentes, pode ser assintomático ou apresentar febre, mal-estar, fadiga, linfadenopatia cervical, faringite, hepatite leve e esplenomegalia, semelhante à mononucleose infecciosa. Em imunocomprometidos, manifestações incluem doença disseminada com febre de origem indeterminada, sudorese noturna, perda ponderal, hepatite (icterícia, elevacao de transaminases), pneumonia (tosse, dispneia, hipoxemia), retinite (moscas volantes, escotomas, perda visual), esofagite (odinofagia, disfagia), colite (diarreia aquosa ou sanguinolenta, dor abdominal), e encefalite (cefaleia, confusão, convulsões). Em neonatos, sinais de infecção congênita incluem petéquias, hepatosplenomegalia, microcefalia, calcificações intracranianas, coriorretinite e surdez.

Complicações possíveis

Retinite por CMV

Inflamação da retina que pode levar a descolamento de retina, necrose e perda visual irreversível se não tratada precocemente.

Pneumonite intersticial

Inflamação pulmonar difusa com infiltrados intersticiais, podendo evoluir para insuficiência respiratória e síndrome do desconforto respiratório agudo.

Colite ulcerativa

Ulcerações no cólon causando diarreia profusa, hemorragia digestiva, megacólon tóxico e risco de perfuração intestinal.

Encefalite

Inflamação cerebral levando a déficits neurológicos focais, convulsões, alteração do estado mental e potencial óbito.

Hepatite fulminante

Necrose hepática massiva com insuficiência hepática aguda, icterícia e coagulopatia, requerendo suporte intensivo.

Epidemiologia

O CMV tem distribuição mundial, com soroprevalência variando de 40% a 100% em adultos, sendo maior em regiões de baixa renda e em populações com exposição precoce. Nos EUA, cerca de 50-80% dos adultos são soropositivos. A infecção é mais comum em crianças, gestantes e imunocomprometidos. A transmissão ocorre por contato direto com fluidos infectados, transmissão vertical (30-40% de risco em gestantes com infecção primária), transfusões sanguíneas e transplantes. Em pacientes com HIV/AIDS, a retinite por CMV era uma causa comum de cegueira antes da terapia antirretroviral eficaz. Dados do Ministério da Saúde do Brasil indicam que a infecção congênita por CMV é uma das principais causas de deficiência auditiva não genética.

Prognóstico

O prognóstico das doenças por CMV depende do estado imunológico do hospedeiro, órgãos envolvidos e rapidez do diagnóstico e tratamento. Em imunocompetentes, geralmente é autolimitado e benigno. Em imunocomprometidos, a doença disseminada ou envolvimento de órgãos vitais (ex.: SNC, retina) associa-se a alta morbidade e mortalidade, especialmente sem terapia antiviral. Com tratamento adequado (ex.: ganciclovir, valganciclovir), a sobrevida melhora, mas recidivas são comuns. Na infecção congênita, o prognóstico é reservado, com risco de sequelas neurológicas e sensoriais permanentes. Fatores prognósticos negativos incluem carga viral elevada, atraso no tratamento e comorbidades graves.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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