CID B00: Infecções pelo vírus do herpes [herpes simples]
Mais informações sobre o tema:
Definição
As infecções por vírus do herpes simples (HSV) são doenças virais causadas pelos tipos HSV-1 e HSV-2, caracterizadas por infecções primárias, latência e recorrências. O HSV-1 está associado principalmente a infecções orolabiais (como gengivoestomatite e herpes labial), enquanto o HSV-2 é mais comumente ligado a infecções genitais. Após a infecção primária, o vírus estabelece latência nos gânglios sensoriais, podendo reativar-se sob estresse, imunossupressão ou outros gatilhos, levando a lesões vesiculares dolorosas. A transmissão ocorre por contato direto com secreções infectadas, e a infecção pode ser assintomática em muitos casos, mas em indivíduos imunocomprometidos ou neonatos, pode evoluir para formas graves como encefalite ou doença disseminada. Epidemiologicamente, é uma das infecções virais mais prevalentes globalmente, com soroprevalência elevada na população adulta, impactando significativamente a saúde pública devido a sua cronicidade e potencial de complicações.
Descrição clínica
As infecções por HSV manifestam-se de forma variada, desde infecções assintomáticas até quadros sintomáticos agudos. As apresentações clínicas incluem gengivoestomatite herpética primária (com úlceras orais, febre e linfadenopatia), herpes labial recorrente (com vesículas periorais), herpes genital (com vesículas e úlceras genitais dolorosas), ceratoconjuntivite herpética e, em casos graves, encefalite herpética (com alterações neurológicas como confusão e convulsões). Em imunocomprometidos, pode ocorrer esofagite, hepatite ou lesões cutâneas disseminadas. O curso é frequentemente recorrente, com períodos de latência intercalados por surtos desencadeados por fatores como exposição solar, trauma ou imunossupressão.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme a localização e o estado imune do paciente. Na forma orolabial, observa-se gengivoestomatite com úlceras dolorosas, eritema e vesículas na boca, acompanhadas de febre, mal-estar e linfadenopatia cervical. O herpes labial recorrente apresenta pródromos de formigamento ou queimação, seguidos de vesículas agrupadas nos lábios que evoluem para crostas. No herpes genital, há vesículas e úlceras genitais, disúria e linfadenopatia inguinal. A ceratoconjuntivite causa dor ocular, fotofobia e úlceras dendríticas na córnea. Na encefalite, os sintomas incluem cefaleia, febre, alteração do estado mental, convulsões e déficits focais. Em neonatos, a infecção pode ser disseminada, com envolvimento de múltiplos órgãos e alta mortalidade.
Complicações possíveis
Encefalite herpética
Inflamação cerebral com alta mortalidade se não tratada, causando sequelas neurológicas permanentes.
Ceratite herpética
Ulceração corneal que pode levar a opacidades e perda visual.
Infecção neonatal
Disseminação sistêmica em neonatos, com risco de óbito ou sequelas neurológicas.
Esofagite herpética
Ulceração esofágica em imunocomprometidos, causando odinofagia e disfagia.
Eritema multiforme
Reação cutânea imunomediada desencadeada por HSV, com lesões em alvo.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
Epidemiologia
A infecção por HSV é ubíqua, com soroprevalência global estimada em 67% para HSV-1 e 11% para HSV-2 em adultos. A transmissão ocorre por contato direto, sendo o HSV-1 mais associado à infecção oral na infância e o HSV-2 à transmissão sexual na idade adulta. Fatores de risco incluem baixo nível socioeconômico, múltiplos parceiros sexuais e imunossupressão. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam alta prevalência, com impacto significativo na saúde sexual e neonatal.
Prognóstico
O prognóstico geral é bom para infecções mucocutâneas, com resolução espontânea em 1-2 semanas, mas as recorrências são comuns. Em encefalite, o tratamento precoce com aciclovir intravenoso reduz a mortalidade de mais de 70% para abaixo de 20%, porém sequelas neurológicas podem persistir. Neonatos e imunocomprometidos têm prognóstico reservado, com maior risco de complicações e mortalidade. A supressão antiviral crônica pode reduzir a frequência de recidivas e transmissão.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...