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CID A91: Febre hemorrágica devida ao vírus do dengue
A91
Febre hemorrágica devida ao vírus do dengue
Mais informações sobre o tema:
Definição
A Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) é uma forma grave da infecção pelo vírus da dengue, caracterizada por aumento da permeabilidade vascular, extravasamento de plasma, hemorragias significativas e possível choque. É uma doença sistêmica e dinâmica, resultante de uma resposta imunológica exacerbada, frequentemente associada a infecções secundárias por diferentes sorotipos do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3, DENV-4). A fisiopatologia envolve a produção de citocinas pró-inflamatórias, ativação do complemento e disfunção endotelial, levando ao extravasamento plasmático. O impacto clínico inclui alta morbimortalidade, especialmente em crianças e adultos jovens, com risco de evolução para síndrome do choque da dengue (SCD). Epidemiologicamente, é endêmica em regiões tropicais e subtropicais, com picos sazonais relacionados à densidade do vetor Aedes aegypti.
Descrição clínica
A FHD apresenta-se classicamente com febre alta abrupta, cefaleia, mialgias, artralgias e exantema, evoluindo para manifestações hemorrágicas (petéquias, equimoses, sangramento de mucosas, hematêmese, melena) e sinais de extravasamento plasmático (derrames cavitários, hemoconcentração, hipoalbuminemia). A fase crítica ocorre entre o 3º e 7º dia, com risco de choque hipovolêmico devido à perda de plasma.
Quadro clínico
Fase febril (2-7 dias): febre alta, cefaleia retro-orbitária, mialgia, artralgia, exantema maculopapular. Fase crítica (defervescência): dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos espontâneos (petéquias, epistaxe, gengivorragia), hepatomegalia, derrames pleurais/ascite, letargia/agitação. Choque: taquicardia, hipotensão, pulso filiforme, extremidades frias, tempo de enchimento capilar prolongado, oliguria.
Complicações possíveis
Síndrome do choque da dengue (SCD)
Choque hipovolêmico devido a extravasamento plasmático maciço, com hipotensão, taquicardia e perfusão tissular inadequada.
Hemorragia grave
Sangramento gastrointestinal, intracraniano ou de outros sítios, com risco de anemia aguda e óbito.
Comprometimento hepático
Hepatite aguda com elevação de transaminases, raramente insuficiência hepática fulminante.
Miocardite e insuficiência cardíaca
Inflamação miocárdica levando a arritmias ou disfunção sistólica.
Síndrome de disfunção orgânica múltipla
Falência de múltiplos órgãos (renal, respiratório, neurológico) secundária ao choque prolongado.
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A FHD é endêmica em mais de 100 países tropicais e subtropicais, com cerca de 390 milhões de infecções anuais por dengue, das quais 500.000 evoluem para formas graves. No Brasil, é a principal arbovirose, com surtos sazonais durante períodos chuvosos. Crianças e adultos jovens são os mais afetados, e a infecção secundária é o principal fator de risco para FHD.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom com diagnóstico precoce e manejo adequado, mas a mortalidade pode chegar a 20% nos casos de choque não tratado. Fatores de mau prognóstico incluem idade extrema, comorbidades, sangramento grave, choque refratário e comprometimento hepático significativo. A recuperação é completa na maioria dos casos, sem sequelas a longo prazo.
Critérios diagnósticos
Critérios da OMS (2009) para Dengue Grave: 1) Extravasamento plasmático grave (choque, acumulação de líquido com desconforto respiratório); 2) Sangramento grave (clínico ou laboratorial); 3) Comprometimento grave de órgãos (AST ou ALT ≥1000 U/L, alteração de consciência, miocardite). Para FHD, acrescenta-se: febre ou história recente, trombocitopenia (<100.000/mm³), hemoconcentação (aumento do hematócrito ≥20% do basal) ou evidência de extravasamento plasmático.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Malária por Plasmodium falciparum
Febre, cefaleia, mialgias, pode evoluir para complicações graves como malária cerebral, com hemólise e insuficiência renal, mas sem extravasamento plasmático significativo.
WHO. Guidelines for the treatment of malaria. 3rd ed. Geneva: World Health Organization; 2015.
Leptospirose
Febre, mialgias, icterícia, insuficiência renal, hemorragias, mas com exposição a água contaminada e frequentemente com conjuntivite sem exsudato.
Brasil. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. 3ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2019.
Febre amarela
Febre, cefaleia, mialgias, icterícia, hemorragias, mas com vacinação prévia ou viagem para área endêmica, e hepatite fulminante é mais proeminente.
WHO. Yellow fever: Fact sheet. Geneva: World Health Organization; 2021.
Chikungunya
Febre, artralgia intensa e incapacitante, exantema, mas raramente causa hemorragias graves ou choque.
Brasil. Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico – adulto e criança. 5ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2016.
Sepse bacteriana
Febre, hipotensão, alteração do estado mental, mas com foco infeccioso identificável e resposta a antibióticos, sem hemoconcentração típica.
Singer M, et al. The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). JAMA. 2016;315(8):801-10.
Exames recomendados
Hemograma completo
Avaliação de trombocitopenia, hemoconcentação (aumento do hematócrito), leucopenia.
Monitorar gravidade e evolução, identificar fase crítica.
Testes sorológicos (NS1, IgM/IgG)
Detecção de antígeno NS1 (fase aguda) ou anticorpos IgM (infecção primária ou secundária).
Confirmação diagnóstica da infecção por dengue.
Prova do laço
Teste de fragilidade capilar, positivo se ≥20 petéquias por 2,5 cm² após 5 minutos de compressão.
Triagem para tendência hemorrágica.
Bioquímica sérica (AST, ALT, albumina)
Avaliação de hepatite (elevação de transaminases) e hipoalbuminemia.
Detectar comprometimento hepático e extravasamento plasmático.
Raio-X de tórax/Ultrassonografia abdominal
Identificação de derrame pleural, ascite ou edema de parede vesical.
Evidência de extravasamento plasmático.
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Eliminação de criadouros de Aedes (recipientes com água parada), uso de inseticidas e larvicidas.
Proteção individual
Uso de repelentes, roupas compridas, telas em portas e janelas.
Educação em saúde
Campanhas para reconhecimento de sintomas e busca precoce de atendimento.
Vigilância e notificação
Doença de notificação compulsória imediata no Brasil. Vigilância baseia-se em casos suspeitos (febre + dois ou mais sintomas: cefaleia, dor retro-orbitária, mialgia, artralgia, prostração, exantema) com confirmação laboratorial. Medidas de controle incluem eliminação de criadouros do Aedes aegypti, educação em saúde e monitoramento de índices larvários.
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A dengue clássica apresenta sintomas como febre, cefaleia e mialgias, sem complicações graves. A febre hemorrágica da dengue é uma forma grave, com extravasamento plasmático, hemorragias e risco de choque, frequentemente associada a infecções secundárias.
O diagnóstico inclui testes sorológicos (NS1, IgM/IgG), hemograma (trombocitopenia, hemoconcentação), e critérios clínicos da OMS, como evidência de extravasamento plasmático ou sangramento grave.
Sinais incluem dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramento de mucosas, letargia, hepatomegalia, aumento do hematócrito com queda rápida de plaquetas, indicando necessidade de internação imediata.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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