Redação Sanar
CID A87: Meningite viral
A870
Meningite por enterovírus
A871
Meningite por adenovírus
A872
Coriomeningite linfocitária
A878
Outras meningites virais
A879
Meningite viral não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A meningite viral é uma inflamação das meninges (membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal) causada por infecção viral, caracterizada por um curso geralmente benigno e autolimitado em comparação com as meningites bacterianas. A fisiopatologia envolve a invasão viral do sistema nervoso central, frequentemente por via hematogênica, desencadeando uma resposta inflamatória com infiltração de células mononucleares no líquido cefalorraquidiano (LCR). O impacto clínico varia de sintomas leves, como cefaleia e febre, a manifestações mais graves, embora raras, como encefalite ou sequelas neurológicas. Epidemiologicamente, é a causa mais comum de meningite infecciosa, com incidência sazonal em regiões temperadas, afetando principalmente crianças e adultos jovens, e sendo frequentemente associada a enterovírus, que respondem por 85-95% dos casos em que o agente é identificado.
Descrição clínica
A meningite viral apresenta-se tipicamente com início agudo de cefaleia, febre, rigidez de nuca, fotofobia e mal-estar geral. Em lactantes e crianças pequenas, os sintomas podem incluir irritabilidade, choro agudo e recusa alimentar. O exame neurológico pode revelar sinais meníngeos, como sinal de Kernig ou Brudzinski, mas estes são menos proeminentes que nas meningites bacterianas. A evolução é geralmente favorável, com resolução espontânea em 7 a 10 dias, embora casos por vírus específicos (como herpesvírus ou arbovírus) possam cursar com complicações como encefalite, convulsões ou déficits neurológicos focais.
Quadro clínico
O quadro clínico inclui cefaleia intensa, febre (geralmente moderada), rigidez de nuca, náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. Em crianças, pode haver letargia ou irritabilidade. Sintomas prodrômicos, como mialgia, faringite ou exantema, são comuns em infecções por enterovírus. Em casos graves, especialmente com envolvimento parenquimatoso (meningoencefalite), podem ocorrer alteração do nível de consciência, convulsões, déficits motores ou sinais de hipertensão intracraniana. A evolução é tipicamente autolimitada, com melhora em poucos dias a semanas.
Complicações possíveis
Meningoencefalite
Extensão da inflamação para o parênquima cerebral, podendo causar convulsões, alteração de consciência ou déficits neurológicos persistentes.
Hidrocefalia
Rara, resultante de obstrução do fluxo de LCR por aderências inflamatórias, exigindo intervenção cirúrgica.
Síndrome pós-meningite
Sintomas residuais como cefaleia, fadiga ou dificuldades cognitivas, que podem persistir por semanas a meses.
Convulsões
Ocorrem em casos graves, especialmente com envolvimento cortical, necessitando de anticonvulsivantes.
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Epidemiologia
A meningite viral é a forma mais comum de meningite infecciosa, com incidência anual estimada de 10-20 casos por 100.000 habitantes em países desenvolvidos. É mais prevalente em crianças e adultos jovens, com picos sazonais no verão e outono em regiões temperadas, correlacionados com a circulação de enterovírus. Globalmente, enterovírus respondem por 85-95% dos casos identificados, enquanto herpesvírus e arbovírus são mais comuns em surtos ou áreas endêmicas. A transmissão ocorre por via fecal-oral, respiratória ou vetorial, dependendo do agente.
Prognóstico
O prognóstico da meningite viral é geralmente excelente, com recuperação completa na maioria dos casos em 7 a 14 dias. Mortalidade é rara (<1%), mas pode ocorrer em infecções por vírus neurotrópicos agressivos (como herpesvírus ou arbovírus) ou em pacientes imunodeprimidos. Sequelas neurológicas, como déficit de memória ou cefaleia crônica, são incomuns, mas mais frequentes em meningoencefalite. Fatores de pior prognóstico incluem idade avançada, comorbidades e atraso no diagnóstico.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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