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Choque séptico

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Choque séptico é definido como hipotensão arterial sistêmica que persiste após a ressuscitação volêmica ou que necessite de drogas vasoativas para manter a PAM > 90mmHg.

Bactérias gram-positivas, Gram negativas e fungos são os microrganismos que mais frequentemente causam choque séptico.

Etiologia e fisiopatologia

Lesão endotelial e microvascular difusa podem causar ou piorar a perfusão tecidual, levando ao círculo vicioso encontrado em pacientes com choque séptico.

Fatores pró-coagulantes

O choque séptico é caracterizado pelo padrão pró-coagulante, com redução de anticoagulantes naturais, redução do inibidor do fator tecidual e da trombomodulina, além do aumento do inibidor do ativador do plasminogênio tipo 1.

Fluxo microcirculatório

A formação de microtombos, agregação plaquetária, monócitos e neutrófilos, edema das células endoteliais e diminuição da capacidade de deformação das hemácias potencializa a disfunção microcirculatória, piorando a lesão endotelial, achado típico do choque séptico.

Lesão endotelial

A resposta endotelial inclui a liberação de citocinas, moléculas pró-coagulantes e fator ativador de plaquetas, aumento da expressão de moléculas de adesão e da produção de óxido nítrico.

Você também pode se aprofundar na definição da sepse, fisiopatologia da sepse, diagnóstico e conduta da sepse ou ter uma visão geral sobre a sepse.

Confira cid-sepse-posme" rel="noreferrer noopener" target="_blank">aqui o CID-10 da Sepse e sobre a sepse neonatal.

Resposta cardiovascular

Choque séptico é a forma clássica de choque distributivo caracterizado por pressão de pulso e débito cardíaco aumentados, resistência vascular sistêmica baixa (pele úmida e quente) e hipovolemia funcional (pressão venosa jugular reduzida).

Diagnóstico

Não existe um exame laboratorial específico para diagnosticar o choque séptico. Essa patologia é definida como hipotensão induzida pela sepse que persiste após ressuscitação volêmica, com necessidade de uso de drogas vasopressoras.

O base excess está relacionado a presença e gravidade do choque séptico e os seus valores são úteis para monitorizar a reposição volêmica.

Tratamento

Indivíduos em sepse grave e choque séptico devem ser levados à sala de emergência e tratados de forma rápida. As primeiras 6 a 12 horas do tratamento são essenciais e se associam à redução da morbimortalidade.

Antibioticoterapia

A realização da antibioticoterapia em menos de 1 hora do diagnóstico do choque séptico é um determinante na redução da mortalidade.

Antibioticoterapia na sepse e choque séptico. Medicina de Emergência: Revisão Rápida.

Ressuscitação volêmica

É um dos tópicos mais importantes no manuseio do paciente séptico na sala de emergência. A rápida e eficaz restauração da volemia bloqueia o ciclo vicioso do choque e reduz a necessidade de vasopressores.

  • Volume de cristaloide: 20 a 40 mL/kg; pode-se iniciar com soro fisiológico, seguido de ringer lactato (se não houver suspeita de hipercalemia ou insuficiência hepática).
  • O ringer lactato evita a acidose metabólica hiperclorêmica que pode se seguir ao uso de grandes volumes de soro fisiológico (NaCl a 0,9%).

Drogas vasoativas

Noradrenalina é a droga de escolha. Vasopressina ou epinefrina são úteis no choque refratário, adicionadas à noradrenalina. Vasopressina pode ser usada em monoterapia, como alternativa à noradrenalina.

Uso das drogas vasoativas no choque séptico. Medicina de Emergência: Revisão Rápida.

Terapia guiada por metas

Essa estratégia baseia-se num protocolo de condução inicial de pacientes com sepse grave e choque séptico ressuscitados nas primeiras 6 horas (golden hours), ainda na sala de emergência.

Variável Meta
Melhora da perfusão periférica TEC<3seg
Débito urinário ≥0,5ml/kg/h
Pressão arterial PAM ≥65mmHg
PVC 8 a 12 mmHg; Paciente intubado: 12 a 15mmHg
Ultrassom na sala de emergência Medidas seriadas são úteis
SvcO2 ≥70%
Lactato arterial ou venoso central Normalização dos valores séricos
Terapia guiada por metas.

Outras medidas

  • Insulina regular IV, em BIC, se duas glicemias consecutivas >180mg/dl.
  • Profilaxia de úlcera de estresse (indicada se houver risco de sangramento): Ranitidina ou Omeprazol.
  • Profilaxia de trombose venosa profunda: Heparina de baixo peso molecular e/ou meias compressivas ou dispositivos de compressão pneumática intermitente.
  • Transfusão de hemácias (se Hb <7g/dl).
  • Transfusão de plaquetas, se indicação.
  • Diálise.

Pontos importantes

  • As primeiras 3 a 6 horas do tratamento são essenciais para a redução da morbimortalidade;
  • Instituir antibioticoterapia precoce ( antes de 1 hora da identificação do paciente séptico);
  • Controlar o foco infeccioso;
  • Ressuscitação hemodinâmica com solução cristalóide deve ser iniciada o mais breve possível;
  • Noradrenalina se PAM<65mmHg, não responsiva aos fluidos;
  • Hidrocortisona é indicada se aumento frequente da noradrenalina ou em choque refratário a noradrenalina;
  • Vasopressina ou epinefrina são úteis no choque refratário.

Referências

Martins HS, Neto RA, Velasco IT. Medicina de emergências: abordagem prática. 14. ed. rev. e atual. Barueri, SP: Manole, 2020.

Martins H S, Santos R , Arnaud F et al. Medicina de Emergência: Revisão Rápida. 1ª edição. Barueri, SP: Manole, 2016.

Oliveira, CQ, Souza, CMM, Moura, CGG. Yellowbook: Fluxos e condutas da medicina interna. SANAR, 1ª ed, 2017.

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