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Cefaleia: o que é, classificação e tratamento

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Cefaleia: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!

A Cefaleia está entre as razões mais comuns pelas quais os pacientes procuram atendimento médico. Dessa forma, essa patologia é responsável, em um nível global, por mais incapacidade do que qualquer outro problema neurológico.

Classificação da cefaleia

O sistema de classificação desenvolvido pela International Headache Society caracteriza a cefaleia como primária ou secundária.

As primárias são que têm o sintoma da dor de cabeça sendo seu principal, sem demais sinais ou sintomas sistêmicos. Além disso, não causa lesão estrutural, tende a não ser progressiva ou originar sequelas.

Já nas secundárias, os sintomas são decorrentes de afecções sistêmicas subjacentes, sendo consequência de uma agressão causada pela doença de base, a qual pode ser grave, como:

  • Meningite
  • Hemorragia subaracnóidea (HSA)
  • Trombose venosa cerebral (TVC)
  • Tumores do sistema nervoso central

A secundária branda, como a observada em associação a infecções do trato respiratório superior, é comum, mas raramente preocupa.

A cefaleia ameaçadora à vida é relativamente incomum, mas é necessário ter vigilância a fim de reconhecer e tratar de maneira apropriada os pacientes.

Epidemiologia 

Estudos epidemiológicos têm buscado estimar a sua prevalência em diferentes populações e o seu impacto, tanto na população como no sistema de saúde. Nos ambulatórios de clínica médica, essa patologia é a terceira queixa mais frequente (10,3%), suplantado apenas por infecções de vias aéreas e dispepsias.

Nas Unidades de Saúde, é responsável por 9,3% das consultas não agendadas. Já nos ambulatórios de neurologia, é o motivo mais frequente de consulta. Pacientes com cefaleia representam 4,5% dos atendimentos em unidades de emergência.

Dessa forma, essa patologia é o quarto motivo mais frequente de consulta nas unidades de urgência. Tendo por base esses dados, justifica-se a elaboração de um protocolo clínico para condução e tratamento das cefaleias nas unidades de urgência do Brasil.

No ano de 2012 foi feita uma análise mundial dos dados de cefaleia analisando a prevalência do sintoma pela International Association for the Study of Pain. Foi constatado que 50% da população geral tem dor de cabeça durante um determinado ano e mais de 90% refere história de cefaleia durante a vida.

Tipos de cefaleia primária 

Pacientes com dor de cabeça podem descrever a dor como latejante, como uma faixa ou contínua, mas ela pode ser moderada a grave, interferindo nas atividades.

Cada tipo de dor associado à sua localização e intensidade pode ser associado a um tipo de cefaleia primária:

  • Tensional
  • Enxaqueca
  • Em salvas
  • Idiopática

Cefaleia tensional

Dores de cabeça do tipo tensional geralmente são de intensidade leve a moderada, e a maioria dos indivíduos não procura atendimento.

Nesse tipo de dor de cabeça podem ocorrer crises episódicas, com menos de 15 dias por mês, ou crônicas, ocorrendo em mais de 15 dias por mês.

Enxaqueca

A enxaqueca geralmente começa com um sinal anunciador, que pode persistir durante horas a dias, por exemplo, quando os pacientes observam dificuldade de concentração ou fadiga, sem dor de cabeça.

A dor de cabeça tem como principal característica a unilateralidade, mas pode ser:

  • Unilateral ou bilateral
  • Latejante
  • Moderada a grave
  • Piora com a atividade.

Uma aura pode ou não ocorrer, mas é geralmente presente antes da dor de cabeça começar.

Cefaleia em salvas

As crises de dor de cabeça em salvas são quase sempre unilaterais, sendo raramente bilaterais. No geral, acompanham-se de sinais autonômicos ipsilaterais, comumente incluindo:

  • Lacrimejamento
  • Hiperemia conjuntiva
  • Às vezes congestão nasal, rinorreia, miose, rubor e edema palpebral.

Como fazer o diagn´´óstico da cefaleia?

O paciente que se apresenta com cefaleia grave recente tem um diagnóstico diferencial bem diferente do paciente com dores de cabeça recorrentes durante muitos anos.

O diagnóstico e o tratamento baseiam-se em uma abordagem clínica que é amplificada pelo conhecimento da anatomia, fisiologia e farmacologia das vias do sistema nervoso que medeiam as várias síndromes de cefaleia.

Na cefaleia intensa e de início recente, a probabilidade de se encontrar uma causa potencialmente grave é bem maior do que na cefaleia recorrente. Os pacientes com início recente da dor exigem avaliação imediata e tratamento adequado.

As causas graves a serem consideradas consistem em:

  • Meningite
  • Hemorragia subaracnóidea
  • Hematomas extradural ou subdural
  • Glaucoma
  • Tumor
  • Rinossinusite purulenta

Quando sinais e sintomas preocupantes estão presentes, também conhecidos como sintomas RED FLAG, o diagnóstico e o tratamento rápidos tornam-se cruciais.

Red flag 

Os principais red flags são:

  • Pior cefaleia da vida
  • Mudança no padrão da cefaleia
  • Progressão ou alteração na frequência e severidade
  • Provocada pela Manobra de Valsava
  • Piora da cefaleia com a postura
  • Papiledema
  • Sintomas neurológicos ou achados anormais (confusão, alteração do nível de consciência, mudança no comportamento e personalidade, papiledema, diplopia, zumbido, sintomas neurológicos focais, meningismo e convulsões)
  • Sintomas sistêmicos, doença ou condição associada (febre, calafrios, mialgia, sudorese noturna, perda de peso, câncer, infecção, arterite de células gigantes, gravidez, puerpério, estado de imunossupressão, incluindo HIV)

A cefaleia em trovoada – do inglês, thunderclap headache – é uma dor de cabeça que já começa muito forte. Tem início súbito, exatamente a exemplo de um ressoar de trovão, instantâneo, que atinge máxima intensidade de segundos a menos de um minuto depois que a dor se instala, muito forte, que assusta o paciente e pode causar desequilíbrio.

Existe a possibilidade desse tipo particular de cefaleia ser sinal da existência de um aneurisma no cérebro. Este tipo de cefaleia requer avaliação urgente.

Anamnese na cefaleia

Uma anamnese adequada, seguindo a lista de perguntas para definição da dor, seguidos de um exame neurológico cuidadoso são as primeiras etapas imprescindíveis na avaliação de uma anamnese.

Na maioria dos casos, os pacientes com exame anormal ou história de cefaleia de início recente devem submeter-se a uma tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) e também exames laboratoriais, de acordo com a suspeita.

Exames de imagem

Como procedimento de rastreamento inicial para patologia intracraniana os métodos de TC e RM parecem ser igualmente sensíveis. Em algumas circunstâncias, uma punção lombar (PL) também é necessária, a menos que se possa estabelecer uma etiologia benigna.

Uma avaliação geral de cefaleia aguda pode incluir as artérias cranianas, coluna cervical, pesquisa do estado cardiovascular e renal por monitoramento da pressão arterial e exame de urina, e olhos por fundoscopia, medição da pressão intraocular e refração.

O estado psicológico do paciente também deve ser avaliado, pois existe relação entre cefaleia e depressão. Isso se destina a identificar a comorbidade em vez de fornecer uma explicação para a cefaleia, porque a cefaleia problemática raramente é simplesmente causada por mudança do humor.

Tratamento da cefaleia

Embora seja notável que os medicamentos com ações antidepressivas também sejam eficazes no tratamento profilático tanto da cefaleia do tipo tensional como da enxaqueca, cada sintoma deve ser tratado de maneira ideal. Distúrbios com cefaleia recorrente subjacente podem ser ativados pela dor que ocorre após procedimentos otológicos ou endodônticos.

Assim, a dor de cabeça em consequência de um tecido enfermo ou traumatismo pode reativar uma síndrome de enxaqueca que de outra maneira estaria quiescente.

O tratamento é, em grande parte, ineficaz até que a causa do problema primário seja abordada. O tumor cerebral é uma causa rara de cefaleia e, ainda menos comumente, de dor intensa. A maioria dos pacientes que apresentam cefaleia grave tem causas benignas.

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Referência bibliogr´áfica

  • Kasper DL et al. Manual de Medicina de Harrison. [S.l.]: McGraw Hill Brasil, 2017.
  • Sociedade Brasileira de Cefaleia [Internet]. [acesso em 07/05/2021]. Disponível em: .

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