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Cedilanide: indicações, mecanismo de ação e cuidados na prescrição

Cedilanide

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A Cedilanide, ou cedilanida, é um glicosídeo cardíaco pertencente ao mesmo grupo farmacológico da digoxina e da digitoxina. Utilizada principalmente no tratamento de insuficiências cardíacas e distúrbios do ritmo, essa medicação apresenta um índice terapêutico estreito, exigindo prescrição criteriosa e monitoramento rigoroso.

O que é a Cedilanide?

A Cedilanide é derivada da Digitalis lanata e apresenta propriedades inotrópicas positivas, cronotrópicas negativas e batmotrópicas negativas. Dessa forma, seu nome comercial mais conhecido no Brasil é Cedilanide (ou Cedilanide etilsulfato).

Mecanismo de ação

A ação da Cedilanide está relacionada à inibição da bomba Na⁺/K⁺-ATPase na membrana das células miocárdicas. Dessa forma, isso leva a um aumento na concentração intracelular de sódio, o que, por sua vez, reduz a troca de cálcio através do trocador Na⁺/Ca²⁺. Assim, como consequência, há um acúmulo de cálcio intracelular, fundamental para a melhora da contratilidade cardíaca.

Além do efeito inotrópico positivo, a Cedilanide também:

  • Reduz a frequência cardíaca (efeito cronotrópico negativo) por aumento do tônus vagal
  • Diminui a condução atrioventricular, especialmente útil em arritmias supraventriculares.

Indicações clínicas

Pode-se indicar a Cedilanide nos seguintes contextos clínicos:

Insuficiência cardíaca congestiva (ICC)

É utilizada para melhorar os sintomas e a tolerância ao exercício físico em pacientes com insuficiência cardíaca sistólica, especialmente quando há fração de ejeção reduzida (ICFEr). No entanto, seu uso atual é cada vez mais restrito, com preferência por outras drogas que oferecem maior segurança e benefícios na mortalidade, como inibidores da ECA, beta-bloqueadores e antagonistas da aldosterona.

Fibrilação atrial com resposta ventricular rápida

Nos pacientes com fibrilação atrial persistente ou permanente, a Cedilanide pode ser usada para controle da frequência cardíaca, sobretudo quando os betabloqueadores e bloqueadores dos canais de cálcio estão contraindicados ou não são eficazes.

Importante: seu efeito é mais limitado em contextos de alta atividade simpática, como em pacientes críticos.

Farmacocinética e posologia

A Cedilanide apresenta início de ação mais rápido que a digoxina e uma meia-vida mais curta, o que pode ser vantajoso em situações que exigem ajuste fino da dose ou descontinuação rápida do efeito.

  • Administração: oral ou intravenosa
  • Início de ação: cerca de 5 a 30 minutos (IV)
  • Meia-vida: em torno de 24 horas
  • Excreção: renal.

Cuidados na prescrição

Monitoramento de níveis plasmáticos

Devido ao estreito intervalo terapêutico, é fundamental monitorar os níveis séricos, principalmente em pacientes idosos, renais crônicos e em uso de outras medicações que alteram sua farmacocinética.

  • Nível terapêutico ideal: 0,8–2,0 ng/mL
  • Níveis acima de 2,0 ng/mL estão associados a maior risco de toxicidade.

Ajuste em insuficiência renal

A excreção da Cedilanide é predominantemente renal. Portanto, deve-se reduzir as doses conforme o grau de disfunção renal, para evitar acúmulo e toxicidade.

Hipocalemia e hipomagnesemia

Distúrbios eletrolíticos, como hipocalemia, hipomagnesemia bem como a hipercalcemia, aumentam a sensibilidade do miocárdio aos glicosídeos cardíacos e elevam o risco de arritmias.

  • Reposição adequada de eletrólitos é crucial.
  • Atenção redobrada em pacientes em uso de diuréticos de alça ou tiazídicos.

Interações medicamentosas

A Cedilanide interage com uma ampla variedade de medicamentos, podendo elevar seus níveis séricos ou potencializar seus efeitos adversos:

MedicamentoEfeito na Cedilanide
AmiodaronaAumenta níveis séricos
VerapamilAumenta toxicidade
Diuréticos (furosemida)Potencializam hipocalemia
Antibióticos (eritromicina, claritromicina)Reduzem depuração intestinal
RifampicinaReduz níveis séricos

Sinais de toxicidade digital

A toxicidade por glicosídeos cardíacos pode ser grave e inclui:

  • Náuseas, vômitos, anorexia
  • Alterações visuais (xantopsia)
  • Bradicardia
  • Arritmias ventriculares (bigeminismo, taquicardia ventricular)
  • Bloqueios atrioventriculares

Nos casos graves, pode-se considerar o uso de anticorpos específicos anti-glicosídeos (Digibind®), embora o uso seja melhor estabelecido para a digoxina.

Contraindicações

  • Bloqueios atrioventriculares avançados, sem marcapasso
  • Bradicardia sinusal significativa
  • Síndrome de Wolff-Parkinson-White com fibrilação atrial
  • Hipocalemia ou hipomagnesemia não corrigidas
  • Miocardiopatia hipertrófica obstrutiva.

Cedilanide ainda é usada atualmente?

Apesar de sua eficácia, a Cedilanide tem sido progressivamente substituída por agentes mais seguros e com maior respaldo em estudos de desfecho clínico. Dessa forma, a digoxina ainda é a droga mais comumente utilizada entre os glicosídeos cardíacos.

Assim, em muitos serviços, a Cedilanide não está mais disponível na prática clínica rotineira, sendo seu uso reservado a casos específicos ou por protocolos institucionais antigos.

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Referência bibliográfica

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