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Cateteres e sondas: guia completo para atuar em UTI

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Entenda melhor como deve ser feita a manutenção de cateteres e sondas no ambiente da UTI para uma melhor abordagem ao seu paciente. Bons estudos!

Os cateteres e sondas são instrumentos muito utilizados no ambiente da Unidade de Terapia Intensiva. Saber manusear, usar e bem indicá-los é fundamental para conforto e bem estar para o paciente.

Sonda vs Cateter: qual é a diferença entre ambos?

Tanto a sonda como o cateter são dispositivos para diversas finalidades importantes na UTI. Dentre elas, temos:

  • Coleta de fluidos;
  • Drenagem de líquidos;
  • Infusão de medicamentos;
  • Monitoração de parâmetros vitais;
  • Suporte terapêutico.

No entanto, as sondas e cateteres se distinguem em alguns pontos.

  1. Local de acesso:
    • Sonda: cavidades do corpo, como a bexiga, o estômago ou o intestino, para fins de coleta, drenagem ou administração de substâncias.
    • Cateter: vasos sanguíneos, artérias ou veias, para infusão de medicamentos, colheita de sangue, monitoramento hemodinâmico ou drenagem de fluidos.
  2. Inserção:
    • Sonda: inseridas em cavidades ou tratos do corpo, como a uretra para drenagem urinária (sonda vesical), o esôfago ou o estômago para administração de alimentos ou medicamentos (sonda nasogástrica), ou o reto para administrar medicamentos ou realizar enemas (sonda retal).
    • Cateter: inseridos em veias periféricas (cateter venoso periférico), grandes veias centrais (cateter venoso central) ou artérias (cateter arterial).

Em resumo, a principal diferença entre sonda e cateter está relacionada ao local onde são inseridos e aos propósitos específicos para os quais são utilizados.

Tipos de cateteres e sondas utilizadas na UTI: conheça os dispositivos

Devido à necessidade constante de monitorização e à debilitação dos pacientes em UTI, diversos cateteres e sondas são necessários nesse ambiente.

A sonda nasogástrica, orogástrica e nasoenteral são muito vistas na UTI (respectivamente na imagem abaixo). São muito usadas para descompressão gástrica, alimentação enteral e administração de medicamentos. Quanto à elas, é válido salientar que a sonda orogástrica só pode ser passada em pacientes insconscientes, devido ao reflexo do vômito.

A sonda nasoenteral possui em seu final um sistema de peso, que favorece o seu deslocamento para a posição pós pilórica. Percebe-se ainda que a sonda orogástrica é mais calibrosa que a nasogástrica.

cateteres e sondas
Sondas narogástrica, orogástrica e nasoenteral.

Em outra perspectiva, temos uma quarta sonda muito frequente, em especial nos pacientes em UTI, cujo repouso é absoluto: sonda vesical de demora (SVD). Sua função é esvaziar a bexiga e monitorar o débito urinário, é inserida pela uretra até a bexiga e fixada em sua extremidade externa.

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Sonda de Foley 2 vias.

Os cateteres são também muito comuns na UTI, principalmente para monitorização de pressão arterial, pulmonar e craniana dos pacientes.

O cateter de Swan-Ganz é conhecido como cateter de artéria pulmonar. Sua função é de monitorização da pressão na circulação pulmonar, colaborando para se compreender a hemodinâmica do paciente.

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Cateter de Swan-Ganz.

Os cateteres também podem ser usados para drenagem, sendo exemplos os cateteres de Drenagem Pleural e Peritoneal. Ainda, os Cateteres de Hemodiálise, utilizados para pacientes em tratamento de diálise na UTI, permitem a remoção do sangue do paciente, filtragem e retorno ao sistema circulatório.

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Cateter de Hemodiálise.
Via vermelha: sangue que vai para a máquina de diálise. Via azul: sangue que retorna da máquina de diálise.

Técnicas de inserção das sondas nasoenteral, oro e nasogástricas: entenda o passo a passo

Antes de qualquer procedimento, caso o paciente esteja acordado, deve ser informado sobre a necessidade e como será realizado. Por isso, esse passo está incluído na técnica de realização do procedimento.

Em seguida, o profissional deve realizar a higienização simples das mãos e colocação de luvas de procedimento.

Em seguida o paciente deve ser colocado em posição de Fowler (cabeceira a 45° e pernas semiflexionadas). Essa posição permite maior conforto durante o procedimento. É evidente que será realizado caso possível.

Nasogástrica (tipo Levin)

A medição da sonda será feita: nariz → ponta da orelha → processo xifoide, evitando deixar a sonda tocar no paciente, marcando seu final com um esparadrapo.

Medição da sonda nasogástrica.

A sonda deve ser lubrificada com lidocaína em gel, até o local demarcado, para maior conforto. Em seguida, segue-se o passo a passo:

  1. Flexionar a cabeça do paciente em direção ao esterno (facilita suboclusão de vias aéreas).Introduzir a sonda na cavidade nasal e avançá-la horizontalmente (em caso de resistência, tentar na narina contralateral).
  2. Se o paciente estiver consciente, pedir para que ele faça movimentos de deglutição ou oferecer um pouco de água para facilitar a passagem da sonda.
  3. Caso o paciente tussa excessivamente ou não consiga falar, é possível que a sonda tenha sido introduzida na traqueia. Deve-se removê-la e iniciar novamente o procedimento.
  4. Injetar aproximadamente 20 ml de ar e auscultar os RHA no epigástrio. *
  5. Cortar o esparadrapo ou micropore longitudinalmente até a metade (em forma de calça). Em seguida, colar a porção íntegra sobre o dorso nasal e, com a porção seccionada, envolver a sonda (atentando-se para não ocluir a narina com o esparadrapo).
  6. Fixar a sonda na região temporomandibular ou na fronte com uma camada de esparadrapo ou micropore por baixo da sonda e outra por cima. Cuidado para não tracionar a asa nasal
    excessivamente e provocar ulceração ou necrose.
  7. Confirmar o posicionamento da sonda através da radiografia simples de tórax (inferior) e de abdome (superior). Caso a sonda esteja após o piloro, deve-se tracioná-la para minimizar o risco de anormalidades eletrolíticas.

Orogástrica (tipo Fouché)

A técnica é muito semelhante à sonda nasogátrica, com as seguintes particularidades:

  1. Medição: ângulo da boca → ponta da orelha → processo xifoide;
  2. Lubrificação: é utilizada Lidocaína Spray na cavidade oral.
  3. A introdução é feita pela boca.
  4. Fixação: é feita com uma fita adesiva (esparadrapo ou micropore) que deve ter uma ponta fixada em um lado da face; em seguida, deve-se envolver a sonda e o protetor antimordedura e sua outra ponta deve, então, ser fixada do outro lado da face. O protetor antimordedura é
    feito com um pequeno rolo de gaze e deve ter diâmetro maior que a sonda.

Deve ser colocado entre os dentes, em paralelo à sonda, e não em torno dela, de forma a evitar que o paciente morda a sonda ou oclua o seu lúmen. É importante salientar que pode ser utilizada uma cânula
de Guedel
ao em vez do protetor antimordedura.

Nasoenteral/Enteral

A grande particularidade desse tipo de sondagem é que, diferente das sondas nasogástrica e orogátrica, ela é pós-pilórica. Por isso, costuma ser escolhida para situações em que sua necessidade é de longo prazo.

Quanto ao procedimento, seguindo o mesmo passo a passo inicial descrito até o posicionamento do paciente, temos:

  1. Medição: nariz → ponta da orelha → processo xifoide + 10 cm (deslocamento para o duodeno), com marcação com esparadrapo;
  2. Conferir a presença e mobilidade do fio-guia na sonda.
  3. Injetar água dentro da sonda, como forma de lubrificação.
  4. Mergulhar a extremidade da sonda em copo com água para lubrificá-la. A sonda nasoenteral possui um lúmen interno com sistema de peso para facilitar a sua migração para o duodeno, revestidos por uma substância lubrificante hidrófila.
  5. Introduzir a sonda em uma das narinas, pedindo ao paciente que degluta.
  6. Injetar aproximadamente 20 ml de ar e auscultar RHA no epigástrio; Cortar o esparadrapo ou micropore longitudinalmente até a metade (em forma de calça). Em seguida, colar a porção íntegra sobre o dorso nasal e, com a porção seccionada, envolver a sonda (atentando-se para não ocluir a narina com o esparadrapo).
  7. Fixar a sonda na região temporomandibular ou na fronte com uma camada de esparadrapo ou micropore por baixo da sonda e outra por cima. Cuidado para não tracionar a asa nasal excessivamente e provocar ulceração ou necrose.
  8. Realizar a primeira radiografia simples de tórax (inferior) e de abdome (superior) e retirar o fio-guia após a confirmação da localização pós-pilórica da sonda.
  9. Aguardar a migração da sonda para duodeno antes de administrar alimentação. A migração da sonda ocorre de 4h a 24h, devendo essa ser confirmada pela segunda radiografia (24h depois da primeira).
  10. Liberar dieta após a segunda confirmação radiológica.

Cuidados diários e troca de curativos: manutenção adequada dos cateteres e sondas

Os cuidados na manutenção de cateteres e sondas são fundamentais para evitar possíveis complicações, que trataremos adiante.

Especialmente na UTI, diretrizes gerais para os cuidados diários e troca de curativos em cateteres e sondas devem ser levados em conta pela equipe. É fundamental que o profissionais sejam muito bem treinados para o manejo do paciente.

  1. Lavagem adequada das mãos ao manuseio. Antes de realizar qualquer procedimento relacionado aos cateteres ou sondas, é crucial lavar as mãos com água e sabão ou utilizar álcool em gel para garantir a assepsia e reduzir o risco de contaminação;
  2. Inspeção diária do sítio, quanto a sinais de inflamação, inchaço, vermelhidão, dor ou secreção;
  3. Troca de curativos, seguindo as especificidades de cada procedimento. É importante se atentar para a integridade da pele de apoio para o curativo, além da chance de isquemia e ulcerações, especialmente em sondagens nasogástrica e nasoenteral.
  4. Limpeza do local de inserção cuidadosamente o local de inserção do cateter ou sonda com soluções antissépticas apropriadas antes de aplicar o novo curativo.
  5. Registro de trocas e cuidados, incluindo a data, hora e detalhes relevantes.
  6. Monitorização contínua, acompanhando continuamente o estado do cateter ou sonda, verificando o fluxo, a presença de obstruções e a integridade do dispositivo.

Como cada cateter e sonda possui especificações, é fundamental seguir as diretrizes da instituição e estar atualizado.

O trabalho em equipe, a atenção aos detalhes e a adoção de práticas assépticas são fundamentais para o sucesso da manutenção desses dispositivos em um ambiente crítico como a UTI.

Complicações comuns associadas ao uso das sondas e cateteres na UTI

O uso de sondas e cateteres na UTI é essencial para fornecer cuidados intensivos e monitorar os pacientes de forma adequada.

No entanto, esses dispositivos estão associados a diversas complicações que podem ocorrer durante o período de uso. É importante que a equipe médica esteja atenta a essas possíveis complicações para identificá-las precocemente e tomar as medidas necessárias.

As infecções são complicações muito conhecidas a respeito das sondas e cateteres. A Staphylococcus aureus, Enterococcus e Pseudomonas aeruginosa são agentes muito preocupantes nesses casos.

Nos atentando a complicações menos comentadas, temos a trombose. A formação de coágulos sanguíneos no vaso pode resultar em embolia pulmonar ou isquemia tecidual. Em seguida, a obstrução pode ocorrer devido à trombose.

A migração ou deslocamento também é possível. Os cateteres podem se mover de sua posição adequada ou se deslocar para áreas inapropriadas do corpo, resultando em perda de acesso vascular efetivo ou outros problemas.

Ainda, a síndrome do desuso pode ocorrer devido a uma prolongada permanência de cateteres pode levar à síndrome do desuso, caracterizada pela diminuição do fluxo sanguíneo local e potencial atrofia muscular.

Orientações para o paciente e seus familiares sobre o uso dos cateteres e sondas

Tão importante quanto bem indicar e cuidar do uso de dispositivos como cateteres e sondas na UTI, é orientar o paciente e familiares sobre seus cuidados em casa.

É importante que seja explicada a importância do dispositivo e seu propósito. Destaque a importância de manter as mãos limpas antes de tocar no cateter ou sonda, bem como antes de qualquer procedimento relacionado a ele.

Explique ao paciente e aos familiares quais atividades devem ser evitadas durante o uso do cateter ou sonda e quais cuidados especiais são necessários para garantir o correto funcionamento do dispositivo.

Ainda, é válido ensinar ao paciente e seus familiares a reconhecerem os sinais de possíveis complicações. Infecções, obstruções ou lesões devem ser monitoradas.

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Perguntas frequentes

  1. O que é um cateter venoso central (CVC)?
    O CVC é um cateter inserido em uma veia de grande calibre, utilizado para infusões e monitorização em UTI.
  2. Quais são as complicações mais comuns associadas ao uso de sondas e cateteres em UTI?
    As complicações mais comuns incluem infecções, trombose, obstrução e migração dos dispositivos.
  3. Quais são os principais cuidados diários para a manutenção adequada de cateteres e sondas na UTI?
    Higienização das mãos, inspeção diária do local de inserção, troca de curativos seguindo técnicas assépticas e fixação adequada dos dispositivos.

Referências

  1. Roteiro “Sondas e Drenos” – Monitoria de Habilidades Cirúrgicas I | Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.
  2. Complications of urinary bladder catheters and preventive strategies. Anthony J Schaeffer, MD. UpToDate

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