Saiba tudo sobre os casos de pacientes transplantados infectados por HIV, como está o andamento dos casos e mais.
O transplante de órgãos é uma das conquistas mais significativas da medicina moderna, oferecendo uma nova chance de vida para milhões de pessoas com doenças crônicas ou terminais.
No entanto, a realização de um transplante não é uma tarefa simples; exige uma abordagem rigorosa e segura para garantir o sucesso do procedimento e a saúde a longo prazo do receptor.
Dessa forma, esse artigo irá te orientar sobre os casos de pacientes que fizeram transplante de órgãos e adquiriram infecções por HIV.
Como funciona o transplante de órgãos?
O transplante de órgãos é um procedimento cirúrgico que consiste em substituir um órgão ou tecido doente ou danificado por um órgão saudável de um doador.
Esse tratamento é indicado para pacientes com falência ou doença irreversível de órgãos vitais, como coração, pulmões, fígado, rins, ou pâncreas, que não têm outras opções de tratamento eficazes. Dessa maneira, o objetivo é restaurar a função normal do órgão e melhorar a qualidade de vida do receptor.
Por isso, algumas etapas são realizadas antes de realizar o transplante.
Etapas do processo de transplante
As etapas que costumam ser feitas são caracterizadas por:
- Avaliação do paciente;
- Encontrar um doador (falecido ou vivo);
- Triagem de compatibilidade (tipo sanguíneo, compatibilidade HLA, tamanho do órgão e tempo na lista de espera);
- Cirurgia de transplante;
- Pós operatório;e
- Acompanhamento.
Com o avanço da medicina, o transplante de órgãos tem se tornado uma opção cada vez mais viável, com melhores resultados e maiores taxas de sucesso.
Casos transplantados infectados por HIV
Recentemente, seis pessoas que estavam na fila do transplante receberam órgãos de dois doadores que testaram positivo para o vírus do HIV e, consequentemente, foram infectados.
O caso é um acontecimento antes não visto, segundo a Comissão de Infecção em Transplante da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Afinal, o serviço de transplantes do Rio de Janeiro já salvou mais de 16 mil vidas desde o ano de 2006.
Com isso, no momento, de acordo com a Fiocruz, um dos pacientes está internado em estado grave, porém, não é certeza que seja devido ao vírus. No entanto, o vírus dificulta a recuperação do paciente que possui 75 anos.
Ele foi transplantado no mês de maio de 2024 e descobriu em setembro a contaminação.
Como foi a descoberta dos casos de transplantados infectados?
A descoberta ocorreu em setembro quando um dos pacientes transplantados apresentou sintomas neurológicos.
Em seguida, amostras dos órgãos coletados pela mesma pessoa foram coletados e foi realizado um teste que confirmou a contaminação.
Investigações sobre os casos de transplantados infectados
De acordo com as investigações, o governo do Rio de Janeiro contratou a empresa privada PCS Lab Saleme e firmou contrato em dezembro de 2023, com duração de 12 meses.
A Polícia Civil do Rj afirmou que os casos possuíram falha operacional que visavam lucro. Além disso, durante a investigação, a ANVISA esteve no laboratório PCS e descobriu não só a ausência de kits para exames de sangue, como também a falta de notas fiscais das compras dos materiais.
Medidas tomadas
Com a gravidade do caso, imediatamente, o Ministério da Saúde adotou as seguintes medidas:
- O MS realizou a solicitação da interdição cautelar do Laboratório PCS Saleme/RJ;
- Determinou que a testagem de todos os doadores de órgãos no Rio de Janeiro voltasse com a realização exclusivamente pelo Hemorio, utilizando o teste NAT;
- Ordenou a retestagem do material de todos os doadores de órgãos feitas pelo Laboratório PCS Saleme/RG, com o intuito de identificar possíveis novos casos falso-negativos;
- Determinou que o grupo de pacientes receptores de transplantes de órgãos dos doadores infectados, bem como seus contatos, recebessem total atendimento especializado, e
- Além disso, determinou a instalação de auditoria urgente pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS – DENASUS – no sistema de transplante do Rio de Janeiro, e a apuração de eventuais irregularidades na contratação do referido laboratório, dentre outras providencias.
Impactos com o acontecimento
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil possui o maior programa público de transplante de órgãos, tecidos e células do mundo. O programa tem garantia para toda a população brasileira através do Sistema Único de Saúde – SUS. Esse sistema é responsável pelo financiamento de cerca de 88% dos transplantes no país.
Apesar do grande volume de procedimentos de transplantes realizados, a quantidade de pessoas em lista de espera para receber um órgão ainda é grande.
Dessa maneira, esse acontecimento balança a confiança no sistema público de saúde, que atende uma grande demanda de pessoas no país.
No entanto, mesmo diante da gravidade do caso, o Sistema Nacional de Transplantes possui uma estrutura consolidada e reconhecida por sua segurança e eficiência, com mais de 9 mil transplantes de órgãos realizados apenas em 2023.
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Assista também um vídeo do Ministério da Saúde sobre os casos de transmissão do HIV por meio de transplantes de órgãos:
Referências
- Sistema Nacional de Transplantes — Ministério da Saúde
- Ministério da Saúde anuncia medidas no caso da contaminação de órgãos — Agência Gov
- Esclarecimentos sobre conteúdos falsos no caso de transplantes de órgãos contaminados pelo HIV
- Paciente infectado por HIV após transplante é internado, diz Secretaria de Saúde do RJ | Rio de Janeiro | G1