Índice
Identificação do paciente
G.H.S., sexo masculino, 62 anos, tabagista.
Queixa principal
Mudança do padrão de tosse há 3 meses.
História da doença Atual (HDA)
Chega ao atendimento da LAMEM, com queixa de mudança do padrão de tosse há 3 meses, tronando-se produtiva e recente expectoração de sangue vivo. Durante a anamnese, apresenta “rouquidão”.
Relata ainda dispneia em atividades rotineiras e fadiga, com afastamento do trabalho informal de marceneiro, que exercia sem orientação e uso de EPI. Nos últimos 2 ou 3 meses paciente relata diminuição do apetite e perda de peso de 13 kg. G.H.S.
Nega sudorese noturna, febre ou calafrios. Nega uso de medicamentos. O exame clínico revela baqueteamento digital, ausência de cianose e aumento dos linfonodos supraclaviculares.
Suspeitas diagnósticas
Provável diagnóstico: carcinoma broncogênico.
Exame físico
Raio-X torácico em PA e Perfil: revela presença de massa a esclarecer.


Discussão do caso de Carcinoma Broncogênico
É importante uma análise dos tipos de cânceres de pulmão na perspectiva anatomo-patológico, os quais são: pequenas células e não-pequenas células (85%).
Cabe salientar que o tumor de não-pequenas células corresponde a um grupo heterogêneo composto de três tipos histológicos principais e distintos: carcinoma epidermóide, adenocarcinoma e carcinoma de grandes células.
Dentre os tipos celulares restantes, destaca-se o carcinoma indiferenciado de pequenas células, com os três subtipos celulares: linfocitóide (oat cell), intermediário e combinado (células pequenas mais carcinoma epidermóide ou adenocarcinoma).
O “carcinoma broncogênico” já foi uma designação específica do câncer originado no brônquio, geralmente carcinoma de células pavimentosas (oat cells = células em aveia) ou de pequenas célula, atualmente o termo se refere a qualquer câncer do pulmão.
Epidemiologia do carcinoma broncogênico
Segundo o livro “Bases Patológicas das doenças” de Robbins, o câncer de pulmão atualmente é o principal câncer diagnosticado com maior frequência no mundo e a causa de mortalidade por câncer mais comum no mundo todo. Isso se deve, em grande parte, aos efeitos carcinogênicos do tabagismo.
Uma variedade de tumores benignos e malignos pode surgir no pulmão, sendo os carcinomas os mais comuns, correspondendo a 90-95% dos casos.
Exames
De acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer), o exame de raio-X do tórax pode ser complementado por tomografia computadorizada para direcionar o diagnóstico. Além disso, a broncoscopia precisa ser realizada para avaliar a árvore traqueobrônquica e, eventualmente, permitir a biópsia. Nesse sentido, para obtenção de um diagnóstico seguro, é necessária a aplicação da citologia ou patologia.
Sinais e sintomas do carcinoma broncogênico
A maioria dos casos e CA de pulmão se origina na mucosa dos grandes brônquios e cursa com tosse produtiva e persistente. Em determinados casos há hemoptise (expectoração de sangue). As células malignas (cancerosas) podem ser detectadas no escarro.
A rouquidão do paciente e o aumento dos linfonodos claviculares são importantes achados, que nos direcionam ao grau de propagação tumoral. Um dos critérios para determinar o estadiamento (avanço metastático) é a análise dos linfonodos regionais.
Os linfonodos supraclaviculares já foram denominados de linfonodos sentinelas, pela probabilidade de malignidade. Atualmente, tal classificação é utilizada apenas para que os que recebem o sangue de uma área contendo o câncer, após injeção de corante marcador radioativo (tecnécio-99). A rouquidão indica uma provável disseminação de células tumorais, causando a paralisia do nervo laríngeo recorrente.
O baqueteamento digital está envolvido com a liberação de PDGF (platelet-derived growth factor) e VEGF (vascular endothelial growth factor). Isso porque o carcinoma broncongênico fez com que os megacarióticos fossem liberados na circulação sistêmica antes de serem fragmentados.
Consequentemente, houve o aprisionamento de microêmbolos plaquetários nos leitos ungueais, permitindo que as plaquetas interagissem com células endoteliais e produzissem fatores de crescimento. Tais fatores podem ser exemplificados pelo PDGF e o VEGF.
Por fim, convém salientar que esses fatores induzem a hiperplasia vascular, edema e proliferação de fibroblastos em nível periférico nas unhas, fazendo com que a pessoa adquira o aspecto típico do baqueteamento digital.
Mecanismo molecular do câncer
Diversas são as causas do processo oncogênico, tais quais: mutações pontuais que levam a substituições de aminoácidos; mutações em “stop” códons que podem desorganizar a sequência da proteína; descontrole ou instabilidade cromossômica resultando em amplificação, super-expressão ou expressão inapropriada de um gene em particular; perda de um gene ou sua fusão com outro gene como resultado de uma quebra; modificações epigenéticas do DNA, onde a mais importante é a metilação da citosina nas ilhas CpG levando ao silenciamento gênico.
LAMEM – Liga Acadêmica de Medicina Molecular
Referências:
- Oncologia Básica
- Anatomia orientada para a clínica (MOORE)
- Bases Patológicas das doenças (ROBBINS)
- INCA (Instituto Nacional do Câncer)
- Hipocratismo digital: quando os dedos denunciam… (MARTINS et al, 2009).