A insuficiência cardíaca é uma patologia de significativa
importância socioeconômica. Com elevada incidência mundial e alto custo
hospitalar, é uma doença muitas vezes negligenciada, com repercussões graves e
alta letalidade, o que a torna um importante problema de saúde pública.
Pode ser
definida como a incapacidade do coração em manter o débito cardíaco adequado à
demanda metabólica dos tecidos (GISMONDI,2018). Apresenta manifestações clínicas
variáveis, com diferentes graus de severidade, que podem ser graduados de
acordo com as classificações de NYHA.
Métodos diagnósticos são utilizados a fim de comprovar a patologia,
como radiografia de tórax, que demonstra aumento da área cardíaca, e eletrocardiograma,
que pode apresentar-se de maneiras variadas, como alterações isquêmicas,
fibrilação atrial, bloqueio de ramos e outros. Mas o exame padrão-ouro é o
ecocardiograma, onde nota-se alteração das dimensões das câmaras cardíacas e
fração de ejeção.
Diante da necessidade diagnóstica e terapêutica específica precoce,
sobretudo nos casos graves, faz-se fundamental o seu rápido reconhecimento e
manejo clínico, possibilitando a evolução mais favorável.
O objetivo deste relato é evidenciar a evolução de uma paciente
com edema agudo pulmonar, resposta de descompensação clínica da doença de base
por infecção pelo COVID-19.
Relato de caso
I.G.F, gênero feminino, 45 anos, parda, casada, costureira e moradora de zona urbana no município de Italva, Rio de Janeiro. Inicia quadro de dispneia aos pequenos esforços em 19-05-2020 e procura a unidade do Pronto Socorro Municipal, onde foi atendida pelo profissional do dia.
Relata ser hipertensa de longa data, ao uso de captopril, atenolol e hidroclorotiazida. Teve asma na infância. Desconhece ter insuficiência cardíaca (“coração grande”). Nega alergias medicamentosas e outros comemorativos.
Ao exame físico, paciente dispneica, mas conseguindo completar frases. Presença de ruídos adventícios à ausculta pulmonar. Aparelho cardiovascular sem alterações e sem presença de edema de membros inferiores.
Foi realizada nesta admissão radiografia de tórax (figura1), terapia com nebulização na unidade, com oferta de oxigênio e medicação broncodilatadora, onde paciente relata melhora do quadro de dispneia, além de antibioticoterapia ambulatorial.
Após 48 horas do atendimento inicial, a paciente retorna, deambulando, com queixa de piora do quadro de dispneia, agora aos mínimos esforços e ortopneia, além da presença de febre, 38,3 °C. Ao exame, paciente sudoreica, apática, dispneica, não conseguia completar frases, sendo necessário o auxílio da acompanhante para explicar as queixas ao plantonista.
À ausculta pulmonar, presença de estertores bolhosos em base e crepitações difusas. Aparelho cardiovascular sem alterações, presença de edema de membros inferiores, sem outros comemorativos.
Foi solicitada nova radiografia de tórax (figura 2), onde é visto
piora do quadro de infecção pulmonar, e iniciada terapia para reverter o quadro
de edema agudo pulmonar.
Apesar do suporte clínico intensivo, evoluiu com deterioração
clínica, parada cardiorrespiratória sem resposta às manobras de ressuscitação e
veio a óbito após 45 minutos da admissão na unidade.
Ao teste rápido para COVID-19, apresentou resultado negativo. Foi
coletado o SWAB para esclarecimento da causa-morte, onde veio positivo.


Objetivo e discussão
O objetivo do presente estudo é relatar um caso de óbito por
complicação da doença de base advinda da infecção pelo novo coronavírus durante
a pandemia de 2020.
A COVID-19 é uma doença infecciosa causada pelo SARS-CoV-2, um
vírus da família coronavírus, que apresenta múltiplos desafios na abordagem
cardiovascular.
A maior vulnerabilidade desses doentes parece estar relacionada com a idade, presença de múltiplos fatores de risco e comorbidades, alterações da imunidade e eventual expressão aumentada da ECA-2, proteína que medeia a infecção pelo SARS-CoV-2.
Por outro lado, nas formas mais graves, a COVID-19 é uma doença multissistêmica, associada à falência multiorgânica, ativação de múltiplos sistemas neuroendócrinos e mediadores inflamatórios que, no seu conjunto, podem comprometer a função cardíaca (MONTEIRO, et all, 2020).
É de conhecimento geral,
dentre os profissionais da saúde, que atividades infecciosas são responsáveis
por descompensar doenças prévias, a citar a IC. Tendo problema na bomba ao gerar
o débito cardíaco, o fluxo passa a ser retrógrado e, ao cair no capilar
pulmonar, há a formação de edema e o paciente apresentará a clínica de
dispneia, sendo necessários cuidados intensivos para a reversão do quadro.
Considerações finais
Ao findar o
presente artigo, é de suma importância conhecer as doenças de base dos
pacientes com suas devidas manifestações de descompensação para tratamento e
cuidados gerais adequados e precoces.
Além disso, é imprescindível atualizar-se sobre os novos patógenos, para poder relatar suas manifestações em longo prazo e colaborar em estudos interestaduais e internacionais durante uma pandemia, uma vez que cada região possui prevalência sobre determinadas doenças.
Autor e
coautores:
Douglas Pereira Barduci² (email:barducidouglas@hotmail.com, telefone: 22 996069527) Fernanda Castro Manhães² (email:castromanhaes@gmail.com, telefone: 22 998301728)
João Pedro Soares de Freitas¹ (email:jpsfreitas11@hotmail.com, telefone: 22 998073590)
Kássia Souza
Ribeiro² (email:kassiasr96@gmail.com, telefone: 22 996069527)
Mariana Sampaio
Motta dos Santos² (email:m-sampaiomotta@live.com, telefone: 22 998668121).
Instituição:
Pronto Socorro Municipal de Italva-RJ
Palavras-chave: Insuficiência Cardíaca, Edema
Agudo de Pulmão, COVID-19