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Casos Clínicos: Picada de Escorpião | Ligas

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Área:  Anatomia de Órgãos e
Sistemas (Toxicologia Médica);

Autor:Izabelle Mota Ramalho
Brilhante;

Co-autor: Ricardo Serejo Tavares;

Revisor: Sarah Ferrer Augusto
Gonçalves;

Orientador: José Antônio Carlos
Otaviano David Morano;

Liga: Grupo de Estudos de Anatomia
Aplicado a Saúde (GEAAS).

) Introdução

O Tityusstigmurus
(escorpião-do-nordeste) é um escorpião com coloração amarelada, apresentando um
“triângulo” escuro na sua cabeça e uma linha escurecida ao longo de
seu abdômen. Ele é um animal terrestre e com hábitos noturnos, acostumado ficar
escondido em locais com madeira, tijolos e objetos parados por muito tempo
durante o período diurno.

O veneno deste escorpião não é muito
tóxico para o ser humano, geralmente surgindo de forma leve em adultos. Os
indivíduos que apresentam maior risco para a picada desse animal são: crianças
menores de 7 anos, idosos e pacientes com comorbidades.

2) Identificação do paciente e história
clínica

J.C.S., masculino, 29 anos, casado, do
candomblé, heterossexual, natural de Boa Viagem-CE, residente em Fortaleza-CE,
ensino médio incompleto, trabalha como pedreiro.

3) Queixa principal

Chega ao hospital queixando-se de dor
em terceiro quirodáctilo direito. Alega que dor surgiu após ser picado por um
escorpião enquanto estava “mexendo em tijolos parados”.

4) História da doença Atual (HDA)

O paciente relata dor local em
queimação, intensidade 7/10, associada à parestesia da mão direita. Nega
náuseas, vômitos, sudorese, agitação, sialorréia, dor abdominal e sonolência. A
dor intensa e a parestesia da mão direita dificultou a continuação do trabalho
que estava sendo realizado. Relata piora à movimentação da mão.

5) História de vida.

J.C.S. mora em casa de tijolo (perto de
um terreno abandonado e sem saneamento básico), no Bom Jardim, com a esposa e
dois filhos (um de 4 anos e outro de 10 anos). Paciente relatou ter tido
varicela e sarampo quando criança, além disso afirmou que as vacinas não estão
em dia. Relata ter mãe diabética e pai faleceu por um infarto agudo do
miocárdio. 

Nega hipertensão arterial sistêmica,
neoplasias, rinite, diabetes mellitus tipo 2 e outras comorbidades. Relata ter
tido asma quando menor, porém com o tempo parou de ter crises asmáticas. Paciente
negou o uso de qualquer tipo de medicação diária. Negou possuir qualquer tipo
de alergia e a ocorrência de cirurgias ou fraturas. 

Paciente etilista há cerca de 5 anos,
consumo pelo menos de 1 vez por semana de cerveja. Além disso, afirma ser
tabagista há 2 anos, 3 maços por dia, tendo carga tabágica de 6 maços por ano.
Consumo de 3 alimentações por dia separadas por um período de 6 horas.

6) Exame físico

Ao exame físico, além da dor e da
parestesia, não foi identificada nenhuma alteração digna de nota.

7) Exames complementares

            Diante do quadro clínico e o
posicionamento do setor de toxicologia, não houve a necessidade de outros exames
ou do soro. Em caso de envenenamento mais grave, pode se realizar os seguintes
exames, principalmente pensando nas possíveis complicações geradas pela
picada: 

  • Eletrólitos (Sódio, Potássio e Cálcio);
  • Ureia
    e creatinina;
  • Transaminases
    (AST e ALT);
  • CPK;
  • Lipase
    e amílase séricas;
  • Eletrocardiograma;
  • Urina
    1;
  • Coagulograma;
  • Hemograma
    completo.

8) Pontos de discussão

  1. O que se deve fazer após a picada?
  2. Qual
    o diagnóstico mais provável?
  3. Existe
    a necessidade de exames complementares?
  4. Qual
    a fisiopatologia do escorpionismo?
  5. Quais
    importantes medidas devem ser tomadas como prevenção?

9) Diagnóstico principal

O diagnóstico foi identificado como
escorpionismo leve, a partir dos sintomas apresentado.

10) Gravidade da picada de escorpião:

  • Leve (maioria dos casos): dor e parestesia locais.
  • Moderada:
    dor e parestesia, náuseas,
    vômitos, sudorese, dor abdominal, taquicardia, taquipneia e sialorréia.
  • Grave:
    exacerbação dos sintomas
    acima, além de agitação ou prostração, sonolência, hipo/hipertermia,
    hipo/hipertensão, confusão mental, entre outros.

11) Discussão do caso de Picada de
Escorpião:

Após uma picada de escorpião é
recomendável a higienização do local da picada com água e sabão e a ida
imediata ao hospital de referência mais próximo. Além disso, se possível, é importante
levar o animal ou uma foto para que ocorra a identificação da espécie envolvida
pelo setor de toxicologia, pois a partir disso pode se identificar o melhor
tratamento para o caso.

O diagnóstico mais provável, de acordo
com o quadro clínico de dor e de parestesia local (apenas na mão direita onde
ocorreu a picada) apresentado e após a análise do animal pelo setor de
toxicologia (em que pôde ser analisado o veneno do escorpião), é escorpionismo
leve. A partir do posicionamento do setor de toxicologia e do quadro clínico
apresentado, não houve a necessidade de exames complementares.

As toxinas liberadas quando o escorpião
pica a pessoa com o ferrão vão atuar em um sítio específico no canal de sódio
regulado por voltagem, inibindo a ativação desse canal. Essa inativação resulta
em uma despolarização prolongada e, assim, uma excitação neuronal. 

Nesse contexto, existe o estímulo dos
centros autonômicos (simpático e parassimpático), além da liberação das
catecolaminas no plasma que junto à estimulação simpática pode gerar o aumento
inicial da pressão sanguínea e do débito cardíaco, seguido da diminuição da
função ventricular e hipotensão, podendo causar danos diretos no miocárdio.
Ademais, existem evidência que afirmam também a interferência em canais de
potássio e de cálcio, porém os efeitos causados são menos graves.

Existem algumas medidas que podem ser
tomadas como prevenção, como usar luvas e calçados fechados durante o manuseio
de materiais de construção, descarte adequado de lixo (evitando insetos que
possam alimentar o escorpião), rebocar paredes externas e muros evitando os
espaços em que animais possam se alojar e examinar vestimentas antes de usá-las
com fito de garantir que não há nenhum escorpião nos panos.

12) Diagnóstico(s) diferencial(is):

Em situações onde não é possível
identificar o animal causador da picada, o diagnóstico diferencial pode ser
feito com acidente por picada da aranha do gênero Phoneutria, causando um
quadro clínico local e sistêmico semelhante ao do escorpionismo. 

Algo que chama atenção é o fato do
quadro álgico local da picada por Phoneutria e escorpionismo serem
indistinguíveis. Nesses cenários, caso haja necessidade de algum soro, o que
deve ser administrado deve ser antiaracnídico, visto que neutraliza os venenos de
escorpião e de aranha.

13) Tratamentos indicados

Foi administrada medicação analgésica,
além da lavagem do local da picada com água e sabão e recomendação do uso de
compressa fria ou morna sobre a região. Paciente recebeu alta, com a
recomendação de, caso sintomas mudasse, ligar para o centro de
toxicologia.  Pelo diagnóstico ser de escorpionismo leve não há a
necessidade da aplicação do soro antiescorpiônico, porém em casos de maior
gravidade esse tratamento é utilizado.

14) Diagnósticos diferenciais principais:

Acidente por picada da aranha do gênero
Phoneutria.

15) Objetivos de
Aprendizados/Competências

  • Compreender como pontos importantes a serem
    pensados no diagnóstico de casos de escorpionismo.
  • Analisar
    os diferentes métodos terapêuticos de acordo com a gravidade da picada.
  • Entender
    a importância da clínica e da toxicologia no diagnóstico.

16) Pontos Importantes

  • Deve-se lembrar, caso possível, da importância
    de capturar ou bater uma foto do animal com escopo de auxiliar no
    diagnóstico.
  • O
    quadro clínico apresentado mostra a gravidade da picada, podendo mudar ou
    não o método terapêutico.

17) Conclusão do caso de Picada de
Escorpião

O diagnóstico final foi o de
escorpionismo leve. Como tratamento, por ser de gravidade leve, foi
administrado medicação analgésica, com a lavagem do local com água e sabão e a
recomendação do uso de compressas, podendo ser fria ou morna, sob a região da
picada.

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