Área: Nefrologia
Autores: Beatriz
Pereira Magalhães, Cintia Mendes de Sousa
Revisor(a): Cintia Mendes de Sousa
Orientador(a): Thiago Weiss
Liga: Liga
Acadêmica de Anatomia Humana e Cirúrgica (LAAHC-TO)
Apresentação do caso clínico
Paciente do sexo masculino, 33 anos, negro, empresário e procedente de
Porto Nacional, Tocantins, procurou a Unidade Básica de Saúde com queixa de
dores fortes ao urinar, nas costas com direção para o baixo ventre e presença
de sangue na urina, há cinco dias. Paciente relata que há cerca de cinco dias
foi acometido por fortes dores na região dos flancos irradiando para o abdome
inferior e testículos, associado a disúria, hematúria, infecção e hipertensão.
Paciente hipertenso, nega alergias. Relata que a mãe é hipertensa e diabética.
Ao exame físico paciente apresenta bom estado geral, lúcido e
orientado em tempo e espaço, afebril (37°), acianótico, anictérico, desihidratado
+/++++, eupneico (FR=18irp), normocárdico (frequência cardíaca = 85 bpm) e hipertenso
(140 x 90 mmHg). Aparelho respiratório com murmúrio vesicular presente, sem
ruído adventícios. Aparelho cardiovascular bulhas normofonéticas e
normorrítmicas em 2 tempos sem sopro. Abdome plano, flácido, ruídos hidroaéreos
presentes, fígado e baço não palpáveis, sinal de Giodarno positivo, indolor à
palpação superficial e profunda.
Paciente foi orientado a realizar exame simples de urina (EAS) e
ultrassonografia abdominal para investigação de cálculos renais. Retornou à UBS após 15 dias tendo como
resultado do exame de ultrassonografia presença de cálculos renais e o EAS
revela indícios de hematúria, infecção, cristais formadores de cálculos renais
e alteração do pH urinário. Foi conversado com o paciente sobre a importância
da ingesta adequada de água e manutenção de uma dieta saudável. O tratamento
foi realizado com dipirona 1g via oral de 8/8hs e alopurinol 300 mg via oral
duas vezes ao dia.
Questões para orientar a
discussão
1. Quais as
hipóteses diagnósticas?
2. O que é a doença?
3. Quais são os diagnósticos diferenciais?
4. Como é a
fisiopatologia do cálculo renal?
5. Quais
tratamentos possíveis?
Respostas
1. Cálculo Renal, Infecção Urinária, Doença Inflamatória
Intestinal.
2. Litíase urinária (cálculos) é a causa mais comum de
obstrução das vias urinárias superiores. Embora os cálculos possam formar-se em
qualquer parte do sistema urinário, a maioria desenvolve-se nos rins. Cálculo
renal é um diagnóstico comum das vias urinárias, superado numericamente
apenas por infecções urinárias e doenças da próstata. São agregados
policristalinos formados de materiais que os rins excretam normalmente na
urina.
3. De acordo com o quadro clínico do paciente
os diagnósticos diferenciais são infecção urinária, cistos simples ou adquiridos.
4. A
formação dos cálculos urinários é complexa e parece envolver alguns fatores,
inclusive aumentos dos níveis sanguíneos e urinários dos componentes dos
cálculos e interações entre eles; anormalidades anatômicas das estruturas do
sistema urinário; fatores metabólicos e endócrinos; fatores dietéticos e
relacionados com a absorção intestinal; e infecção urinária. O risco de
formá-los aumenta quando a urina está supersaturada com componentes formadores
de cálculo, a supersaturação depende do pH urinário, da concentração do soluto,
da força iônica e da formação de complexos. Quanto maiores as concentrações de
dois íons, maiores as chances de que se precipitem. A complexação afeta a
disponibilidade dos íons específicos.
5. O
tratamento consiste na suplementação de sais de cálcio, em casos mais leves;
remoção úteroscópica, em casos graves.