Área: Emergência
Autora: Marcela
Moreira Ribeiro
Revisor: João
Vitor Romeu Bello Taveira
Orientadora: Andréa
Kairala
Liga: Liga
Médico Acadêmica de Cirurgia Plástica do Distrito Federal (LIMACIP-DF)
Apresentação
do caso clínico
F.M.A, 15 anos,
sexo masculino, estudante, no dia 22 de junho de 2020, período de
quarentena, enquanto estava tomando banho foi vítima de choque
elétrico quando resolveu alterar a temperatura de seu chuveiro durante o banho,
já molhado, com contato com fio de alta tensão. A entrada da corrente ocorreu
em mão direita, na região hipotênar e teve sua saída em região hipotênar
esquerda. Com o ocorrido, a energia de sua casa caiu e seus pais imediatamente
correram para verificar se o filho estava bem, aonde viram que o mesmo se
encontrava desacordado. O pai do menino era farmacêutico e lembrou-se de suas
aulas da faculdade para realizar os primeiros socorros do filho.
O pai verificou
que seu filho encontrava-se desacordado e iniciou o Suporte Básico de Vida,
averiguando a segurança da cena do local, posicionando o filho em posição
supina e manteve sua coluna cervical alinhada com o tronco. Depois, chamou
várias vezes seu filho mas sem nenhum grau de resposta obtido. Ainda, verificou
a ausência de pulso e de movimentos respiratórios, e assumiu que o filho estava
em parada cardiorrespiratória, momento em que solicitou imediatamente que sua
esposa telefonasse para o serviço de emergência e iniciou as compressões
torácicas, pois é de extrema importância a restauração da circulação a fim de
evitar lesão neurológica por hipóxia.
As compressões
torácicas ocorreram na região da metade inferior do esterno, na linha mamilar, cerca
de 5 cm de depressão, com a região hipotênar do braço dominante/forte do
pai, com cotovelos estendidos e em ritmo de 100 a 120 compressões por minuto.
Essas compressões devem permitir que o tórax retorne à posição habitual após
cada compressão, de acordo com a música que o foi ensinado no período da
faculdade mas que não se lembra o nome, mesmo sempre vendo ela em propagandas
na televisão. O pai não interrompeu por nenhum momento as compressões até a
chegada do SAMU, que demorou 10 minutos.
Momento em que
se teve início as 30 compressões para 2 ventilações com dispositivo
bolsa-valva-máscara por socorristas. Os socorristas pegaram o DEA (aparelho
eletrônico portátil) e seus eletrodos foram posicionados na região do ápice
cardíaco e infraclavicular direita, dispositivo este que possibilita a
identificação de um ritmo chocável, e reavalia a cada 2 min, que era o caso do
menino, que se encontrava com FV (Fibrilação ventricular) sem pulso. Iniciando
o Suporte Avançado de Vida (ACLS) em ambiente extrahospitalar pelos
socorristas, já a caminho do hospital, o pai do menino tentou acalmar a mãe e
explicou para ela que o ACLS envolve manobras mais complexas de compressão
torácica e o próprio uso do desfibrilador do BLS, que faz uso de dispositivos
invasivos de vias aéreas, estabelece um acesso venoso, uso de fármacos, dentre
outros, tentando a tranquilizar e informar a situação durante o transporte até
o ambiente hospitalar.
Com a
identificação desse ritmo chocável, teve-se a primeira desfibrilação, e
realização de acesso venoso periférico calibroso no menino. Seguiu-se com as
compressões 30 :2 por 2 minutos. Teve-se outra análise do ritmo, o ritmo já não
era chocável e o menino teve seu retorno da circulação espontânea
reestabelecidos e teve-se por fim o RCP, deixando os pais felizes e menos
preocupados. Algumas medidas foram realizadas durante a RCP do menino, como o
aporte de oxigênio acoplado ao dispositivo bolsa-valva-máscara, o acesso venoso
periférico calibroso relatado anteriormente foi realizado com a infusão de 20
ml de SF e elevação do membro, evitando que o paciente tivesse flebite e
possibilitando a ação mais rápida do fármaco.
Algumas medidas
foram realizadas após o RCP do paciente dentro do hospital, como a
transferência do mesmo para a UTI, para que conseguissem realizar um melhor
monitoramento do paciente.
Questões para orientar a discussão
- Quais seriam os
cuidados dentro da UTI de um paciente que teve choque elétrico em parada
cardiorespiratória - Qual a conduta
que deve se realizar caso a segunda avaliação do desfibrilador fosse
identificado um outro ritmo chocavel? - Teria alguma
conduta farmacológica para controlar a avaliação dos desfibrilador em outro
ritmo chocavel, se sim, qual?
Respostas
- Monitorização
constante do mesmo e de seus sinais vitais, sua estabilização hemodinâmica,
oxigenoterapia, suporte ventilatório adequado, controle seriado de sua glicemia
capilar e temperatura. Como já se sabia que a causa da parada
cardiorrespiratória do paciente era o choque elétrico do chuveiro, os médicos
deveriam buscar a identificação posteriormente se houve alguma lesão de acordo
com o trajeto horizontal que se deu a passada da corrente de energia pelo corpo
do menino, qual foi a fonte da energia elétrica e quanto tempo se deu o contato
com a fonte para que possam entender melhor a dimensão do choque elétrico.
Ainda, há de se verificar que o mesmo não se encontrava com queimaduras
elétricas. - Caso na segunda
avaliação do desfibrilador, fosse identificado um outro ritmo chocavel, seria
novamente realizado mais uma desfibrilação e compressões - Logo após as compressões, imediatamente, com a
administração de droga EV, a adrenalina na dose de 1mg em bolus, seguido de
flush de SF 20ml, além do estabelecimento de via aérea avançada (podendo ser
feito com capnografia) e após 2 minutos de compressões, uma nova avaliação do
ritmo, se chocavel, seguiria com mais uma desfibrilação, compressões após o
choque, amiodarona 300 mg, seguindo as medidas com reavaliação a cada 2 minutos
do ritmo cardíaco.