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Caso Clínico: Sífilis | Ligas

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Área: Medicina Preventiva

Autores: Raquel
Bonicenha, Klysmeynny Rosa Pasolini.

Revisor(a): Vivian Aparecida
Andrade Pinto

Orientador(a): Paulo Alves Bezerra
Morais

Liga: SIMULI- Liga
Acadêmica de Simulação Realística do Espírito Santo

Apresentação do caso clínico

J.S.R.,
sexo masculino, 25 anos, estudante, solteiro, comparece à unidade de saúde
queixando-se de machucado ulcerado em pênis, único, indolor, com aparecimento
há duas semanas. Não refere outros sintomas. Nega comorbidades ou alergias. Nega
uso diário de medicamentos. Relata não possuir parceira sexual fixa e ter tido
relação sexual com três diferentes parceiras nos últimos seis meses sem uso de
preservativo.  Afirma fazer uso de
bebidas alcoólicas aos fins de semana, fumar 10 cigarros/dia e não praticar
atividade física. História familiar de pai e mãe hipertensos.

Ao exame físico:

Regular
estado geral,  lúcido e orientado em
tempo e espaço, acianótico, anictérico, hidratado, afebril (36,5°C), normotenso
(120X70 mmHg).

Sistema
respiratório: tórax atípico. FR: 18 irpm, ausência de tiragens e retrações.
Expansibilidade torácica preservada e frêmito toracovocal presente em toda
parede torácica. À percussão: som claro pulmonar. À ausculta: murmúrio
vesicular fisiológico presente sem ruídos.

Sistema
cardiovascular: à ausculta: ritmo cardíaco regular, 2T, bulhas cardíacas
normofonéticas, sem sopros.  FC: 83 bpm.

Abdome:
à ausculta: ruídos hidroaéreos presentes, normotenso, indolor a
palpação.

Sistema
urogenital: presença de lesão ulcerada em pênis, única, indolor, medindo 1,5 cm,
com bordas elevadas, bem delimitadas, endurecidas, de fundo limpo.

Palpação
de linfonodos: palpação de gânglios em região inguinal, unilaterais, com 1 cm
de diâmetro, consistência fibroelástica, móveis, indolores.

Exames complementares:

Foi
solicitado teste rápido cujo resultado foi positivo. Assim, foi solicitado o VDRL
para confirmar o diagnostico e fazer o seguimento do paciente. O resultado do VDRL:
1:64.

Conclusão e discussão:

Após
resultado dos exames com confirmação de se tratar de um caso de Sífilis
primária, foi iniciado o tratamento para o paciente.

O
tratamento recomendado foi Penicilina G benzatina
(2,4
milhões UI, IM, dose única, 1,2 milhões UI, IM, em cada glúteo). Além disso, foi
oferecido rastreio para HIV, Hepatite B, Hepatite C, Clamídia e Gonococo
e o caso foi notificado.

O
paciente foi orientado sobre a necessidade de se realizar prática sexual com
uso de preservativo, além de entrar em contato com as parceiras sexuais prévias
para que fossem testadas e tratadas para sífilis.

O paciente será
seguido ambulatorialmente com sorologia a cada três meses no primeiro ano e, se
ainda houver título, de seis em seis meses no segundo ano.

Questões para orientar a discussão           

  1. O que é
    sífilis?
  2. Quais
    são as principais formas clínicas da sífilis?
  3. Como é
    feito o diagnostico laboratorial da sífilis?
  4. Quando
    considerar um VDRL sugestivo de infecção?
  5. Como é
    feito o tratamento da sífilis primária?

Respostas

  1. É uma doença infecto-contagiosa, sistêmica, de
    evolução crônica, transmitida por via sexual e verticalmente durante a
    gestação. É causada pela bactéria Treponema
    pallidum
    , caracterizada por surtos de agudização sintomáticos e
    períodos de latência, além de evolução para complicações graves em pacientes
    que não trataram ou que não foram tratados corretamente
  2. Sífilis
    primária:
    caracteriza-se pelo surgimento do cancro duro ou protossifiloma, após um intervalo de 10-90 dias do contato sexual
    (média 21 dias) através de pele lesada ou mucosa.  Corresponde a uma lesão ulcerada,
    de coloração rósea, normalmente única e indolor,
    medindo de 1 a 2 cm, com bordas bem delimitadas,
    endurecidas e elevadas, de fundo liso e limpo, acompanhada de
    linfadenopatia inguinal (indolor, móvel, bilateral, múltipla). A lesão
    desaparece após cerca de quatro semanas (podendo persistir até oito semanas)
    mesmo na ausência de tratamento, sem deixar cicatrizes na maioria dos casos.

Sífilis secundária: após período de latência que pode durar de seis a oito semanas,
a doença entrará novamente em atividade. O acometimento afetará a pele e os
órgãos internos correspondendo à distribuição do T. pallidum por todo o corpo. São lesões cutaneomucosas não ulceradas simétricas, localizadas ou difusas (roséolas, sifílides, condiloma plano). Ocasionalmente, ocorrem sintomas gerais como alopecia
irregular, madarose, artralgia, febre, mal-estar, cefaleia e adinamia.

Sífilis latente: se caracteriza pela ausência de sinais de
sintomas. É dividida em recente (evolução menor que 1ano) e tardia (mais de
1ano de evolução). Pode durar de 3 a 20 anos. O diagnóstico só é feito por
testes sorológicos.

Sífilis Terciária: pode surgir cerca de três a vinte anosapós a infecção. A sífilis nesse
estágio se manifesta por lesões localizadas envolvendo pele e mucosas, sistema
cardiovascular e nervoso. Podem estar acometidos ainda ossos, músculos e
fígado.

Em geral ocorre a formação de
granulomas destrutivos (gomas sifilíticas).

  • Pesquisa direta: Baseia-se
    na identificação do agente etiológico a partir de material colhido.  Indicado na sífilis primária e
    secundária em lesões bolhosas, placas mucosas e condilomas. É
    feito através de microscopia de campo escuro (padrão-ouro para o diagnóstico da
    sífilis primária) imunofluorescência direta e exame de material corado.

Testes Imunológicos: São os mais utilizados na prática. Existem dois
tipos de testes, treponêmicos e não treponêmicos. De acordo com o Ministério da Saúde, para o diagnóstico de sífilis devem
ser utilizados um dos testes treponêmicos mais um dos testes não treponêmicos.

Treponêmicos: detectam
anticorpos contra o T. pallidum, confirmando o contato com o
treponema. Exemplos: teste rápido, teste de imunofluorescência
indireta (FTA-Abs), ensaio imunoenzimático indireto (ELISA), testes de
hemaglutinação e aglutinação passiva (TPHA), quimioluminescência (EQL),

Não treponêmicos:
detectam anticorpos não específicos para os antígenos do T. pallidum. São
representados pelo VDRL (Venereal Disease
Research Laboratory),RPR (Rapid
Plasm Reagin) e TRUST (Toluidine
Red Unheated Serum Test). Podem ser quantitativos (titulação de
anticorpos) ou qualitativos (presença ou ausência de anticorpo).

  • Títulos maiores que 1:4; Aumento dos títulos em
    quatro vezes em sorologias sequenciais (por exemplo, 1:4 – 1:16); Positivação
    dos títulos em sorologias sequenciais.
  • A droga de escolha para o
    tratamento da sífilis é a penicilina G
    benzatina parenteral- 2,4milhões UI, IM, dose única (1,2milhão UI em
    cada glúteo). Alternativas: Doxiciclina 100mg, VO,
    2x/dia, por 15 dias (exceto gestantes) ou Ceftriaxona 1g, IV ou IM, 1x/dia, por
    8-10 dias

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