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Caso Clínico: Rotura Uterina | Ligas

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A rotura uterina é caracterizada como o rompimento parcial ou total do miométrio durante a gravidez ou do trabalho de parto, constituindo uma grave complicação obstétrica. Além de representar uma causa importante de morte materna e perinatal, pode impactar fortemente no futuro reprodutivo da gestante. É uma condição de reflete diretamente a qualidade do pré-natal e principalmente da assistência prestada durante o parto.

Apresentação do caso clínico

J.P.M, gestante, 32 anos, professora, natural e procedente de Vassouras, Rio de Janeiro, com idade gestacional de 38 semanas, é encaminhada à maternidade para indução do parto devido a oligoâmnio. É tercigesta (G3 P2 A0), com duas cesáreas prévias e pré-natal sem intercorrências. Nega doenças prévias, medicações de uso contínuo ou alergias.

Ao exame obstétrico: altura uterina = 30cm, dinâmica uterina de 2 contrações de 30 segundos em 10 minutos e, ao toque vaginal, colo do útero médio, centralizado, dilatado 2cm, com apagamento de 20%. Apresentação fetal em – 2 de De Lee. Foi realizado o preparo do colo com sonda de Foley, seguido da administração de ocitocina, quando a dilatação então evoluiu para total em quatro horas. Nesse momento, já com a apresentação fetal em +2 de De Lee, a paciente foi colocada em posição ginecológica e solicitou-se que realizasse puxos.

Após dez minutos nessa condição, a gestante evoluiu com dor aguda e intensa, parada súbita da contratilidade uterina e sangramento vaginal importante, além de bradicardia fetal (FCF = 50 bpm). Ao toque vaginal, a apresentação fetal estava em +1 de De Lee.

Suspeitas diagnósticas

  1. Rotura Uterina
  2. Descolamento prematuro de placenta
  3. Rotura de Vasa Prévia

Diagnóstico e tratamento

Diante da evolução do trabalho de parto e do quadro exposto, a paciente foi diagnosticada com rotura uterina consumada e rapidamente encaminhada para o tratamento cirúrgico, transformando a via de parto em cesárea e sendo submetida à histerectomia como conduta definitiva para o quadro de rotura uterina.

Questões para orientar a discussão

  1. Quais são os fatores de risco?
  2. Como identificar o quadro clínico?
  3. Como é feito o diagnóstico?
  4. Como é feito o tratamento?

Respostas:

  1. Existem múltiplos fatores de risco para a rotura uterina: Em negrito, os apresentados pela paciente do caso clínico.
    • Cirurgia miometrial prévia: cesárea, miomectomia, metroplastia, ressecção de corno uterino.
    • Trauma uterino: perfuração pós-curetagem ou aborto provocado, perfuração por armas brancas ou armas de fogo.
    • Outros: adenomiose, doença trofoblástica gestacional, desnutrição, secundamento patológico, multiparidade, uso da manobra de Kristeller, sobredistensão uterina (gestação gemelar, polidramnia), parto obstruído (desproporção cefalopélvica, apresentações anômalas, tumores prévios), uso de ocitócitos ou prostaglandinas na indução ou na condução do parto, etc
  2. A rotura uterina pode ser dividida em 2 formas clínicas:
    • Iminência de rotura uterina: contrações intensas e extremamente dolorosas, sinal de Bandl (distensão do segmento inferior, conferindo ao útero aspecto semelhante à uma ampulheta) e sinal de Frommel (estiramento dos ligamentos redondos, desviando o útero anteriormente), alterações da frequência cardíaca fetal.
    • Rotura uterina consumada: sofrimento fetal grave, interrupção das metrossístoles, sinal de Clark (enfisema subcutâneo) e sinal de Reasens (subida da apresentação fetal ao toque vaginal).
Figura 1: Representação esquemática do sinal de Bandl-Frommel. Fonte: https://www.open.edu/openlearncreate/mod/oucontent/view.php?id=277&section=1.5.2

3. O diagnóstico é clínico e consiste basicamente em anamnese e exame físico, procurando por fatores de risco e sinais/sintomas de rotura uterina.

4. O tratamento sempre será cirúrgico, e a conduta pode variar desde uma simples rafia do útero até a histerectomia, dependendo da extensão da lesão, condições da parede uterina, local da rotura, estado clínico da paciente, além de sua idade e paridade.

Autores e revisores

Autora: Ana Luíza dos Santos

Revisora: Ana Clara Lado Oliveira Holak

Orientador: Osvaldo Luiz Aranda

Liga: Liga Acadêmica de Ginecologia e Obstetrícia

O texto acima é de total responsabilidade do(s) autor(es) e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

MONTENEGRO, Carlos Antônio Barbosa; REZENDE FILHO, Jorge de. Rezende Obstetrícia. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.

FREITAS, Fernando et alRotinas em Obstetrícia. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.

ZUGAIB, Marcelo (ed.). Zugaib Obstetrícia. 3. ed. Barueri: Manole, 2016.

CUNNINGHAM, F. Gary et alObstetrícia de Williams. 24. ed. Porto Alegre: Amgh, 2016.

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