Área: Gastroenterologia
Autores: Ryanne Nogueira e Nicolle
Gomes
Revisor(a): Mayara Leisly
Orientador(a):
Mayara Leisly
Liga: Liga Acadêmica de Medicina Generalista
(LAMEGE)
Apresentação do caso clínico
J.P.R., sexo masculino, 32 anos, pardo, católico, casado, procedente e residente de Salvador – BA, caminhoneiro, procurou a UPA referindo dor abdominal na região epigástrica há 5 dias. Paciente relata que sente essa dor há algum tempo, porém, nos últimos dias, piorou. Alega que teve início súbito, com irradiando para o dorso e de intensidade 7 em uma escala de 0 a 10, além de que piora com o uso de álcool e melhora ao ficar deitado. Refere não conseguir se alimentar adequadamente, bem como náuseas. Relata ser etilista e ter uma alimentação baseada em carboidratos e lipídeos. Nega febre, vômito, tosse e tontura. Paciente, ainda, refere HAS.
Ao exame físico, REG, lúcido e orientado em tempo e espaço, afebril (36ºC), acianótico, anictérico, hidratado, FR = 17 irpm, FC = 82 bpm e PA =160 x100 mmHg. Quanto ao aparelho digestivo, possui abdome globoso, ascite, RHA+, fígado e baço não palpáveis.
Exame Laboratorial: triglicérides = 450 ( mg/dℓ), Lipase > 70 U/ℓ, amilase > 200 U/ℓ, TGO > 50 U/ℓ.
Questões para orientar a discussão
1. Quais
os principais fatores etiológicos da pancreatite aguda ?
2. Quais as manifestações clínicas da
pancreatite aguda ?
3. Quais
são os principais achados laboratoriais para a pancreatite?
4. Qual é a importância da amilase sérica no diagnóstico
de pancreatite aguda?
5. Qual deve ser o tratamento para um paciente
que apresenta sintomas de pancreatite aguda?
Respostas
1. Colelitíase, etilismo,
hipertrilgiceridemia Pós-CPRE ,drogas, autoimune, hereditária, trauma
Infecções, Hipercalcemia Pós-operatório.
2. O principal sintoma é dor abdominal, presente em mais de 95%
dos pacientes. Geralmente é aguda, de instalação súbita, localizada na porção
superior do abdome, com irradiação dorsal e de intensidade moderada a forte,
apresentando piora com a alimentação ou uso de álcool. Nos casos de etiologia
biliar, a dor tende a ser mais localizada no hipocôndrio direito e pode ter
início mais gradual, já que se confunde com a cólica biliar. A dor é
acompanhada, em 90% dos casos, de náuseas e vômitos, que podem ser
incoercíveis.
3. Os principais exames laboratoriais no diagnóstico da
pancreatite são as dosagens de amilase e lipase séricas. A hiperamilasemia é o
marcador clássico da pancreatite. Apresenta alta sensibilidade, mas é pouco
específica, já que em diversas situações – tais como insuficiência renal,
parotidite, após a realização de CPRE, perfuração esofágica e gravidez – pode
haver aumento de amilase sem a presença de pancreatite. Normalmente, a
hiperamilasemia é discreta não ultrapassando três vezes o valor normal. A
dosagem da lipase sérica é considerada o exame laboratorial primário para o
diagnóstico de pancreatite, já que apresenta alta sensibilidade e
especificidade e se mantém elevado por vários dias, superando assim a dosagem
de amilase como exame diagnóstico.
4. O nível de amilase sérica tem que ser avaliado somente depois
de duas horas da crise aguda. Além disso, de três a seis dias após o início da
crise a amilase sérica normaliza. Por esses motivos, um nível normal de amilase
sérica não deve excluir definitivamente o diagnostico de pancreatite aguda,
ademais, a magnitude dessa elevação não faz paralelo com a gravidade do
episódio agudo.
5.A base do tratamento é o suporte clínico e a suspensão da
ingesta oral, já que ainda não há tratamento específico para a pancreatite.
Este suporte clínico consiste em manutenção da perfusão tecidual através de
reposição volêmica vigorosa e manutenção da saturação de oxigenação, analgesia
e suporte nutricional. Pacientes com pancreatite aguda geralmente apresentam
hipovolemia importante secundária ao sequestro de líquido, necessitando de
hidratação volêmica agressiva para melhorar a perfusão tecidual pancreática e
tentar evitar o desenvolvimento de necrose pancreática e prevenir a evolução
para formas graves. Os pacientes devem ser monitorados continuamente para
avaliar a efetividade do tratamento. Os critérios utilizados são o hematócrito,
débito urinário, frequência cardíaca, azotemia e turgor cutâneo. A analgesia
também é essencial, sendo classicamente utilizados opioides parenterais, como a
morfina e a meperidina, sendo ainda controversa qual a melhor opção de droga.