O hipotireoidismo é a disfunção tireoidiana mais comum e pode ser decorrente de um defeito em qualquer ponto do eixo hipotálamo-hipófise-tireoide resultando em uma generalizada lentificação dos processos metabólicos orgânicos.
Apresentação do caso clínico de hipotireoidismo
RN, sexo
feminino, com 11 dias de vida, hígida até apresentar icterícia, letargia e
hérnia umbilical. Os pais do recém-nascido levaram-no ao médico e
relataram que a criança estava com a pele seca e áspera, estava pálida e com
constipação intestinal. Ao realizar o exame físico, o médico ratificou a
presença da hérnia umbilical e constatou que a pele da criança apresentava um
padrão de cutis marmorata, e que as fontanelas anterior e posterior estavam amplas. O
médico suspeitou de Hipotireoidismo congênito e solicitou o Teste do Pézinho e uma análise laboratorial dos
níveis de TSH. Após analisar os resultados, o primeiro exame mostrou-se
positivo para Hipotireoidismo Congênito, o qual foi confirmado pelo segundo
exame, que apresentou baixos níveis de TSH.
Questões para orientar a discussão
1. A maioria dos casos de Hipotireoidismo
Congênito apresenta sinais e sintomas inespecíficos, de modo que 95% das
crianças são assintomáticas ao nascimento. O que justifica essa manifestação
tardia de características típicas dessa doença?
2. Qual a provável causa do Hipotireoidismo Congênito? Cite, no
mínimo, 1 exemplo.
3. Sabe-se que, se não for tratada
adequadamente e na idade correta, o Hipotireoidismo Congênito pode acarretar
diversas consequências para o desenvolvimento sadio da criança, entre elas o
retardo na maturação óssea. Qual a explicação fisiológica que justifica esse
malefício?
4. Considerando o diagnóstico relatado, o
que justifica os altos níveis de hormônio tireotrófico (TSH) identificados no
exame requisitado pelo médico?
5. Sabendo que a doença relatada influencia
diretamente a atividade da glândula tireoide, qual o tratamento que deve ser
adotado para ser usado na criança? Justifique sua resposta. E qual é a forma de
administração mais adequada do medicamento utilizado?
Respostas da discussão do caso de hipotireoidismo
1. Essa ausência ou
reduzida aparência dos sintomas no início da vida podem ser justificadas pela
passagem transplacentária de hormônio tireoidiano materno, o que supre
temporariamente a falta dessa substância (decorrente de defeitos congênitos na
glândula paratireoide) no organismo, de modo a “camuflar” as consequências que
esse defeito acarreta no organismo da criança.
2. Considerando os altos níveis
de TSH, detectados no exame requisitado pelo médico, conclui-se que se trata de
um Hipotireoidismo Primário, e, já que ocorre em um recém-nascido, é chamado de
Hipotireoidismo Congênito. A maioria dos casos (85%) dessa anomalia é
decorrente de disgenesias tireoidianas, entre elas a ectopia, atireose e/ou hipoplasia da
glândula.
3. As células parafoliculares (ou células C),
presentes na glândula tireoide, produzem calcitonina, hormônio que antagoniza a
ação do paratormônio, por meio da inibição da atividade dos osteoclastos quando
o cálcio plasmático está elevado, de forma a impedir a reabsorção óssea. Uma
vez que a provável causa do caso em questão é alguma disgenesia tireoidiana
(defeitos durante a formação embriológica), o desenvolvimento das células parafoliculares é prejudicado,
causando a inibição apenas parcial da atividade dos osteoclastos. Isso resulta
na reabsorção óssea de forma desregulada, causando um consequente retardo na
maturação dos ossos da criança afetada.
4. No Hipotireoidismo Primário, ocorre uma
disfunção na tireóide, que não responde à presença de TSH, o qual é
sintetizado continuamente pela Hipófise, em uma tentativa de estimular a
atividade dessa glândula. Então, uma vez que o estímulo não acontece, o TSH
acumula-se no organismo.
5. O composto hormonal de escolha para o tratamento é a LT4 (Levotiroxina), uma vez que a maior parte do hormonio tireoidiano do Sistema Nervoso Central provém da conversão local de T4 em T3. Além disso, a forma de administração mais adequada é por meio da via oral, na forma de comprimidos de LT4, uma vez que não existe aprovação de medicamentos líquidos desse hormônio.
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Autores, revisores e orientadores:
Área: Endocrinologia
Autores: Bárbara
Barboza de Alencar
Revisor(a):
Orientador(a): Geison Vasconcelos
Lira.
Liga: Núcleo de
Desenvolvimento Médico de Sobral – NUDEMES