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Caso Clínico: Doença de Graves | Ligas

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Área: Clínica Médica

Autores:
Oziel Gustavo e Ronildo Rodrigues

Revisor(a): Mayara
Leisly Lopes

Orientador(a):
Mayara Leisly Lopes

Liga:
Liga Acadêmica de Medicina Generalista (LAMEGE) – UNIME

Apresentação do caso clínico

R. B. G, 25 anos, sexo feminino, estudante, casada, católica, parda, natural e procedente de Lauro de Freitas – BA. Paciente se queixa de perda de peso e aparecimento de volume em pescoço há 1 ano. Relata que esse volume surgiu de forma gradual e diz que não há alteração de apetite. Além disso, há 8 meses houve o desenvolvimento de boço em região cervical, informando que a incomoda esteticamente. Paciente também diz que se sente ansiosa. Ela nega febre, dor de cabeça. Nega alterações em sistemas cardiorrespiratório e digestivo. Pai sem comorbidades, e mãe com história de hipertireoidismo. A paciente nega etilismo, tabagismo e refere atividade física 3x por semana.

Ao exame físico, paciente se encontra lúcida, orientada no tempo e no espaço, emagrecida, ligeiro tremor de extremidades, hipocorada +/4+, hidratada, acianótica, anictérica, afebril, pele quente e úmida. PA = 150/60 mmHg, FR = 110 bpm, FR = 22 irpm, T = 36,8ºC. Apresenta oftalmopatia do tipo infiltrativo, orofaringe normal. Tireoide aumentada de tamanho simetricamente, com consistência firme e indolor à palpação e com bordos bem definidos. Expansibilidade da parede torácica normal. FTV normal. MV universalmente audível sem ruídos adventícios. RCI (fibrilação atrial) em 3T.

Dissociação pulso precórdio. Sem sopros. Abdome indolor, sem hepatoesplenomegalia. Edema pré-tibial.

Questões para orientar a discussão           

1.  Hipertireoidismo
e tireotoxicose são sinônimos?

2. Quais são os principais achados clínicos no
Hipertireoidismo de Graves?

3. Quais os principais achados laboratoriais do
Hipertireoidismo de Graves?

4. Qual o melhor tratamento?

5. Quais as principais contra indicações ao
tratamento?

Respostas

1.
Hipertireoidismo é referente a disfunção da glândula tireoide, com ou sem
aumento da mesma, onde há um aumento da síntese e liberação dos hormônios
tireoidianos (T3 e T4). Já na Tireotoxicose não há necessariamente uma
disfunção na glândula, pois ela se caracteriza como uma síndrome clinica
ocasionada pelo aumento excessivo dos hormônios tireoidianos T3 e T4, podendo
ser ocasionada por fatores endógenos ou exógenos, sendo eles como exemplo;
hipertireoidismo e aumento da produção nas causas endógenas, e intoxicação por
medicamentos nas causas exógenas.

2. Devido
ao aumento dos hormônios tireoidianos, há um aumento do metabolismo como um
todo, assim como um aumento dos estímulos adrenérgico, diante disso os sintomas
clínicos mais comum são: Nervosismo, Taquicardia, Sudorese excessiva, Bócio
Difuso, Intolerância ao calor, Tremores, Palpitações, Fadiga, Pele quente e
úmida e perda de peso, lembrando que em alguns casos o ganho ponderal pode
ocorrer devido ao aumento do apetite e consumo excessivo de alimentos.

3. O Hipertireoidismo de Graves é
um Hipertireoidismo primário de causa autoimune sendo assim, é uma doença
relacionada a tireoide e não a hipófise, devido a isso nós temos uma
hiperestimulação difusa da glândula ocasionado pelo anticorpo antirreceptor do
TSH (TRAb), que estimula a síntese e liberação de T3 e T4 que por mecanismo de
feedback negativo reduz a liberação do hormônio estimulante da tireoide (TSH),
sendo assim , temos nos principais achados laboratoriais, um TSH reduzido,
níveis de T3 e T4 altos , assim como achados de anticorpos TRAb.

4. O Hipertireoidismo de Graves pode
ser tratado de 3 maneiras diferentes, por meio de fármacos antitireoidianos
(DAT), por meio de Iodo radioativo(131I), e cirurgia de tireoidectómia. O
tratamento farmacológico, na maioria dos casos menos severos ainda é o
tratamento de primeira escolha, sendo usado o propiltiouracil (PTU) ou metimazol(MMI), o MMI é o
mais utilizado devido a dose única diária e menor efeitos colaterais , sendo o
PTU mais usado principalmente para evitar ou combater crises tireotóxicas
devido a sua capacidade em altas doses de diminuir a conversão periférica de T4
em T3, a tratamento com Iodo radioativo também é muito usado devido a seu baixo
custo e baixa recidiva, já o tratamento cirúrgico é usado poucas vezes apenas
em casos específicos.

5. A primeira escolha de tratamento
com fármacos antitireoidianos é feita através do metimazol, entretanto, sua
utilização é contraindicada em gestantes devido a sua ação teratogênica, sendo
a utilização do propiltiouracil recomendada no primeiro trimestre da gravidez e
em casos de crise tireotóxica. Em relação ao iodo radioativo, deve-se ter em
mente que quando se trata de crianças, o tratamento se torna delicado e
recomendado somente em pacientes com idade igual ou maior de 10 anos. Em
 pacientes gestantes em uso de betabloqueadores para o controle de sintomas
adrenérgicos, atenção deve ser dirigida para o desenvolvimento de crescimento
uterino restrito, bradicardia fetal e hipoglicemia neonatal, recomendado-se o
uso pelo menor período possível, tendo como medicamento de escolha o
metoprolol, de 2 a 6 semanas.

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