Leia também nosso resumo sobre Dermatite alérgica de contato!
Apresentação do caso clínico
Um motorista de ônibus de 59 anos de idade apresenta história de 5 meses de evolução de uma placa persistente pruriginosa abaixo do umbigo. Inicialmente, ela começou como uma erupção intermitente, indo e vindo em um padrão aparentemente randômico; nas últimas 6 semanas, desde que o clima ficou mais quente, as lesões não mais sumiram. O paciente está bem e não tem história de doenças cutâneas prévias. Não faz uso de medicamento algum.
Exame físico
Existe uma área de liquenificação bem delimitada, hiperpigmentação pós inflamatória, escoriação e erosão na linha média abaixo do umbigo. A pele ao redor tem uma área mais difusa de liquenificação, hiperpigmentação e eritema discreto.
Questões para orientar a discussão
- O que poderia ser essa erupção?
- Como ela poderia ser investigada?
- Que informação esse paciente precisa?

Respostas
Essas lesões são mais bem descritas como crônicas e eczematizadas. Um problema tão localizado como esse sugere uma etiologia exógena. O diagnóstico mais provável é uma dermatite alérgica de contato (DAC), embora possa ser muito difícil diferenciar clinicamente entre DAC e dermatite irritativa de contato. Ocasionalmente, psoríase pode apresentar-se como uma placa única, particularmente em um local de trauma (efeito Koebner); entretanto, raramente é tão pruriginosa quanto essa lesão descrita no caso. Dermatite atópica é normalmente uma erupção mais generalizada; embora eczema numular ou discoide seja caracterizado como muito bem definido, em formato de moeda, intensamente pruriginoso e com áreas inflamadas de pele liquenificada. Uma tinea corporis inflamatória associada particularmente com um organismo zoofilico também deve ser considerada. A apresentação da dermatite de contato pode variar, incluindo despigmentação, lesões pustulosas, urticária, atrofia, reações fototóxicas e eczema.
É apropriado obter um raspado cutâneo para investigação micológica. Teste de contato (patch test) é o teste diagnóstico para detectar sensibilização a alérgenos de contato. Embora um teste de contato não seja necessário para esse diagnóstico; alergia ao níquel é um dos poucos tipos de dermatite alérgica de contato em que a história da exposição associada aos sinais e sintomas são bem distintos. De fato, muitos pacientes não procuram a consulta médica, pois conseguem perceber a associação por eles mesmos. Se uma bateria de teste de contato confirma a presença de alergia ao níquel, sua relevância para a lesão atual deve ser confirmada. Um teste com dimetilglioxima (DMG) é um jeito simples e barato de determinar se o objeto em questão contém níquel, devido a uma alteração de cor (do incolor para o rosa). Cromo, paládio e cobalto são normalmente achados juntos ao níquel e uma alergia concomitante pode existir.
Níquel é a maior causa de dermatite alérgica de contato e é responsável por mais casos do que todos os outros metais juntos. Algumas ocupações com alta exposição ao níquel, como caixas, cabelereiros, pessoas que trabalham com metal, empregadas domésticas, pessoas me manuseiam comida, trabalham em bar, e pintores também estão sob o risco de desenvolve dermatite por níquel. Pacientes com eczema atópico também possuem risco aumentado. O suor pode aumentar a gravidade da dermatite. O cloreto de sódio do suor causa a corrosão do metal e aumenta a exposição ao níquel.
O manejo desse caso inclui a remoção da fivela do cinto que contém níquel ou do botão da calça, e aplicação tópica de cremes com corticoide até a erupção resolver-se. O paciente também deve ser informado sobre sua alergia, que ele sempre será alérgico ao níquel e a fontes comuns ou não esperadas do níquel. A alergia ao níquel é normalmente associada ao uso de brincos e joias ou piercing corporal. O níquel pode ser encontrado em vários itens do cotidiano – de moedas a fechos de colares, de pulseira de relógio a armações de óculos, e ferramentas e utensílios usados no trabalho e no domicílio.

Perguntas frequentes
- O que é?
A dermatite de contato é uma inflamação da pele causada por contato direto com uma substância em particular.
2. Como se caracteriza?
A erupção cutânea pode coçar muito, mantendo-se limitada a uma área específica, e geralmente com bordas bem definidas.
3. Qual o tratamento?
Tirar fator causal e passar cremes tópicos com corticoide.
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