Confira neste post um caso clínico de apendicite na emergência – da história clínica a conduta.
Apendicite na emergência: história clínica
Masculino, 24 anos, pardo, chegou na emergência do HJN relatando que há mais ou menos 10 horas passou a cursar com hiporexia e desconforto no mesogástrio de leve intensidade (4/10) que não tinha relação com a posição e não melhorava com evacuações e flatos.
Informa que há 2 horas, a dor migrou para a fossa ilíaca direita e aumentou de intensidade (8/10), sendo acompanhada de náuseas e 1 episódio de vômito.
Exames realizados em caso de suspeita de apendicite na emergência
Exame físico
Impressão geral: paciente em mal estado geral, fáceis de dor, sudorese, assumindo posição antálgica e evitando movimentos.
Exame do tórax
Evidência de alteração do padrão respiratório tóraco- abdominal, com inspirações mais rápidas e superficiais. Ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações.
Exame do abdome
Abdome difusamente doloroso à palpação, principalmente em quadrante inferior direito, apresentando resposta voluntária de rigidez muscular quando manipulado. Sinal de Blumberg presente no ponto de McBurney.
Exame neurológico
Nada digno de nota.
O que fazer diante do quadro clínico exposto?
Diante do quadro clínico exposto, qual o diagnóstico provável e qual a melhor conduta que deverá ser tomada?
Abdome agudo obstrutivo
Deve encaminhar o paciente para a realização de radiografia de abdome. Verdadeiro ou falso?
Falso. A incidência é maior entre a 4º e 5º décadas de vida. A dor no abdome agudo obstrutivo é de caráter em cólica e difusa que acomete todo abdome. Geralmente tem grande distensão abdominal com parada de eliminação de fezes e gases.
Ao exame um sinal que é muito característico é a desidratação e não há sinais de irritação peritoneal (defesa involuntária mecânica e sinal de Blumberg).
Apendicite
Analgesia e encaminhar imediatamente o paciente para o centro cirúrgico. Verdadeiro ou falso?
Falso. Excesso de gases na luz intestinal não cursa normalmente com alteração do estado geral, náuseas e vômitos. Além de a dor ser de forma difusa no abdômen e sinais de irritação peritoneal estarem ausentes.
Desconforto causado por excesso de gases na luz intestinal
Prescrever simeticona para o paciente e liberá-lo para casa. Verdadeiro ou falso?
Falso. Excesso de gases na luz intestinal não cursa normalmente com alteração do estado geral, náuseas e vômitos. Além de a dor ser de forma difusa no abdômen e sinais de irritação peritoneal estarem ausentes.
Colecistite
Encaminhar o paciente para a realização de ultrassonografia de abdome. verdadeiro ou falso?
Falso. Na colecistite a dor normalmente é o principal sintoma e está relacionada com a ingestão de alimentos. Inicialmente a dor é do tipo cólica em hipocôndrio direito que irradia para epigástrio e dorso. Depois torna-se contínua. Ao exame há hipersensibilidade em hipocôndrio direito e o sinal de Murphy está presente. É um diagnóstico diferencial de apendicite.
Peritonite bacteriana
Deixar o paciente internado para administração de antibióticos de amplo espectro. Verdadeiro ou falso?
Falso. Na peritonite bacteriana o comprometimento geral do paciente é bem maior, apresentando febre, sudorese intensa, vômitos em alta frequência, distensão abdominal ou não e mal- estar. Ao exame, abdome extremamente doloroso difusamente, resposta involuntária de defesa muscular.