A carreira em emergências pediátricas é um dos nichos mais desafiadores e gratificantes da medicina. Esse campo exige rapidez no diagnóstico, habilidades técnicas refinadas e domínio de protocolos atualizados, ao mesmo tempo em que requer sensibilidade para lidar com pacientes vulneráveis, crianças e adolescentes e com suas famílias em momento crítico.
O que significa “emergências pediátricas”?
Emergências pediátricas abrangem o atendimento médico de urgência e emergência para pacientes de faixa etária pediátrica (neonatos, lactentes, crianças e adolescentes). O conceito engloba:
- Atendimento inicial de pacientes com risco de vida (choque, parada cardiorrespiratória, sepse, convulsões, trauma, insuficiência respiratória etc.)
- Suporte avançado de vida (manejo de via aérea difícil, ventilação mecânica, suporte hemodinâmico);
- Protocolos específicos para crianças, as doses de medicamentos, aparatos técnicos, dimensionamentos e fisiologia são diferentes do adulto
- Coordenação com equipes multidisciplinares (enfermagem, fisioterapia, radiologia, laboratório, intensivistas, cirurgiões etc.)
- Transferência e transporte pediátrico, em casos de necessidade para centros de referência.
O profissional que deseja seguir essa carreira geralmente é pediatra treinado ou emergencista com complemento em pediatria, ou intensivista pediátrico. Além disso, em muitos hospitais, pronto-socorros pediátricos ou unidades de urgência pediátrica (UPPs) exigem médicos com esse perfil, aptos a enfrentar alta variabilidade de quadros clínicos.
Escopo de atuação do emergencista pediátrico
Dentro desse cenário, a atuação pode se dar nos seguintes contextos:
- Pronto atendimento / pronto-socorro pediátrico (centros hospitalares)
- Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP)
- Atendimento pré-hospitalar pediátrico (ambulâncias, SAMU infantil, transporte neonatal)
- Centros de referência regional em trauma infantil
- Hospitais terciários com centro de referência pediátrico
- Coordenação de protocolos de urgência pediátrica em hospitais regulares (integração adulto/pediátrico)
- Ensino e pesquisa voltados a emergências pediátricas (ensaios clínicos, simulações, protocolos de atendimento).
Assim, essa multiplicidade de atuações torna emergências pediátricas uma subárea com grande demanda, especialmente considerando que nem todos os pediatras têm preparo para lidar com situações críticas pediátricas.
Formação básica: residência médica e requisitos
Residência médica em Pediatria
A porta de entrada tradicional é a Residência Médica em Pediatria. No Brasil, a residência de pediatria é programa de “acesso direto”, ou seja, não exige especialidade anterior, o recém-formado pode ingressar imediatamente após a conclusão da graduação, por meio de concurso/unidade credenciada.
Até alguns anos, a residência em pediatria durava 2 anos, mas foi estendida para 3 anos para adequar-se a padrões internacionais e aumentar a profundidade de formação. Assim, a carga horária mínima exigida costuma ser de 60 horas semanais, entre atividades práticas (internações, ambulatório, rotinas hospitalares) e atividades teóricas (seminários, discussões de casos).
Durante esses três anos, o residente passa por rodízios obrigatórios em áreas como:
- Neonatologia e cuidado neonatal
- Enfermarias de pediatria geral
- Pronto-socorro / urgência pediátrica
- Ambulatório de puericultura e acompanhamento do crescimento e desenvolvimento
- Especialidades pediátricas (cardiologia, pneumologia, gastro, neurologia etc., conforme instituição)
- Unidade de terapia intensiva pediátrica ou neonatal.
Além disso, a Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) define uma matriz de competências mínimas esperadas para os residentes em pediatria.
Assim, segundo dados recentes, existem cerca de 275 instituições que oferecem residência em pediatria no Brasil, com cerca de 1.894 vagas para R1 (início da residência).
Especialização/subespecialização em emergências pediátricas
Após completar a residência em pediatria, o médico pode optar por especialização ou fellowship/residência adicional em emergências pediátricas ou áreas afins, como Medicina Intensiva Pediátrica, Neonatologia ou Trauma Pediátrico. A emergência pediátrica ainda não é sempre ofertada como residência reconhecida amplamente, mas há cursos e pós-graduações lato sensu que preenchem essa lacuna.
A pós-graduação em “Urgência e Emergência Pediátrica” é uma opção bastante utilizada. Esses cursos geralmente duram entre 12 e 18 meses e englobam aulas teóricas, simulações realísticas, estágios práticos em prontos-socorros e UTIs, e módulos de protocolização de atendimento.
Esses cursos podem ser oferecidos nas modalidades presencial, semipresencial ou EAD (com encontros práticos presenciais) para permitir flexibilidade para médicos já em exercício.
Além disso, outra via complementar é a experiência prática em serviço de urgência pediátrica ou UTI pediátrica, seguida de certame para Título de Área de Atuação (quando permitido pelas sociedades de especialidade). Isso exige comprovação de tempo de atuação e produção científica.
Dessa forma, o caminho típico seria:
- Graduação em medicina
- Residência em Pediatria (3 anos)
- Especialização/fellowship ou pós em emergência pediátrica ou áreas correlatas
- Certificação / título da especialidade (se aplicável)
- Aperfeiçoamento contínuo e participação científica
Remuneração: quanto ganha um médico em emergências pediátricas
A remuneração na pediatria e, especificamente, na emergência pediátrica, é bastante variável, depende da localidade, carga horária, tipo de vínculo (hospital público, privado, plantões), especialidade ou subespecialidade, bem como experiência profissional.
Durante a residência
Durante a residência médica, o residente recebe uma bolsa estipulada pelo governo federal para residentes médicos. Em 2025, esse valor gira em torno de R$ 4.106,09 mensais.
Dessa forma, muitos residentes complementam a renda com plantões extras (em locais permitidos), quando não conflitam com o regulamento da residência.
Remuneração após a formação
Após a especialização, os valores mensais para pediatras e quem atua com emergências pediátricas podem variar bastante:
- Alguns portais citam faixas entre R$ 8.000 e R$ 12.000 mensais para pediatras em atuação clínica geral ou com certa experiência
- Outros portais apontam médias salariais para pediatras próximos de R$ 7.338 mensais
- Em algumas estimativas otimistas, com acúmulo de plantões e participação em emergências, o teto pode ultrapassar R$ 14.000.
Para quem atua com plantões em emergências pediátricas, os valores por hora ou por plantão podem ser significativamente superiores, justamente por se tratar de regime de sobreaviso, trabalho noturno ou risco. Em muitos casos, o plantonista de emergência pediátrica pode obter remuneração proporcionalmente maior do que em atuação ambulatorial.
Além disso, muitos profissionais fazem “dupla jornada”: trabalho no serviço público (via concurso ou contrato) e atendimento no setor privado ou plantões. Essa combinação pode elevar significativamente a remuneração mensal total.
Entretanto, é importante notar que altos valores não são garantidos para todos: locais remotos, municípios de pequeno porte ou regiões carentes tendem a pagar menos. Por outro lado, centros urbanos de grande porte, hospitais de referência e demanda elevada por plantonistas pediátricos críticos tendem a pagar melhor.
Rotina, desafios e competências necessárias
Rotina típica de quem atua em emergências pediátricas
Quem atua nessa subárea pode enfrentar:
- Plantões de 12 a 24 horas, frequentemente em esquema de sobreaviso e escala com finais de semana e feriados
- Alta variabilidade de casos: desde viroses comuns até casos de trauma, intoxicações, choque séptico, parada cardiorrespiratória
- Exigência de decisões rápidas e precisas sob pressão
- Trabalho com recursos limitados, especialmente em hospitais menores – o médico deve coordenar decisões de referência ou transferência
- Coordenação com equipes multidisciplinares e transporte inter-hospitalar
- Uso frequente de protocolos e diretrizes clínicas atualizadas (ex: reanimação neonatal, suporte ventilatório, diretrizes de sepse infantil)
- Atendimento humanizado, comunicação com famílias em situações de alto estresse
- Registro cuidadoso dos casos, participação em auditorias hospitalares, qualidade assistencial e protocolos de segurança.
Competências técnicas e comportamentais
Para ser bem-sucedido nessa carreira, são necessárias competências como:
- Excelência em conhecimentos de fisiologia pediátrica e farmacologia infantil
- Habilidade em procedimentos invasivos (intubação, cateterismo venoso, acesso intraósseo etc.)
- Capacidade de liderança e gestão de equipe multidisciplinar em crises
- Tomada de decisão rápida com base em dados, mesmo em cenários de incerteza
- Resiliência emocional: lidar com mortes, famílias em grief, emergências traumáticas etc.
- Comunicação clara com equipe e familiares, especialmente em entrevistas difíceis
- Atualização contínua, a emergência pediátrica evolui com novas evidências, dispositivos e tecnologias
- Controle de estresse e cuidado com saúde mental do profissional.
Um ponto crítico: taxas de burnout entre médicos de emergências são altas. Além disso, rotatividade intensa, carga emocional e turno de trabalho contribuem para desgaste profissional. Assim, estratégias institucionais e pessoais para suporte psicológico e equilíbrio de vida são fundamentais.
Pós-graduação, cursos de atualização e certificações
Para aprimorar a carreira em emergências pediátricas, o médico pode buscar:
Pós-graduação em Urgência e Emergência Pediátrica (lato sensu)
Como mencionado, essas formações são focadas em urgência pediátrica, com mix de teoria, simulações e prática supervisionada. Servem como diferencial competitivo e aprofundamento técnico.
Cursos de atualização, simpósios e workshops
Cursos de suporte avançado de vida pediátrico (PALS – Pediatric Advanced Life Support), ECMO pediátrico, simulações realísticas, workshops em trauma, ventilação mecânica infantil bem como transportes neonatais etc. Essas certificações são valiosas e muitas vezes exigidas em hospitais de ponta.
Certificação de área de atuação/título de especialidade
Caso exista na região ou país, buscar o título de especialista em emergências pediátricas ou área correlata (UTI pediátrica, medicina de urgência) é um passo importante para reconhecimento formal.
No Brasil, algumas sociedades médicas permitem que médicos com experiência e produção científica sejam credenciados mesmo sem residência formal na subárea.
Produção científica e participação acadêmica
Publicar artigos, participar de congressos, coordenar projetos de pesquisa em emergências pediátricas, colaborar com protocolos de qualidade assistencial ampliam visibilidade profissional bem como podem abrir portas para cargos de referência, ensino e consultoria.
Vantagens, riscos e perspectivas futuras da carreira
Vantagens
- Alto impacto social: atuar em casos críticos, salvar vidas, causar diferença imediata
- Demanda contínua e carência de profissionais qualificados em muitas regiões
- Potencial de remuneração elevado, especialmente com plantões e múltiplos vínculos
- Desenvolvimento técnico e clínico acelerado (em emergências, o médico se expõe a muitos casos complexos)
- Reconhecimento profissional e de liderança em serviços hospitalares críticos.
Riscos e desafios
- Jornada de trabalho intensa, rotatividade de plantões e impactos na qualidade de vida
- Exposição ao estresse emocional e risco de burnout
- Competição por vagas de especialização e residências em emergências pediátricas pode ser acirrada
- Em regiões periféricas, infraestrutura limitada e menor remuneração
- Dificuldade de conciliar vida pessoal/família com regime de plantões
- Risco de desgaste e culpa médica ao lidar com resultados negativos.
Tendências e perspectivas futuras
- Aumento da demanda por especialistas em emergências pediátricas, dada a complexidade crescente dos casos e tecnologias emergentes
- Expansão de telemedicina e suporte remoto em emergências pediátricas para locais remotos
- Integração de simulações de realidade virtual e treinamentos imersivos para capacitação
- Protocolos nacionais e padronizados de urgência pediátrica para melhorar qualidade e segurança assistencial
- Crescimento de iniciativas acadêmicas e de pesquisa em emergências pediátricas brasileiras
- Valorização institucional de profissionais com certificações e especializações nessa subárea.
Próximo passo na sua carreira
A atuação em emergências pediátricas é intensa e desafiadora, pedindo preparo técnico sólido, resiliência emocional e compromisso com a vida infantil. A jornada costuma incluir residência em Pediatria (3 anos) e, na sequência, especialização ou fellowship em emergência pediátrica ou áreas afins. A remuneração é variável, com potencial de ganhos expressivos via plantões e múltiplos vínculos.
Quem escolhe esse caminho precisa equilibrar a paixão pelo cuidado crítico com estratégias de saúde mental e qualidade de vida. Atualização contínua, certificações e participação em pesquisa e educação médica sustentam a evolução profissional. A maior recompensa? Gerar impacto direto e imediato na saúde de recém-nascidos, crianças e adolescentes em momentos de maior vulnerabilidade.
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Referências bibliográficas
- SALÁRIO.COM.BR. Salário médico em emergências pediátricas. Disponível em: https://www.salario.com.br/salarios/emergencias-pediatricas/. Acesso em: 24 set. 2025.


