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Carcinoma invasivo do colo uterino | Colunistas

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Introdução

O câncer de colo de útero representa uma das neoplasias mais frequentes na ginecologia e com maior número de morte. Apresenta maior ocorrência nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento e constitui um verdadeiro problema de saúde pública. (1)

A descoberta dos cânceres nas fases iniciais é de suma importância, pois, foi evidenciado que grande parte dos tumores invasivos são curados com sua precoce ressecção o com o tratamento adequado. Esse potencial de cura é explicado através da eficácia do teste citológico de Papanicolau na detecção de pré-cânceres cervicais e ao fácil acesso ao colo uterino para colposcopia e biópsia. (1)

Oncogênese

Também chamado de câncer cervical, o câncer do colo do útero é causado pela infecção persistente por alguns tipos do Papilomavírus Humano – HPV (chamados de tipos oncogênicos). Os tipos de HPV mais associados com as neoplasias intraepiteliais cervicais (NIC) são, principalmente: 16 e 18. (2, 3)

A transmissão se dá através do contato sexual e pode acometer mulheres de todas as idades, sendo as mais comumente afetadas entre a faixa etária de 20-24 anos. (3)

O HPV se desenvolve nas células de junção escamocolunar (JEC), nas quais o vírus se integra ao genoma células, dando início a uma replicação descontrolada. As oncoproteínas E6 e E7 se ligam às proteínas supressoras de tumor (p53 e Rb), inativando-as e perpetuando a progressão neoplásica.

O HPV tem predileção pela pele queratinizada anogenital. Os locais comuns de infecção incluem o pênis, escroto, períneo, canal anal, região perianal, introito vaginal, vulva e colo do útero. (4)

Resumo de HPV (completo) – Sanarflix - Sanar Medicina

Imagem: Progressão do carcinoma induzido pelo HPV. Fonte: Sanarflix.

Fatores de Risco

Essa neoplasia relaciona-se com o subdesenvolvimento e com:

  •  Infecção pelo HPV (principalmente 16 e 18);
  • Início precoce da atividade sexual;
  • Múltiplos parceiros sexuais;
  • Parceiros sexuais de risco;
  • Atividade sexual desprotegida;
  • Tabagismo;
  • Desnutrição;
  • Imunossupressão;
  • Multiparidade;
  • Baixa escolaridade;
  • Baixo acesso ao Serviço de Saúde.

Manifestações Clínicas

O câncer do colo do útero é uma doença de desenvolvimento lento, que pode não apresentar sintomas em fase inicial. Nos casos mais avançados, pode evoluir para sangramento vaginal intermitente (que vai e volta) ou após a relação sexual, secreção vaginal anormal e dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais. (2)

Diagnóstico

Os seguintes testes podem ser utilizados: (2)

  1. Exame pélvico e história clínica: exame da vagina, colo do útero, útero, ovário e reto através de avaliação com espéculo, toque vaginal e toque retal;
  2. Exame Preventivo (Papanicolau);
  3. Colposcopia – exame que permite visualizar a vagina e o colo de útero com um aparelho chamado colposcópio, capaz de detectar lesões anormais nessas regiões;
  4. Biópsia – se células anormais são detectadas no exame preventivo (Papanicolau), é necessário realizar uma biópsia, com a retirada de pequena amostra de tecido para análise no microscópio.

Tratamento

O tratamento deve ser avaliado e orientado por um médico para cada caso específico. Entre os tratamentos disponíveis estão a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia. O tipo de tratamento dependerá do estadiamento (estágio de evolução) da doença, tamanho do tumor e fatores pessoais, como idade da paciente e desejo de ter filhos. (2)

Se confirmada a presença de lesão precursora, ela poderá ser tratada a nível ambulatorial, por meio de uma eletrocirurgia. (2)

Como prevenir?

A prevenção primária do câncer do colo do útero está relacionada à diminuição do risco de contágio pelo Papilomavírus Humano (HPV). A transmissão da infecção ocorre por via sexual, presumidamente por meio de abrasões microscópicas na mucosa ou na pele da região anogenital. Consequentemente, com o uso de preservativos (camisinha masculina ou feminina), durante a relação sexual com penetração, protege parcialmente do contágio pelo HPV, que também pode ocorrer pelo contato com a pele da vulva, região perineal, perianal e bolsa escrotal. (2)

A prevenção secundária relaciona-se com estratégias de diagnóstico precoce; a terciária com reabilitação dos que já têm a doença estabelecida e sintomática e, por fim, a quaternária seria manter os cuidados para evitar ou atenuar os excessivos e desnecessários procedimentos.

Vacinação contra o HPV

O Ministério da Saúde implementou no calendário vacinal a vacina tetravalente contra o HPV para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Essa vacina protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Os dois primeiros causam verrugas genitais e os dois últimos são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero. (2)

A vacinação deve ser complementada com a realização do exame preventivo (Papanicolau), iniciada a partir dos 25 anos, pois a vacina não protege contra todos os tipos oncogênicos do HPV. (2)

Detecção precoce

A detecção precoce do câncer é uma estratégia para encontrar um tumor numa fase inicial e, assim, possibilitar maior chance de tratamento. (2)

Exame preventivo

O exame preventivo do câncer do colo do útero (Papanicolau) é a principal estratégia para detectar lesões precursoras e para fazer o diagnóstico precoce da doença. (2)

Para garantir um resultado correto, preferencialmente: (2)

  • Não se deve ter relações sexuais (mesmo com camisinha) no dia anterior ao exame;
  • Evitar o uso de duchas, medicamentos vaginais e anticoncepcionais locais nas 48 horas anteriores à sua realização;
  • É importante não estar menstruada, porque a presença de sangue pode alterar o resultado;
  • Mulheres grávidas também podem se submeter ao exame, sem prejuízo para sua saúde ou a do bebê.

Como é feito o exame(2)

  • É introduzido na vagina o espéculo;
  • O profissional de saúde faz a inspeção visual do interior da vagina e do colo do útero;
  • O profissional promove a escamação da superfície externa e interna do colo do útero com uma espátula de madeira e uma escovinha;
  • As células colhidas são colocadas numa lâmina de vidro para análise em laboratório especializado em citopatologia.
Papanicolaou (Papanicolaou). Mostrados são um esfregaço cervical (superior), um esfregaço cervical (inferior esquerdo) e um aspirador endocervical (inferior direito).

Imagem: Exame preventivo do câncer do colo do útero (Papanicolau). Fonte: Shutterstock.

Quem deve fazer e quando fazer o exame preventivo

O exame deve ser oferecido às mulheres ou qualquer pessoa com colo do útero, na faixa etária de 25 a 64 anos e que já tiveram atividade sexual. Devido à longa evolução da doença, o exame pode ser realizado a cada três anos, sendo que, os dois primeiros exames, devem ser anuais. Se os resultados estiverem normais, sua repetição só será necessária após três anos. (2)

Resultado

Se o seu exame acusou: (2)

  • Negativo para câncer: se esse for o seu primeiro resultado negativo, você deverá fazer novo exame preventivo dentro do um ano. Se você já tem um resultado negativo no ano anterior, deverá fazer o próximo exame preventivo daqui a três anos;
  • Infecção pelo HPV ou lesão de baixo grau: a paciente deverá repetir o exame daqui a seis meses;
  • Lesão de alto grau: o médico decidirá a melhor conduta. A mulher vai precisar fazer outros exames, como a colposcopia;
  • Amostra insatisfatória: A quantidade coletada de material não foi suficiente para fazer o exame. A paciente deverá repetir o exame logo que for possível.

Em todas as situações, é importante seguir as recomendações médicas.

PALAVRAS-CHAVE: câncer de colo de útero; câncer cervical; sintomas de câncer no colo do útero

AUTOR: Vitória Vieira Oliveira

INSTAGRAM @vitoria.vvo

Referências

Carvalho R de, Leite CG, Ricardo D, Ramalho E, Sueleny S. Carcinoma de células escamosas microinvasivo: relato de caso. Revista Paraense de Medicina [Internet]. 2022 [cited 2022 Jan 15];20(3):65–9. Available from: http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-59072006000300013#:~:text=A%20doen%C3%A7a%20se%20inicia%20em,perda%20de%20sangue%20ao%20coito.

Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Divisão de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede. Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero. 2. Ed. Ver. Atual. Rio de Janeiro: Inca,2016.

Câncer do colo do útero [Internet]. INCA – Instituto Nacional de Câncer. 2018 [cited 2022 Jan 15]. Available from: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-do-colo-do-utero#:~:text=O%20c%C3%A2ncer%20do%20colo%20do,das%20vezes%20n%C3%A3o%20causa%20doen%C3%A7a.

Urbantez, AA. Ginecologia e Obstetrícia – FEBRASGO para médico residente. Baueri-SP. Manole, 2016

Resumo de HPV (completo) – Sanarflix – Sanar Medicina [Internet]. Sanar | Medicina. 2020 [cited 2022 Jan 15]. Available from: https://www.sanarmed.com/resumo-de-hpv-epidemiologia-fisiopatologia-tratamento-sanarflix


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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