Confira neste artigo tudo que você precisa saber sobre carcinoma endometrial, incluindo contextualização e mais informações.
O câncer endometrial é uma doença que está cada vez mais prevalente, principalmente por estar relacionado à obesidade.
É importante salientar que o carcinoma endometrioide, embora acometa mais o útero, não é exclusivo desse órgão, podendo atingir qualquer tecido endometrial extrauterino.
O tipo mais comum de carcinoma de endométrio é o endometrioide (cerca de 77%), por isso, ele será mais abordado nesse resumo.
| Fatores de risco-aumento de IMC em mulheres-obesidade em mulheres pós-menopausadas-sedentarismo-exposição excessiva a estrógeno sem a oposição da progesterona-hiperinsulinemismo-tratamento para câncer de mama | Fatores de proteção- consumo diário de café -possivelmente a prática de exercícios |
Desse modo, o objetivo deste artigo é te orientar sobre a carcinoma endometrial e aprimorar seus conhecimentos e prática clínica. Acompanhe!
Contextualização sobre câncer do endométrio
O câncer de endométrio pode ser causado como consequência de uma deficiência de progesterona ou um excesso de estrogênio biodisponível, levando à proliferação do tecido endometrial.
Dessa forma, a obesidade e a presença de síndrome de ovários policísticos são os principais fatores de aumento de estrógeno sem oposição. Após a menopausa, o estrógeno passa a ser produzido nos reservatórios de gordura e os hormônios esteroides podem ser carcinogênicos, pois participam da origem, crescimento e disseminação do tumor.
Além disso, a obesidade libera, de forma crônica, substâncias inflamatórias (adipocinas) e fatores de crescimento (IGF-1), que atuam nos receptores endometriais de insulina, promovendo o crescimento do tumor.
Desse modo, doenças que causam o hiperandrogenismo, como a Síndrome dos ovários policísticos promovem a anovulação e falta de progesterona para regular o estrogênio.
Em relação ao câncer de mama, o tratamento prolongado com moduladores seletivos dos receptores de estrógeno, como o citrato de tamoxifeno, que são competidores do receptor de estrogênios, são os responsáveis pelo aumento do adenocarcinoma de endométrio, já que, enquanto age antagonizando os receptores na mama, é um agonista no tecido endometrial e promove sua proliferação.
Assim, as síndromes como a de Lynch, de Cowden são alterações genéticas que conferem maior risco, devendo ser realizado ultrassom de rotina a partir dos 30-35 anos.
Epidemiologia
A maior parte dos cânceres de endométrio ocorrem em mulheres pós-menopausa após a atrofia do endométrio por queda dos níveis de progesterona e o diagnóstico a partir do início dos sintomas é lento, em média, leva 244 para o diagnóstico e 376 dias do início dos sintomas ao início do tratamento.
Revisão histológica
A característica típica do carcinoma endometrioide é o padrão histológico similar ao endométrio saudável, composto por glândulas.
Desse modo, os cânceres de endométrio têm início com a proliferação celular de glândulas chamada de hiperplasia, podendo ser classificadas como lesões precursoras.
Ref: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2019/12/1046498/femina-2019-472-105-109.pdf
Classificações dos laudos
De acordo com a histologia, os laudos patológicoss são classificados em:
Tipos histológicos (segundo a OMS)
- Carcinoma endometrioide sem outra especificação;
- Carcinoma endometrioide, variante (especificar com diferenciação escamosa, mucinosa, viloglandular, secretora, células ciliadas);
- Carcinoma mucinoso;
- Carcinoma seroso;
- Carcinoma de células claras;
- Carcinoma misto (especificar tipos e porcentagens; somente deve ser usado se 2 ou mais subtipos distintos de adenocarcinoma de endométrio forem identificados, cada um representando mais de 10% do tumor);
- Carcinoma escamoso;
- Carcinoma transicional;
- Carcinoma de pequenas células;
- Carcinoma indiferenciado;
- Carcinossarcoma/tumor mulleriano misto maligno; e
- Outro (especificar).
Tipos moleculares
Tipo I (baixo grau):
É o mais comum, a maioria apresenta receptores de estrogênio e um bom prognóstico. Em relação a histologia possuem padrão endometrioide.
Tipo II (alto grau):
Não apresentam receptores de estrogênio, portanto não sofrem influência desse hormônio. A grande maioria não é do tipo endometrioide, mas, sim, seroso e de células claras. Possuem um pior prognóstico.
Ref: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2019/12/1046498/femina-2019-472-105-109.pdf
Diagnóstico
De acordo com o artigo “Malignant Uterine Neoplasms Attended at a Brazilian Regional Hospital: 16-years Profile and Time Elapsed for Diagnosis and Treatment “, 92% das mulheres com carcinoma do tipo endometrioide apresentaram sangramento uterino e 43% foi diagnosticada através de uma curetagem. Muitas vezes, a descoberta ocorre durante uma histerectomia (retirada do útero).
Se ocorrer sangramento ou o paciente apresentar predisposição genética, os médicos recomendam o ultrassom transvaginal. Caso detecte-se espessamento do endométrio, deve-se iniciar uma investigação mais minuciosa, como a biópsia ambulatorial e histeroscopia com biópsia.
Ref: https://www.saudebemestar.pt/pt/clinica/ginecologia/histeroscopia-cirurgica/
Após o diagnóstico, o estadiamento é importante para determinar as características do tumor, o prognóstico e o melhor tratamento. O estadiamento mais usado nesse caso é o FIGO, da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (mais informações aqui).
Tratamento
Para a hiperplasia pode-se usar o sistema intrauterino (SIU) liberador de levonorgestrel, que apresenta alta taxa de regressão com menos efeitos colaterais.
Na maioria dos casos, a histerectomia total, juntamente com a retirada de tubas, ovários e linfonodos é o tratamento inicial. A retirada apenas do útero, portanto, não impede o surgimento do câncer de endométrio. Os portadores de síndrome de Lynch devem ser submetidos a cirurgia de remoção quando for possível para evitar o câncer.
Em alguns casos, os médicos indicam rádio, quimio ou hormonioterapia como complemento, dependendo do estágio da doença. Este último método melhora até 80% dos pacientes com tumores dependentes de hormônios, como os de próstata, mama e endométrio.
Assim, esse tipo de tratamento é indicado para graus I e II, sendo o acetato de megestrol (AM) e acetato de medroxiprogesterona, hormônios sintético derivados de progesterona, os mais indicados.
Referências
BEREK, Tratado de Ginecologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (15th edição). Grupo GEN, 2014.
Candido, Elaine Cristina, et al. “Malignant Uterine Neoplasms Attended at a Brazilian Regional Hospital: 16-years Profile and Time Elapsed for Diagnosis and Treatment.” Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia 43 (2021): 137-144.
Sociedade Brasileira de Patologia. Carcinomas do endométrio 5° edição
Viana, Luiz, C. e Selmo Geber. Ginecologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (3rd edição). MedBook Editora, 2012.
Lima, Maíra de Assis. Influência dos hormônios esteroidais na migração, invasão e expressão das proteases ADAMTS 1 e 4 em células derivadas de tumores de ovários. Diss. Universidade de São Paulo.
Yoshida, Adriana, Luís Otávio Zanatta Sarian, and Liliana Aparecida Lucci De Angelo Andrade. “Hiperplasia endometrial e câncer do endométrio.” Femina 47.2 (2019): 105-9.
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