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Características Patológicas de Lesão Hepática Associada à COVID | Colunistas

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Lesão hepática associada à COVID-19

Em 11 de março de 2020 foi declarada pela OMS a pandemia causada pelo SARS-COV-2, vírus envelopado, de RNA, da família dos Coronavírus, vírus com alta capacidade de mutação e transmissibilidade, agente etiológico da doença intitulada COVID-19, tendo seus primeiros casos detectados em Wuhan, cidade localizada na China. Logo teve um aumento exponencial de casos, tornando-se a causa da Pandemia que ainda hoje assola o mundo.

Repercussões clínicas

Completamos um ano desde que a OMS decretou a pandemia e ainda muito se discute sobre as repercussões clínicas causadas pela COVID-19.
O principal meio de entrada do SARS-COV-2 é o receptor da enzima conversora da angiotensina 2 (ACE 2), causando assim uma doença sistêmica, sabe-se que os infectados podem variar de assintomáticos a condições gravíssimas e óbito, muito se relaciona com o comprometimento do Sistema Respiratório, porém já é sabido que além deste, o vírus pode causar comprometimento em demais sistemas, como por exemplo, cardíaco, neurológico, gastrointestinal, além de ser de altíssima gravidade em gestantes.
No presente artigo focaremos mais precisamente no fígado, órgão anexo do Sistema Gastrintestinal e importantíssimo para o metabolismo.

Figura 1 – Pulmões de um chinês de 44 anos que morreu por conta da doença (Foto: Radiological Society of north America) em https://www.sanarmed.com/coronavirus-origem-sinais-sintomas-achados-tratamentos.

O fígado e suas funções

Localizado à direita logo abaixo do diafragma, se trata de uma glândula vital para se manter a homeostasia. Através do sistema porta hepático, todos os nutrientes absorvidos pelo sistema digestório, com exceção da gordura, passam primeiramente pelo fígado, também responsável por diversas funções metabólicas, armazenamento de glicogênio e secreção de bile.

Lesão Hepática associada à COVID-19

Figura 2 – Clinical characteristics and pathophysiology of liver injury from COVID-19. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7268949/.

Considera-se lesão hepática associada à COVID-19 qualquer lesão decorrente da doença ou tratamento dela, tendo ou não doença hepática prévia, sendo esses mais suscetíveis, podendo agravar as lesões em pacientes com hepatite viral crônica, doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA). A presença do receptor ACE 2 em hepatócitos e colangiócitos contribue para a infecção e replicação viral, podendo somar como mecanismos de lesão:
– Danos causados por resposta inflamatória mediados pelo sistema imune, interleucinas, proteína C reativa, ferritina sérica, dentre outros biomarcadores de inflamação, foram encontrados elevados em pacientes graves;
– Hepatite hipóxica, resultante da anoxia causada pela insuficiência respiratória;
– Citotoxicidade, diretamente ligada à replicação viral;
– Lesão hepática induzida por drogas, pacientes em tratamento de antibióticos, antimicrobianos e principalmente em pacientes tratados com agentes antivirais, sendo estes com grande potencial hepatotóxico e sem eficácia comprovada, o uso indiscriminado de Azitromicina, foram associados a lesões biliares e hepatocelulares;
– Doença hepática prévia, tornando os pacientes mais suscetíveis a danos no fígado, levando ao agravamento da doença.

Figura 3 – Infecção por SARS ‐ CoV ‐ 2 e o fígado. GI, gastrointestinal; IL-6, interleucina-6 https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/liv.14470,

Em sua maioria, pacientes em estado grave da doença apresentaram níveis séricos aumentados de enzimas e marcadores hepáticos, incluindo alanina  aminotransferase (ALT), aspartato aminotransferase (AST), gama glutamil transferase (GGT) e bilirrubina total, sendo a AST a que mais se eleva e sua elevação tendo maior correlação com a mortalidade se comparado a outros marcadores, assim como apresentam alterações de coagulação e redução nos níveis de albumina, sendo esse um marcador de gravidade.
A miosite ou a lesão cardíaca contribuem para o aumento da AST tendo em vista que também é distribuída no miocárdio e no músculo esquelético, comprovando o comprometimento sistêmico causado pelo vírus.

Figura 4 –  Mecanismos potenciais de lesão hepática em pacientes com doença coronavírus 2019 https://www.wjgnet.com/2307-8960/full/v9/i3/528.htm,

Histologicamente, um achado comum é a esteatose (em até 75% dos casos) sendo a macrovesicular de maior predominância, hepatócitos apoptóticos como indício de hepatite aguda (em até 50% dos casos), inflamação portal, marcada por células mononucleares portais com leve aumento, colestase lobular (em até 38% dos casos), microtombos sinusoidais (em 15% dos casos), hialinose portal arteriolar, necrose isquêmica centrolobular, dentre outros.

Figura 5 – Esteatose macrovesicular grave envolvendo todas as 3 zonas (100x).https://www.pathologyoutlines.com/topic/liverCOVID19.html.
Figura 6 – Hepatócitos apoptóticos (600x). https://www.pathologyoutlines.com/topic/liverCOVID19.html.
Figura 7 – Infiltrado de células mononucleares em um trato portal (400x). https://www.pathologyoutlines.com/topic/liverCOVID19.html.
Figura 8 – microtrombos sinusoidais (600x). https://www.pathologyoutlines.com/topic/liverCOVID19.html.
Figura 9 – Um foco típico de necroinflamação lobular, composto predominantemente por células inflamatórias com detritos apoptóticos misturados (600x) https://www.pathologyoutlines.com/topic/liverCOVID19.html.
Figura 10 – Hialinose de um ramo menor da arteríola portal (600x). https://www.pathologyoutlines.com/topic/liverCOVID19.html.

Conclusão

A lesão hepática pode ser consideravelmente comum em pacientes graves de COVID-19 e pode ser induzida pela replicação viral em hepatócitos e colangiócitos, inflamação imunomediada, hipóxia causada por insuficiência respiratória, toxicidade por drogas ou doença hepática prévia e é marcada pelo aumento de enzimas e marcadores hepáticos, em especial o AST e hipoalbuminemia.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

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https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/liv.14470
De Michele S, Lagana SM. Liver & intrahepatic bile ducts
Viral hepatites- COVID-19: Site da PathologyOutlines.
Acessado em 26 de fevereiro de 2021.
https://www.pathologyoutlines.com/topic/liverCOVID19.html

Han MW, Wang M, Xu MY, Qi WP, Wang P, Xi D. Clinical features and potential mechanism
of coronavirus disease 2019-associated liver injury. World J Clin Cases. 2021 Jan 26;9(3):528-539. doi: 10.12998/wjcc.v9.i3.528. PMID: 33553391; PMCID: PMC7829721.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33553391/

Lagana, SM, Kudose, S., Iuga, AC et al. Patologia hepática em pacientes morrendo de COVID-19: uma série de 40 casos incluindo dados clínicos, histológicos e virológicos. Mod Pathol 33, 2147–2155 (2020). https://doi.org/10.1038/s41379-020-00649-https://www.nature.com/articles/s41379-020-00649-x

Wong GL, Wong VW, Thompson A, Jia J, Hou J, Lesmana CRA, Susilo A, Tanaka Y, Chan WK, Gane E, Ong-Go AK, Lim SG, Ahn SH, Yu ML, Piratvisuth T, Chan HL; Asia-Pacific Working Group for Liver Derangement during the COVID-19 Pandemic. Management of patients with liver derangement during the COVID-19 pandemic: an Asia-Pacific position statement. Lancet Gastroenterol Hepatol. 2020 Aug;5(8):776-787. doi: 10.1016/S2468-1253(20)30190-4. Epub 2020 Jun 23. PMID: 32585136; PMCID: PMC7308747.
https://www.thelancet.com/journals/langas/article/PIIS2468-1253(20)30190-4/fulltext

Carreira Médica. Coronavírus (COVID-19): origem, sinais, sintomas, sintomas, achados e mais  
https://www.sanarmed.com/coronavirus-origem-sinais-sintomas-achados-tratamentos

Guilherme Grossi Cançado. Como é a Relação do Novo Coronavírus com o Fígado?
https://pebmed.com.br/covid-19-como-e-a-relacao-do-novo-coronavirus-com-o-figado/#:~:text=A%20inj%C3%BAria%20hep%C3%A1tica%20associada%20%C3%A0,sem%20doen%C3%A7a%20hep%C3%A1tica%20pr%C3%A9%2Dexistente.Figura 11

Brito CA, Barros FM, Lopes EP. Mecanismos e consequências da lesão hepática associada a COVID-19: o que podemos afirmar? World J Hepatol  2020; 12 (8): 413-422 DOI: https://dx.doi.org/10.4254/wjh.v12.i8.413

https://www.wjgnet.com/1948-5182/full/v12/i8/413.htm

Alqahtani SA, Schattenberg JM. Lesão hepática em COVID-19: A evidência atual. United Europeia Gastroenterol J . 2020; 8 (5): 509-519. doi: 10.1177 / 2050640620924157
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7268949/

L., M.K.; F., D.A.; R., A.A.M. Anatomia Orientada para Clínica, 8ª edição. EDITORA GUANABARA KOOGAN: Grupo GEN, 2018. 9788527734608. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527734608/.

 Acesso em: 26 Feb 2021

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