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Candidíase vulvovaginal: fisiopatologia e tratamento

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A candidíase vulvovaginal é a segunda causa mais comum de sintomas de vaginite, logo após a vaginose bacteriana . Além disso, por ser uma das causas mais prevalentes de corrimento vaginal, é um dos motivos que mais levam as mulheres ao ginecologista.

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Definição

A candidíase vulvovaginal (CVV) trata-se de um processo inflamatório da vulva e da vagina. Esse processo é decorrente de uma infecção secundária, que tem como agente do gênero Candida.

A espécie Candida albicans é o principal agente responsável pela maior parte dos casos, seguido do Candida globarata.

Apesar de não ser uma doença considerada de notificação compulsória às autoridades de saúde, a candidíase é considerada um problema de saúde pública global. Isso se deve ao grande impacto não apenas físico, mas psicológico, que a candidíase tem na vida das mulheres, interferindo diretamente nas suas relações afetivas e desempenho no trabalho.

Fisiopatologia da candidíase

De forma geral, as vulvovaginites costumam ocorrer a partir de um desequilíbrio da flora vaginal.

Tal desregulação pode ocorrer por diversos motivos e, dentre eles, encontram-se o estresse , a , baixa imunidade ou uso de medicamentos, por exemplo.

No caso da candidíase, acontece um aumento na quantidade de Lactobacilos, responsáveis pela produção de ácido lático e manutenção do pH ácido da vagina. Sendo assim, a secreção exacerbada do ácido diminui ainda mais o pH, tornando a mucosa vaginal propícia à proliferação da Candida sp.

Com isso, tem-se um processo inflamatório que resulta em manifestações clínicas que costumam causar grandes incômodos às pacientes.

O gênero Candida trata-se do principal grupo de leveduras que causam infecções oportunistas nos seres humanos. Sendo assim, o desbalanço da microbiota ou do sistema imune oportunizam manifestações agressivas, tornando-se patogênicas.

Figura 1: Micrografia de baixa potência de elementos hifais observados no exame de hidróxido de potássio a 10% de uma paciente com  vaginite por  C. albicans. Fonte: Sobel et al, 2022.

O mecanismo que leva as espécies Candida passa de uma colonização assintomática para uma forma invasiva, resultando em uma doença vulvovaginal sintomática é complexa. Isso porque nele estão envolvidos inflamações do paciente, de fatores de virulência de além de leveduras.

Fatores de risco para candidíase

É importante ressaltar que muitos ataques esporádicos de candidíase vulvovaginal ocorrem sem a presença de um fator precipitante que possa ser identificado.

Com relação aos que são identificáveis, tem-se então:

  • Diabetes mellitus: Mulheres com diabetes mellitus são mais propensas a episódios de candíase vulvovaginal que mulheres euglicêmicas. A partir disso, o tratamento com inibidores do cotransportador de sódio e glicose 2 pode aumentar o risco de candidíase vulvovaginal.
  • Uso do antbióticos: o uso dos antibióticos de amplo espectro aumenta o risco de desenvolver candidíase, devido a inibição da flora bacteriana normal, favorecendo o aumento de patógenos fúngicos, como Candida.
  • Níveis de estrogênio aumentados: especialmente, em cenários de gravidez e terapia de estrogênio na pós-menopausa.
  • Imunossupressão: as infecções por Candida são mais comuns em pacientes que tomam glicocorticóides ou outros medicamentos imunossupressores, ou ainda aqueles infectados pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV).
  • Comportamento sexual: apesar de a candidíase não ser considerada uma infecção sexualmente transmissível, está associada à atividade sexual, visto que o quadro é relatado com frequência no momento em que as mulheres iniciam atividade sexual.

Outros fatores de risco que podem favorecer a candidíase vulvovaginal são:

  • Hábito de higiene e vestuário que aumente a umidade local
  • Contraceptivo oral combinado
  • Radioterapia
  • Obesidade
  • Gravidez

Quadro clínico da candidíase

Sintomas

Dos sintomas relatados pelas pacientes, o prurido vulvar é a característica predominante na candidíase vulvovaginal.

Outros sintomas comuns são ardência, dor e irritação vulvar, podedo estar acompanhados de disúria (externa ou vulvar em vez de uretral), ou dispareunia. Tais sintomas frequentemente são relatados como mais intensos quando o episódio de candidíase ocorre na semana anterior à menstruação.

A intensidade e sintomas varia muito, desde leve a grave na Candida albicans. Quando a infecção ocorre por Candida glabrata ou Candida parapsilosis, os achados tentem a variar entre leves ou até mínimos.

Exame físico

No exame físico, o corrimento vaginal esbranquiçado, descrito como semelhante a “queijo coalhado”, é o segundo maior achado, acompanhado do prurido vaginal.

Ainda sobre o corrimento vaginal, costuma apresentar-se classicamente branco, espesso, aderente às paredes vaginais e grumoso, com ou sem odor.

Figura 2: Corrimento vaginal com aspecto de queijo coalhado.

Na avaliação da genitália externa, vagina e colo do útero, é observado eritema da vulva e da mucosa vaginal, além do edema vulvar.

Figura 3: Eritema labial e edema podem estar presentes em mulheres com candidíase vulvovaginal. Fonte: Williams Gynecology, 3ª ed, Hoffman BL, Schorge JO, Bradshaw KD, et al (Eds), McGraw Hill Education, Nova York 2016. p.61. 

Diagnóstico laboratorial

Os exames laboratoriais consistem na identificação das leveduras presentes nas secreções vaginais, sendo eles os exame a fresco, possibilitando a visualização direta das hifas, e coloração de Gram, indicada em casos de recorrência ou resistência ao tratamento.

No exame a fresco o material é retirado das paredes laterais da vagina, com uma espátula Ayre ou swab, depositado em lâmina e misturado com 1 ou 2 gotas de solução fisiológica e coberta com lamínula.

Tratamento da candidíase

As características, quadro clínico e critério médico nortearão a escolha terapêutica.

Dentre os antifúngicos que são mais utilizados, a classe dos azóis se destaca, incluindo os imidazóis (butoconazol, clotrimazol, miconazol e cetoconazol), e triazóis (fluconazol e terconazol). Esses fármacos atuam inibindo a síntese do esgosterol, presente na célula do fungo.

Os azóis possuem a maior taxa de cura clínica próxima a 90%. Estão disponíveis em formulações tópicas (pomadas) e orais.

O uso de cetoconazol e itraconazol é uma boa opção nos episódios eventuais ou para supressão, não sendo escolha para manutenção por apresentarem mais efeitos colaterais.

De acordo o Ministério da Saúde, tem-se que o tratamento para candidíase deve ser seguido da seguinte forma:

Figura 3: Terapêutica para candidíase.

Em casos de uma candidíase complicada ou recorrente, indica-se o seguinte:

Figura 4: Terapêutica para casos de candidíase complicada ou recorrente.

Perguntas frequentes

  1. Porque a candidíase é uma doença tão recorrente?
    A candidíase é uma que leva a um grande prurido observado por pacientes, especialmente intensa na região vulvovaginal. Diante desse quadro, muitas vezes o diagnóstico da doença é feito de forma empírica, o que leva a uma prescrição medicamentosa precipitada ou mesmo à automedicação. Ao longo do tempo, esse cenário favorece casos de resistência fúngica, propiciando uma recorrência da doença.
  2. A candidíase vulvovaginal é uma infecção sexualmente transmissível (IST)?
    A candidíase vulvovaginal não é considerada uma IST, já que ocorre também em mulheres que não possuem vida sexualmente ativa, além de a Candida ser considerada parte da flora vaginal normal. No entanto, isso não significa que a candidíase não esteja associada a atividade sexual.
  3. Quais são as regiões que a Candida albicans pode acometer?
    A Candida albicans pode acometer a região inguinal, perianal e períneo.

Referências

  1. Jack D Sobel, MDCaroline Mitchell, MD, MPH. Vulvovaginite por Candida: Manifestações clínicas e diagnóstico . UpToDate .
  2. DAGMAR MERCADO SOARES. CANDIDÍASE VULVOVAGINAL: UMA REVISÃO DELITERATURA COM ABORDAGEM PARA Candida albicans. Revista Brasileira de Cirurgia e Pesquisa Clínica – BJSCR.

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