A candidíase vulvovaginal é a segunda causa mais comum de sintomas de vaginite, logo após a vaginose bacteriana . Além disso, por ser uma das causas mais prevalentes de corrimento vaginal, é um dos motivos que mais levam as mulheres ao ginecologista.
Complemente seu racícinio no estudo das vulvovaginites!
Definição
A candidíase vulvovaginal (CVV) trata-se de um processo inflamatório da vulva e da vagina. Esse processo é decorrente de uma infecção secundária, que tem como agente do gênero Candida.
A espécie Candida albicans é o principal agente responsável pela maior parte dos casos, seguido do Candida globarata.
Apesar de não ser uma doença considerada de notificação compulsória às autoridades de saúde, a candidíase é considerada um problema de saúde pública global. Isso se deve ao grande impacto não apenas físico, mas psicológico, que a candidíase tem na vida das mulheres, interferindo diretamente nas suas relações afetivas e desempenho no trabalho.
Fisiopatologia da candidíase
De forma geral, as vulvovaginites costumam ocorrer a partir de um desequilíbrio da flora vaginal.
Tal desregulação pode ocorrer por diversos motivos e, dentre eles, encontram-se o estresse , a , baixa imunidade ou uso de medicamentos, por exemplo.
No caso da candidíase, acontece um aumento na quantidade de Lactobacilos, responsáveis pela produção de ácido lático e manutenção do pH ácido da vagina. Sendo assim, a secreção exacerbada do ácido diminui ainda mais o pH, tornando a mucosa vaginal propícia à proliferação da Candida sp.
Com isso, tem-se um processo inflamatório que resulta em manifestações clínicas que costumam causar grandes incômodos às pacientes.
O gênero Candida trata-se do principal grupo de leveduras que causam infecções oportunistas nos seres humanos. Sendo assim, o desbalanço da microbiota ou do sistema imune oportunizam manifestações agressivas, tornando-se patogênicas.

O mecanismo que leva as espécies Candida passa de uma colonização assintomática para uma forma invasiva, resultando em uma doença vulvovaginal sintomática é complexa. Isso porque nele estão envolvidos inflamações do paciente, de fatores de virulência de além de leveduras.
Fatores de risco para candidíase
É importante ressaltar que muitos ataques esporádicos de candidíase vulvovaginal ocorrem sem a presença de um fator precipitante que possa ser identificado.
Com relação aos que são identificáveis, tem-se então:
- Diabetes mellitus: Mulheres com diabetes mellitus são mais propensas a episódios de candíase vulvovaginal que mulheres euglicêmicas. A partir disso, o tratamento com inibidores do cotransportador de sódio e glicose 2 pode aumentar o risco de candidíase vulvovaginal.
- Uso do antbióticos: o uso dos antibióticos de amplo espectro aumenta o risco de desenvolver candidíase, devido a inibição da flora bacteriana normal, favorecendo o aumento de patógenos fúngicos, como Candida.
- Níveis de estrogênio aumentados: especialmente, em cenários de gravidez e terapia de estrogênio na pós-menopausa.
- Imunossupressão: as infecções por Candida são mais comuns em pacientes que tomam glicocorticóides ou outros medicamentos imunossupressores, ou ainda aqueles infectados pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV).
- Comportamento sexual: apesar de a candidíase não ser considerada uma infecção sexualmente transmissível, está associada à atividade sexual, visto que o quadro é relatado com frequência no momento em que as mulheres iniciam atividade sexual.
Outros fatores de risco que podem favorecer a candidíase vulvovaginal são:
- Hábito de higiene e vestuário que aumente a umidade local
- Contraceptivo oral combinado
- Radioterapia
- Obesidade
- Gravidez
Quadro clínico da candidíase
Sintomas
Dos sintomas relatados pelas pacientes, o prurido vulvar é a característica predominante na candidíase vulvovaginal.
Outros sintomas comuns são ardência, dor e irritação vulvar, podedo estar acompanhados de disúria (externa ou vulvar em vez de uretral), ou dispareunia. Tais sintomas frequentemente são relatados como mais intensos quando o episódio de candidíase ocorre na semana anterior à menstruação.
A intensidade e sintomas varia muito, desde leve a grave na Candida albicans. Quando a infecção ocorre por Candida glabrata ou Candida parapsilosis, os achados tentem a variar entre leves ou até mínimos.
Exame físico
No exame físico, o corrimento vaginal esbranquiçado, descrito como semelhante a “queijo coalhado”, é o segundo maior achado, acompanhado do prurido vaginal.
Ainda sobre o corrimento vaginal, costuma apresentar-se classicamente branco, espesso, aderente às paredes vaginais e grumoso, com ou sem odor.

Na avaliação da genitália externa, vagina e colo do útero, é observado eritema da vulva e da mucosa vaginal, além do edema vulvar.

Diagnóstico laboratorial
Os exames laboratoriais consistem na identificação das leveduras presentes nas secreções vaginais, sendo eles os exame a fresco, possibilitando a visualização direta das hifas, e coloração de Gram, indicada em casos de recorrência ou resistência ao tratamento.
No exame a fresco o material é retirado das paredes laterais da vagina, com uma espátula Ayre ou swab, depositado em lâmina e misturado com 1 ou 2 gotas de solução fisiológica e coberta com lamínula.
Tratamento da candidíase
As características, quadro clínico e critério médico nortearão a escolha terapêutica.
Dentre os antifúngicos que são mais utilizados, a classe dos azóis se destaca, incluindo os imidazóis (butoconazol, clotrimazol, miconazol e cetoconazol), e triazóis (fluconazol e terconazol). Esses fármacos atuam inibindo a síntese do esgosterol, presente na célula do fungo.
Os azóis possuem a maior taxa de cura clínica próxima a 90%. Estão disponíveis em formulações tópicas (pomadas) e orais.
O uso de cetoconazol e itraconazol é uma boa opção nos episódios eventuais ou para supressão, não sendo escolha para manutenção por apresentarem mais efeitos colaterais.
De acordo o Ministério da Saúde, tem-se que o tratamento para candidíase deve ser seguido da seguinte forma:

Em casos de uma candidíase complicada ou recorrente, indica-se o seguinte:

Perguntas frequentes
- Porque a candidíase é uma doença tão recorrente?
A candidíase é uma que leva a um grande prurido observado por pacientes, especialmente intensa na região vulvovaginal. Diante desse quadro, muitas vezes o diagnóstico da doença é feito de forma empírica, o que leva a uma prescrição medicamentosa precipitada ou mesmo à automedicação. Ao longo do tempo, esse cenário favorece casos de resistência fúngica, propiciando uma recorrência da doença. - A candidíase vulvovaginal é uma infecção sexualmente transmissível (IST)?
A candidíase vulvovaginal não é considerada uma IST, já que ocorre também em mulheres que não possuem vida sexualmente ativa, além de a Candida ser considerada parte da flora vaginal normal. No entanto, isso não significa que a candidíase não esteja associada a atividade sexual. - Quais são as regiões que a Candida albicans pode acometer?
A Candida albicans pode acometer a região inguinal, perianal e períneo.
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Referências
- Jack D Sobel, MDCaroline Mitchell, MD, MPH. Vulvovaginite por Candida: Manifestações clínicas e diagnóstico . UpToDate .
- DAGMAR MERCADO SOARES. CANDIDÍASE VULVOVAGINAL: UMA REVISÃO DELITERATURA COM ABORDAGEM PARA Candida albicans. Revista Brasileira de Cirurgia e Pesquisa Clínica – BJSCR.