O câncer de mama é um tipo de tumor maligno desenvolvido na mama tanto de mulheres, quanto de homens – no último, em menor grau. De acordo com Silva (2008), o câncer de mama é o segundo mais frequente na população mundial e o primeiro entre as mulheres, o que demonstra certa preocupação em se tratando de saúde pública feminina.
Por conta dos inúmeros avanços de diagnósticos e tratamentos, seguidos pelo progresso tecnológico mundial, a doença diminuiu consideravelmente entre a população, porém, mesmo com tantas evoluções no que tange a equipamentos e técnicas de combate ao tumor, ele ainda permanece presente em grande parte da população feminina (SCLOWITZ et al., 2005).
Exames – Avanços e conquistas
Primordialmente, vale salientar que um exame muito promissor no diagnóstico precoce do câncer de mama é a chamada mamografia, procedimento semelhante a um raio X que permite a visualização do tecido mamário e, portanto, torna possível a visualização de possíveis nódulos nesta região.
O exame foi e é um grande avanço na prevenção do tumor nas mamas, uma vez que permitiu que médicos pudessem realizar os tratamentos quimioterápicos mais precocemente caso o resultado indicasse algum distúrbio tecidual. Assim, a mamografia é o procedimento mais utilizado para se detectar o estágio inicial da doença em questão (SCLOWITZ et al., 2005).
Ainda, é valido salientar que o teste, no Brasil, é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que contribui para o acesso da população mais carente a esse tipo de serviço (VIACAVA et al., 2009).
Entretanto, segundo Oliveira et al., (2011) “A prevalência do exame entre mulheres que referem ter plano de saúde é muito superior à encontrada para as que referem não ter plano (60% e 27% respectivamente) ”. Tal situação revela uma desigualdade social marcante no que se refere ao acesso de mulheres a serviços essenciais e de necessidade aparente.
A realização da mamografia, de acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia, deve se dar anualmente e a partir dos 40 anos, uma vez que os fatores de riscos a partir dessa idade aumentam consideravelmente; já o Ministério da Saúde indica a realização do exame a partir dos 50 anos de idade (OLIVEIRA et al., 2011).
Embora a mamografia se mostre como um exame promissor e eficiente, existem problemas relativos a custos e ao diagnóstico, uma vez que não se têm verbas governamentais suficientes para promover a realização do exame para todo o público alvo do país, além de o diagnóstico de tumores em estágios mais avançados e com riscos eminentes poderem ser facilmente detectados pelo chamado autoexame das mamas (AEM).
Este exame é uma forma muito mais econômica, visto que não apresenta custos para a realização, além de poder ser realizado frequentemente e facilmente (palpação e observação das mamas). Entretanto, as vantagens de um método diagnóstico facilitado não exclui a importância e a necessidade de outro mais complexo (MONTEIRO et al., 2003).
Fatores de risco, sinais, sintomas e tratamento da doença.
Dentre os fatores de riscos da doença, pode-se destacar que mulheres com pouca escolaridade e condições socioeconômicas mais baixas são mais acometidas pelo câncer de mama (MONTEIRO et al., 2003). Isso se deve à falta de informações relativas aos exames diagnósticos de prevenção, além da precariedade de atendimentos especializados em saúde nas regiões menos privilegiadas, periféricas e sem recursos financeiros.
Demonstra-se, assim, que o contexto social em que as pessoas estão inseridas influencia nas questões referentes à saúde física desses indivíduos, indicando e comprovando a influência dos Determinantes Sociais em Saúde numa sociedade (BUSS & PELLEGRINI FILHO 2007). Outros fatores de risco evidentes na patologia em questão é a idade avançada, menopausa tardia e a herança genética (THULER et al., 2003).
Vale salientar que os sinais para desconfiar de um possível avanço tumoral são principalmente mudanças morfológicas na pele, aparecimento de nódulos na região do peito, dores locais, secreções na região da aréola ou do mamilo, entre outras características marcantes (ARAÚJO & FERNANDES, 2008). Já em relação ao tratamento, de acordo com Rosa & Radunz (2013), as formas de reabilitação – oferecidas inclusive pelo SUS – quando se tem o diagnóstico comprovando o tumor maligno são:
“Quimioterapia neoadjuvante, seguida de cirurgia para retirada do nódulo neoplásico mamário, e de quimioterapia adjuvante e/ou radioterapia adjuvante (esquema terapêutico I), ou cirurgia para retirada do nódulo neoplásico mamário, seguida de quimioterapia adjuvante e/ou radioterapia (esquema terapêutico II) ”
Saúde mental feminina
Ademais, outro ponto a ser destacado dentro do cenário do câncer de mama seria o dano psicológico causado pelo tratamento de mulheres acometidas pela doença, tanto no procedimento radiológico e quimioterápico quanto nos possíveis danos posteriores, como perda da mama e queda dos cabelos.
Além de já possuírem dupla carga de trabalho, a maioria das mulheres sofrem com o chamado machismo estrutural, o qual se refere a não valorização e a segregação desse público nas principais atividades diárias. Dessa maneira, durante um possível diagnóstico da patologia em questão, essas mulheres poderão sentir o peso da fragilidade que lhes é taxada erroneamente.
Logo, a autoestima, o otimismo e a esperança dessa comunidade, durante as etapas de reabilitação, serão aspectos gravemente abalados e, por isso, deve-se assegurar um maior tratamento psicológico a elas durante e após os procedimentos realizados.
Desse modo, todos os profissionais de saúde devem se atentar na importância de um olhar clinico diferenciado, encorajando-as e demonstrando apoio total durante todos os momentos difíceis do tratamento (BERGAMASCO & ANGELO, 2001) (ARAÚJO & FERNANDES, 2008).
Prevenção do câncer de mama sob a óptica da saúde coletiva
Definidas por Leavell e Clark, a prevenção primária, secundária e terciária se referem, respectivamente, a políticas que contribuam para diminuir a incidência da doença, a tratamentos que atenuem os efeitos prolongados da patologia e às formas de reabilitação para reinserir o paciente na sociedade com vitalidade.
No caso das mulheres acometidas pelo câncer de mama, a prevenção primária seria a adoção de políticas públicas que lhes promovessem melhores condições de vida, a realização dos tratamentos que diagnosticam precocemente a doença, além da elucidação dos riscos que a doença provoca, de forma eficiente e humanizada.
A prevenção secundária seria a realização dos tratamentos medicamentosos e procedimentais indicados pelo profissional de saúde, enquanto a prevenção terciária seria o atendimento psicológico e biopsicossocial recebido pelas mulheres após o quadro da doença (THULER et al., 2003).
Outubro Rosa
Quando falamos de formas de prevenção, o chamado Outubro Rosa é uma campanha criada em 1990 com a finalidade de contribuir para a efetivação das políticas preventivas entre as mulheres, desde o incentivo do autoexame das mamas até o encorajamento das mulheres acometidas a se cuidarem psicologicamente e, assim, se sentirem perseverantes, mesmo com as condições difíceis vividas. Portanto, trata-se de um programa importantíssimo de saúde pública e, por isso, deve ser implementado e divulgado pela maioria das pessoas inseridas na sociedade (GUTIÉRREZ & ALMEIDA, 2017).
Autoria: João Pedro Delgado Furtado, Estudante de Medicina
Instagram pessoal: @jjpdelgado
Whatsapp: (33)98431-4291