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Campanha de vacinação contra influenza 2026: protocolo para a atenção primária

Profissional de saúde aplicando uma vacina no braço de uma pessoa que usa máscara.

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A campanha nacional de vacinação contra influenza 2026 é uma estratégia do Programa Nacional de Imunizações (PNI) para reduzir hospitalizações e óbitos, com início em 28 de março e Dia D em 4 de maio.

Conforme alerta epidemiológico da Fiocruz, houve aumento de 42% nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada à Influenza A (H3N2) nas últimas quatro semanas em relação a 2025. O médico da atenção primária à saúde (APS) é responsável pela implementação segura e efetiva, garantindo cobertura dos grupos prioritários e rastreamento adequado de contraindicações.

Por que a campanha de vacinação de 2026 é urgente do ponto de vista epidemiológico?

A campanha anual responde à sazonalidade do vírus influenza, que causa surtos com impacto significativo na morbimortalidade. O informe técnico da Fiocruz de março de 2026 registrou aumento de 42% nas internações por SRAG associada à Influenza A (H3N2) nas últimas quatro semanas comparado ao mesmo período de 2025.

Este dado reforça a urgência de cobertura vacinal ampla e rápida para mitigar a pressão sobre o sistema de saúde e reduzir a letalidade em populações vulneráveis.

A vacina utilizada no SUS é trivalente inativada, atualizada anualmente conforme recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Hemisfério Sul. Em 2026, protege contra:

  • Influenza A (H1N1)
  • Influenza A (H3N2)
  • Influenza B (linhagem Victoria)

O objetivo clínico direto é prevenir formas graves da doença, internações, óbitos e reduzir a circulação viral na comunidade. A APS coordena a operacionalização deste esforço.

Se aprofunde em: Vigilância epidemiológica: definição, objetivo e função

Quais são os grupos prioritários e qual o esquema vacinal?

A definição dos grupos segue critérios epidemiológicos de maior risco para complicações. O esquema é de dose única anual, com exceção de crianças em primovacinação, que necessitam de duas doses com intervalo de 30 dias.

Grupo PrioritárioFaixa Etária / CondiçãoObservações e Esquema Vacinal
Crianças6 meses a menores de 6 anos (5 anos, 11 meses e 29 dias)Primovacinação: duas doses com intervalo de 30 dias. Revacinação anual: dose única.
GestantesQualquer idade gestacionalSegura em todos os trimestres. Oportunidade para atualizar cartão de pré-natal.
PuérperasAté 45 dias após o partoIndependente do status vacinal durante a gestação. Documentar data do parto no prontuário.
Trabalhadores da saúdeProfissionais ativos em serviços de saúdeInclui nível superior, médio, auxiliar, administrativos e segurança.
Povos indígenasTodas as idadesSeguir cronograma dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI).
Idosos60 anos ou maisMaior taxa de letalidade por influenza. Verificar outras vacinas necessárias (ex: pneumocócica).
ProfessoresEnsino básico e superiorAlta exposição em ambientes coletivos.
Pessoas com comorbidadesSem limite de idade (com prescrição médica)Inclui doenças respiratórias crônicas, cardíacas, neurológicas, diabetes, imunossupressão, obesidade (IMC ≥40).
Pessoas com deficiência permanenteSem limite de idadeAvaliar melhor via de administração conforme o caso.
População privada de liberdadeAdolescentes e adultos em medida socioeducativaEm parceria com secretarias de Justiça e Administração Penitenciária.
Forças de segurança e salvamentoProfissionais ativosPolícias Civil, Militar, Federal; Bombeiros; Forças Armadas.
Caminhoneiros e trabalhadores de transporte coletivoProfissionais ativosAlta mobilidade e potencial de disseminação viral.

Qual é a única contraindicação verdadeira da vacina influenza?

A principal contraindicação formal é história de anafilaxia confirmada a dose anterior da vacina influenza ou a qualquer um de seus componentes. É fundamental diferenciar contraindicações reais de condições que são apenas precauções, onde o benefício da vacinação supera o risco.

A alergia ao ovo, mesmo grave, não é contraindicação conforme posicionamento da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e do Centers for Disease Control and Prevention (CDC). A vacina contém quantidade ínfima de proteína do ovo, e a reação anafilática é extremamente rara. Pacientes com este histórico podem ser vacinados no ambiente ambulatorial com observação padrão de 15 a 30 minutos.

CondiçãoClassificaçãoConduta na APS
Anafilaxia à dose anterior da vacina influenzaContraindicação absolutaNão vacinar. Notificar como Evento Adverso Pós-Vacinação (EAPV) grave no e-SUS Notifica.
Alergia grave ao ovo (anafilaxia)Precaução (não é contraindicação)Pode vacinar no ambiente ambulatorial com observação de 15-30 minutos.
Doença aguda febril moderada ou gravePrecaução temporáriaAdiar vacinação até melhora do quadro. Resfriados comuns sem febre não impedem a vacinação.
Síndrome de Guillain-Barré (SGB) pós-vacina influenzaPrecauçãoAvaliação individualizada de risco-benefício. Considerar alto risco de complicações graves por influenza.
Imunossupressão ou corticoides em alta doseNão é contraindicaçãoVacinar. Resposta imune pode ser subótima, mas a vacina é inativada (segura).

Como realizar a vigilância de eventos adversos pós-vacinação e falhas vacinais?

O médico de APS atua na vigilância ativa de Eventos Adversos Pós-Vacinação (EAPV) e detecção precoce de falhas vacinais. Assim, reações locais leves (dor, edema) ou sistêmicas autolimitadas (febre, mialgia) são comuns nas primeiras 48 horas e representam sinais de resposta imunológica adequada. Explicar este padrão ao paciente reduz ansiedade e desinformação.

Todo EAPV grave ou inesperado deve ser notificado imediatamente no sistema e-SUS Notifica conforme a Portaria do Ministério da Saúde que estabelece a campanha.

A falha vacinal é suspeitada quando um indivíduo adequadamente vacinado há mais de 14 dias desenvolve influenza confirmada laboratorialmente (RT-PCR ou teste rápido de antígeno). Esses casos devem ser investigados para descartar:

  • Problemas com cadeia de frio
  • Erro na administração (via, local, volume)
  • Baixa resposta imune do hospedeiro
  • Circulação de variante não coberta pela vacina

Clusters de falha vacinal em uma mesma unidade ou lote devem disparar alerta para a Vigilância Epidemiológica municipal (Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde, CIEVS).

A integração com a vigilância de síndromes respiratórias agudas (SRA) é essencial. Um aumento na demanda por atendimento de infecções respiratórias agudas (IRA) na unidade, especialmente nos grupos prioritários, pode sinalizar:

  • Baixa cobertura vacinal local
  • Circulação de variante com escape vacinal
  • Falha na estratégia de comunicação

Essas situações exigem ações de bloqueio, aumento de oferta vacinal e comunicação de risco com a comunidade.

Como combater desinformação e melhorar a adesão à vacinação?

A comunicação clara e baseada em evidências é parte do ato clínico. Estratégias eficazes incluem:

  • Recomendação ativa do profissional: a indicação direta do médico é o fator mais forte para a aceitação da vacina. Frases como “Recomendo esta vacina para você, dada sua condição de saúde” são eficazes
  • Escuta ativa e abordagem de dúvidas: valide as preocupações do paciente e ofereça informações corretas. Para o mito “a vacina dá gripe”, esclareça que se trata de uma vacina de vírus inativado, incapaz de causar a doença. Os sintomas podem ser de outras viroses coincidentes ou uma reação imune leve normal
  • Acesso facilitado: ofereça horários estendidos, busca ativa de acamados e idosos, vacinação em locais de convivência da comunidade (praças, igrejas, escolas)
  • Uso de dados locais: compartilhe, de forma ética, informações sobre o aumento de casos na região. Isso torna o risco tangível para a comunidade
  • Parcerias: Engage líderes comunitários, associações e professores como multiplicadores de informações confiáveis. O apoio de figuras respeitadas amplifica a mensagem de saúde.

Pontos-chave

  • A campanha de 2026 ocorre em contexto de aumento de hospitalizações por Influenza A (H3N2), reforçando seu caráter de urgência em saúde pública.
  • O médico da APS é responsável por identificar, indicar e vacinar grupos prioritários, seguindo o esquema de dose única, exceto crianças em primovacinação (duas doses com intervalo de 30 dias).
  • A única contraindicação absoluta é anafilaxia prévia à vacina ou a seus componentes. Alergia grave ao ovo não contraindica a aplicação no ambiente ambulatorial.
  • Doenças febris agudas graves são precauções temporárias. Histórico de Síndrome de Guillain-Barré pós-vacina influenza requer avaliação individualizada de risco-benefício.
  • A vigilância integrada na APS inclui notificação obrigatória de EAPV no e-SUS Notifica e investigação de possíveis falhas vacinais para garantir qualidade e efetividade da estratégia.
  • A comunicação clínica efetiva, baseada em escuta ativa e recomendação profissional direta, é a ferramenta principal para aumentar adesão e combater desinformação.
  • A vacina do SUS é trivalente inativada, atualizada anualmente para as cepas circulantes previstas no Hemisfério Sul. Não pode causar influenza.
  • Reações adversas locais leves (dor, edema) e sistêmicas autolimitadas (febre, mialgia) nas primeiras 48 horas representam resposta imunológica esperada e devem ser explicadas ao paciente.

Referências bibliográficas

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