Entenda o que é necessário saber sobre cálculo de calorias e como cuidar do aspecto nutricional do seu paciente. Bons estudos!
A importância da nutrologia vem crescido exponencialmente no Brasil durante os últimos anos. Isso se deve principalmente a mudanças sociais na área da saúde e assistência que favorecem a inclusão da população no desenvolvimento do país.
Porque o cálculo de calorias é importante?
O cálculo de calorias é importante especialmente quando pensamos na ingestão de nutrientes e a combinação de alimentos.
A ciência da nutrologia tem uma dentre muitas propostas de isolar os nutrientes presentes em cada alimento, trazendo a ideia dos macronutrientes e micronutrientes. Sendo eles:
- Macronutrientes:
- Proteínas;
- Fibras;
- Gordura;
- Carboidratos.
- Micronutrientes:
- Vitaminas;
- Minerais.
A intenção do estudo dessas unidades e o cálculo de calorias para configurar uma ingesta saudável de nutrientes objetiva prevenir carências nutricionais específicas.
Pensando nisso, esse cuidado é especialmente importante quando se trata dos perfis de pacientes fragilizados ou acamados. Por outro lado, a profilaxia para doenças advindas dessas carências é uma abordagem importante, principalmente na APS.
Macronutrientes e a sua importância no cálculo de calorias
Os macronutrientes são extremamente importantes para a vida, no fornecimento de energia e na participação de reações químicas orgânicas. Por isso, entender cada um deles é muito importante.
Falando sobre as proteínas, elas são estruturas essenciais para o organismo, fazendo parte de diversos tecidos do corpo humano. Os alimentos com mais abundância desse macronutriente são as carnes bovina e de frango, além de alguns cereais, como o trigo.
Quanto aos carboidratos, é um grande combustível energético necessário à vida. Eles podem ser simples ou complexos, a depender da fonte de carboidrato. Como exemplo das fontes simples, temos o açúcar do mel enquanto que os complexos pode ser representado pelo batata doce.
Sobre as gorduras, são importantes para manter a temperatura corporal, bem como produção de alguns hormônios, como os esteroides. Exemplos dos hormônios esteroides podem incluir a testosterona e o estradiol.
Conhecer esses macronutrientes ajuda na composição da dieta do paciente e, consequentemente, o cálculo de calorias a ser feito. Pensando nisso, os valores calóricos que representam cada macronutriente são:
- Proteína: 1g = 4 calorias
- Carboidrato: 1g = 4 calorias
- Gordura: 1g = 9 calorias
De maneira geral, é recomendado que a ingestão de proteína seja de 1,2 a 2,2g/kg de peso. Já a de gorduras, costumam compor cerca de 10 a 30% do total de calorias destinado à dieta. Por fim, o restante dos macronutrientes é composto por carboidratos. É evidente que esses valores podem variar, a depender da necessidade do paciente.
Além dos macronutrientes, os micronutrientes também estarão presentes nos alimentos consumidos, complementando a dieta com minerais e vitaminas essenciais à vida.
Em vista disso, a realização de exames laboratoriais periodicamente a fim de identificar possíveis carências nutricionais é um grande aliado da manutenção da saúde.
O que é a taxa metabólica basal?
É importante entender que o cálculo calórico é baseado não apenas na necessidade de ingesta do paciente, mas também quanto ao seu déficit diário.
Isso significa que, embora o paciente precise de uma certa quantidade de calorias por macronutrientes, é necessário estimar um dado fundamental: a taxa metabólica basal.
A taxa metabólica basal é a quantidade de energia que cada pessoa necessita para a manutenção das funções vitais do organismo durante o dia. Esse é um valor extremamente variável, dependendo do sexo, idade, produção hormonal, entre outros.
Existem métodos para a realização desse cálculo, como a calorimetria direta e indireta, além de equações preditivas.
Calorimetria direta para o cálculo do gasto de calorias basal
Esse é um método extremamente preciso ao calcular a taxa metabólica basal de uma pessoa.
Na avaliação, o indivíduo entra em uma câmara fechada e, ao longo de 24h, é calculado o calor e o vapor d’água liberado pelo seu corpo.
Embora seja um exame preciso, a calorimetria direta não é tão empregada. Isso porque não é capaz de estimar esse gasto em um dia comum do paciente, em que existem esforços habituais que também demandam um gasto metabólico.
Além disso, devido a toda a logística envolvida na avaliação, acaba sendo muito custoso.
Calorimetria indireta e a acelerometria estimando a taxa metabólica basal
Diferente da calorimetria direta, a indireta fornece os valores da taxa metabólica na presença de atividades físicas discretas.
Ele se baseia na avaliação do paciente considerando o consumo de O2 e a produção de CO2, através de vários sistemas de calorímetro distribuídos no ambiente clínico.

Já a aceletrometria usa um pequeno dispositivo portátil para registrar o movimento em um ou mais planos. Através dele, fornece uma medida de frequência e duração da atividade física.
Embora sejam métodos de validade, por meio de estudos a associação entre a acelerometria e o monitoramento da frequência cardíaca mostraram estimativas muito precisas da taxa metabólica basal.
Taxa metabólica basal e gasto energético são sinônimos para o cálculo de calorias?
A taxa metabólica basal e o gasto energético são conceitos que se assemelham, mas não são iguais.
A maior diferença entre eles é que, enquanto o primeiro oferece um valor de gasto basal, como o nome já diz, o segundo prevê a prática de atividade física envolvida.
Sendo assim, para indivíduos ativos, atividades físicas como esportes, academia e dança chegam a representar até 50% do seu gasto energético. Já indivíduos sedentários, isso pode envolver 30% em atividades como limpar a casa ou tomar banho.
A fins de convenção, entende-se que um adulto com um nível m considerado moderado de atividades físicas chegue a ter 2.000kcal de gasto energético.
Assim sendo, para ganho calórico o indivíduo deverá ingerir mais calorias do que gasta. Já para um déficit, menos.
Cálculo de calorias: como fazer?
Independente do tipo de dieta que seja a recomendada para o seu paciente, o primeiro passo é realizar o cálculo dos macronutrientes necessários.
Isso é especialmente importante considerando diversos perfis de pacientes, como gestantes, idosos, resistentes insulínicos ou desnutridos.
Embora existam diversas calculadoras de calorias disponíveis atualmente.
Estimar a taxa metabólica basal (TMB)
Como dito, esse resultado é extremamente variável, dependendo de fatores como altura, peso corporal e sexo do paciente.
Veja também:
Ajustar o nível de atividade física diária
É importante considerar o perfil do paciente que estamos nos referindo. Por isso, aqui vale a pena questionar-se:
- Quais atividades físicas o meu paciente é capaz de realizar?
- A partir desse nível de atividade física, como vai ser a demanda energética do meu paciente?
Definir o objetivo nutricional do paciente
Entendendo o perfil do seu paciente é possível concluir a necessidade de aumento da ingesta calórica ou a diminuição. Por exemplo:
- Se trata de um paciente com transtornos alimentares que levou a um quadro de anorexia e precisa recuperar peso?
- É um paciente obeso que precisa perder gordura?
Determinar a quantidade de macronutrientes
Aqui será definido quais alimentos irão compor as calorias da dieta.

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Perguntas frequentes
- Taxa metabólica basal e gasto energético são a mesma coisa?
Não. Enquanto que o gasto energético envolve a realização de atividades físicas habituais ou extra-habituais, a TMB é o gasto orgânico de energia (em calorias). - Quais são os macronutrientes e as calorias representadas por cada grama deles?
Proteína: 1g = 4 calorias, carboidrato: 1g = 4 calorias e gordura: 1g = 9 calorias. - O que se deve levar em conta ao realizar o cálculo de calorias do paciente?
Fatores como objetivo da dieta do paciente bem como doenças associadas.
Referências bibliográficas
- GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA (2014). Ministério da Saúde.
- Dossiê Proteínas.
- Estimation of dietary energy requirements in children and adolescents. Nancy F Butte, PhD. UpToDate